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Aids diminui no mundo e aumenta no Brasil

Enviado em 2 de setembro de 2014 | No programa: Diálogos Médicos | Escrito por | Publicado por Rádio Boa Nova

Símbolo da AidsDados recentes de um relatório da ONU sobre os casos de infecção pelo vírus HIV soaram o alarme para nós no Brasil. Estamos na contramão da tendência global no combate ao avanço de novos casos e mortes pelo vírus.

No relatório, podemos observar que os novos casos da doença no mundo caíram 38% nos últimos 12 anos – em 2013, 2,1 milhões de indivíduos foram infectados, contra 3,4 milhões em 2001. A queda global de novas infecções foi ainda mais acentuada em crianças, de 58%.

Em relação ao número de mortes associadas ao HIV, houve uma queda de aproximadamente 37% de 2005 para cá. Estima-se que 1,5 milhão de pessoas no mundo tenham morrido no ano passado devido a complicações da doença. Em 2005, foram 2,4 milhões.

Mas a triste notícia é que o Brasil caminha no sentido contrário e contamos com um aumento de 11% nos casos de Aids. Quais as razões para tais índices alarmantes? Especialistas que foram ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a desinformação entre os jovens, a discriminação contra gays e problemas de foco nas campanhas do governo auxiliam no crescimento dos números.

A diretora do Unaids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, crê que “Muitos jovens de hoje protegem-se menos, acham que não precisam de camisinha, até por acreditarem que Aids é uma doença do passado ou de pessoas mais velhas. Eles não viram ídolos morrerem, como (os cantores) Cazuza ou Renato Russo.” 

Segundo o relatório, a maior parte dos casos está entre 14 e 25 anos de idade. Qual a razão? A dra Luciana de Lima Galvão, médica infectologista, membro da Associação Médico-Espírita do ABC, em entrevista à Folha Espírita neste mês de agosto ressaltou uma fase  psicológica característica dos jovens, a de uma certa onipotência. Eles acham que podem tudo e nada de mau lhes acontece.

Convenhamos, sem condução, sem educação, fica difícil. É preciso que os jovens aprendam a questionar o que é vida, o que estamos fazendo aqui. Tudo fica no imediatismo e a consequência é a inconsequência.

Dra Luciana considera também outra grande falha a mídia não informar corretamente o que está acontecendo na pesquisa da Aids. Em curso recente de atualização de sua especialidade constatou que nos maiores centros de investigação dos EUA “os últimos 25 anos de pesquisa na área de vacina para o HIV, foram todos desconsiderados”,  totalmente infrutíferos.

Segundo Dra Luciana na prática os pacientes nada conhecem sobre o HIV. Acham que a cura está próxima, muito próxima, e isso não é verdade. Conversando com  jovens, já portadores, eles dizem que “a moçada não tá nem aí”.  

Dra Luciana diz que, há, sim, um arsenal terapêutico efetivo, que controla, sim, a infecção, mas temos todos os efeitos adversos das medicações, todas as complicações crônicas relacionadas à inflamação crônica pela presença do vírus HIV (doenças ateroscleróticas – AVC, infarto/angina – doenças cardiovasculares, osteoporose, envelhecimento precoce, maior incidência de câncer e síndrome plurimetabólica), mesmo estando o paciente controlado do ponto de vista virológico.

É preciso que a população seja informada de que a medicação e a própria doença trazem consequências e muitas vezes danosas.

Onde estão as falhas? 

Não temos dúvidas de que o que colhemos hoje é o resultado de uma situação de completa miopia do ponto de vista de campanhas de prevenção. Percebemos que enquanto no mundo as campanhas de prevenção tem visado à educação sexual e em alguns casos até mesmo a abstinência sexual, em nosso país o foco inadequado estimulou um comportamento desregrado sobre a sexualidade para a juventude que não teme nada e não enxerga a Aids como uma ameaça para sua existência.

São muitos os equívocos das campanhas oficiais. Elas sempre focam os abusos e comportamentos promíscuos, com isso dão o aval à liberdade sexual, sem destacar a maturidade moral. Recentemente, a bola fora foi uma campanha que fazia apologia aos profissionais do sexo como forma de combater a Aids e as DSTs. 

A médica infectologista e pesquisadora do Laboratório de Pesquisas Clínicas DST/AIDS da Fiocruz, Brenda Hoagland afirmou com razão que “A gente tem de mudar a maneira de fazer campanha. Primeiro, porque ela só acontece no carnaval. Depois porque é preciso ter campanhas educativas e mais elucidativas sobre onde o risco é maior.” 

Segundo Dra Luciana – A grande falha está na educação. É preciso que pais, mães, tios, avós, familiares levem a sério essa campanha de conscientização. Temos, como diz Emmanuel (livro Vida e Sexo), em matéria de sexo, não proibição, mas educação, não indisciplina, mas controle, não impulso livre, mas responsabilidade.

Fora disso é teorizar simplesmente, para depois aprender e reaprender com a experiência. Temos a mídia atrelada ao consumo (seja lá do que for), a mesma mídia a difundir a erotização e a indução de padrões de comportamento como se tudo fosse normal. A banalização não significa que seja normal. 

Esperamos que os indicadores desse relatório global possam nos fazer acordar para a realidade quanto às medidas mais eficazes que devemos adotar com relação à Aids em nossa sociedade.

No livro Lições de Sabedoria, Chico Xavier já nos alertava: “Acredito que a aids, a nova moléstia, não é um castigo de Deus, mas uma questão criada por nós mesmos, as criaturas da Terra, e que alcançará, por misericórdia de Deus, a vacina necessária para que nos desvencilhemos de semelhante flagelo. Deveremos compreendê-la como uma sugestão para melhorar os nossos costumes. Não podemos dizer que é um castigo de Deus uma doença que tem aparecido nos próprios recém-nascidos. Os cuidados, a higiene e a possível abstenção sexual e o respeito de uns frente aos outros são os remédios de que dispomos à espera de um antídoto, uma vacina que está sendo elaborada pelos nossos cientistas.”

Para concluir, passados 26 anos da afirmação de Chico, podemos dizer que a Misericórdia Divina nos proporcionou avanços incríveis na ciência, inclusive nosso país é vanguardista na distribuição de todo o arsenal de remédios de combate ao vírus, porém estamos falhando quanto ao nosso desenvolvimento moral, conforme Chico nos alertou.

 

Foto ilustrativa: stock.xchng

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