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“De nada adianta crer, se sua crença não o faz dar sequer um passo na senda do progresso.” Allan Kardec

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Alguns Dados Sobre Espíritos em Família

Enviado em 30 de abril de 2014 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Bismael Moraes | Publicado por Rádio Boa Nova

Por que, embora da mesma família, cada membro pensa e age de maneira diversa? Por que nasci nesta família, com a qual vivo em choque, e não naquela outra, com cujos membros me dou tão bem?

 

Sombra de família de mãos dadas

Antipatia, ódio, ciúme, vícios, atrações sensuais, incestos e tantos desregramentos entre familiares, atingindo moralmente toda a família, são atos que podem ser explicados à luz do Espiritismo, na análise das vidas sucessivas, passadas, presentes e futuras. 

Via de regra, em nossas vidas, até que nos descubramos como espíritos em evolução e procuremos aceitar nossas dores físicas e morais como lições da Providência Divina ao nosso progresso, temos que nos defrontar com pregressos ou atuais cobradores à nossa volta, em nossa família, e, em muitas ocasiões, igualmente, nós mesmos somos cobradores de irmãos encarnados. 

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec (Capítulo XIV, item 8), encontramos que “Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se o fossem pelo sangue”. 

Como a Justiça Divina é sempre perfeita, ninguém deve se queixar de haver nascido nesta ou naquela família ou de ter recebido como filho ou filha este ou aquele Espírito, nem reclamar do esquecimento das minhas vidas passadas. Esclarecem osEspíritos Superiores:

“Se Deus julgou conveniente lançar um véu sobre o passado, é que o julgou útil, evitando graves inconvenientes, pois ora humilharia o ser humano, ora exaltaria seu orgulho, causando obstáculos ao livre-arbítrio e embaraços às relações sociais”. 

Há duas grandes sociedades na Terra, que são impostas ao ser humano: a família, como semente formadora da sociedade como um todo, e o Estado, como instituição política organizadora da sociedade humana. Na primeira, cumprimos, como Espíritos, a Lei Natural; na segunda, cumprimos a Lei Humana ou Lei dos Homens ou regras estatais, decorrentes dos costumes. 

Para o filósofo Herbert Spencer, a família está entre as instituições que dão forma à vida social. E o “pai da sociologia”, Augusto Comte, entende que a sociedade perfeita é a que funciona como a família. Na questão 774 (de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec), vemos que os laços de família constituem uma Lei Natural, porque “os liames sociais são necessários ao progresso e os laços familiares resumem os liames sociais”.

Por força da Lei Natural ou Lei Divina, os seres humanos devem aprender “a se amar como irmãos”. 

No livro “S.O.S. Família”, por Joanna De Angelis e outros Espíritos, na psicografia de Divaldo Pereira Franco, nas páginas 17 e 18, encontramos que “a família tem suas próprias leis” e que há diferença entre casa e lar: “O lar não pode ser configurado como a edificação material, capaz de oferecer segurança e paz aos que se resguardam.”

A casa são a argamassa, os tijolos, a cobertura, os alicerces e os móveis, enquanto o lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem àqueles que se vinculam pela afeição por laço consanguíneo, decorrente da união”. 

 “A família, em razão disso” – continua Divaldo Franco -, é o grupo de espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, graças à contingência reencarnatória (…) A família é mais do que o resultado genético…São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos e as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupo doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra”. 

O pai e a mãe, unidos pelo casamento ou pelo amor, não são pais dos Espíritos de seus filhos, mas apenas dos corpos materiais que lhes servem de instrumentos para o progresso. Por isso, por força da Lei Natural, o ser humano requer a participação na sociedade para, dentro dela, progredir, individual e coletivamente.

O Espiritismo ensina que a sociedade existe para a elevação moral do ser humano, para que ele aprenda a ser fraterno e indulgente, em seu benefício e em benefício de todos. 

Ensina Chico Xavier, em obra psicografada de Emmanuel, que “o espírito, inquilino da casa física, trazendo consigo a soma de reflexos bons ou menos bons de que é portador, segundo colheita de méritos e prejuízos que semeou no solo do tempo, incorpora aos moldes reduzidos do próprio ser as células do equipamento humano, associando-as à própria vida. Amparado no colo materno, se lhe estrutura o corpo…Em breve, atendendo ao desenvolvimento espontâneo, acha-se o espírito materializado na arena física, manifestando-se pelo veículo carnal que o exprime.” 

Como cada ser humano viveu mais ou viveu menos, aprendeu mais ou aprendeu menos em vidas passadas, realizou maior ou menor quantidade de obras meritórias ou prejudiciais, verifica-se o desnível de seus espíritos para que eles, juntos, em família, na escola, no trabalho, no lazer, se completem: uns, fazendo mais, auxiliando, ensinando; outros, necessitando, recebendo, aprendendo.

Enfim, cabe às famílias e, mais particularmente, aos pais a tarefa de esclarecer, ensinar e perdoar àqueles que lhe são confiados, com eles também progredindo, na imperiosa caminhada do Espírito rumo à perfeição moral.

 

Foto ilustrativa: sandro-anjodanoite.blogspot.com

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