QUER RECEBER NOSSAS NOTÍCIAS EXCLUSIVAS?

“Um dos aspectos notáveis da evolução espiritual humana é que todos os doentes da alma se tornam médicos por sua vez.” Bezerra de Menezes

Artigos

Alguns remédios contra sintomas da obsessão (breves notas)

Enviado em 18 de novembro de 2013 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Bismael Moraes | Publicado por Rádio Boa Nova

 Imagem desfocada de uma mulher no quarto

Ensinam os estudiosos do Espiritismo que “grande parte da humanidade é vítima de obsessão, exatamente por desconhecer os recursos, os elementos, os meios que tem ao seu alcance para evitar ou livrar-se dela”. Sabemos que “a linguagem dos espíritos desencarnados é o pensamento. Pelo pensamento, identificam eles os sentimentos das criaturas, as suas intenções e tendências, e disso se prevalecem os obsessores para estimular, pela intuição, os vícios e as fraquezas humanas”.

No Capítulo XXIII de “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec (23ª edição, Editora LAKE, 2004, tradução de J. Herculano Pires), encontra-se que obsessão é o “domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e, se não os escutam, preferem retirar-se. Os maus, ao contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança”.

No estudo da Doutrina Espírita, além das obras básicas do codificador Allan Kardec e dos trabalhos de pesquisadores estrangeiros, encontramos um vasto acervo de obras complementares psicografadas por Chico Xavier, Divaldo Franco e outros grandes médiuns brasileiros, sem contar os  estudiosos nacionais como, por exemplo, Carlos Imbassahy, Deolindo Amorim, José Herculano Pires, Martins Peralva, Manoel Philomeno de Miranda, Ernani Guimarães Andrade e nomes do mesmo quilate. Registre-se, também, a oportunidade de uma visão no livro “Segurança Mediúnica” (Editora Fonte Viva, Belo Horizonte/MG), de João Nunes Maia, e, por maior razão, uma leitura em “Obsessão/Desobsessão” (Editora FEB, Rio de Janeiro), de Suely Caldas Schubert.

Obsessão e suas variedades

A palavra obsessão é o termo pelo qual “se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, fascinação e subjugação”. Vejamo-las, a seguir, com base na obra acima, de Allan Kardec, que deve ser lida por toda pessoa que pretenda a busca da verdade.

  • obsessão simples, “quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados”. (…) Pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros… Esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios e com os de nossa afeição”.
  • Já a fascinação tem conseqüências mais graves. “Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelos Espíritos no pensamento do médium e que paralisa, de certa maneira, a sua capacidade de julgar a comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos”. O Espírito se manifesta de maneira ardilosa, impondo livros comprometedores “e sugerindo psicografias a escritores vaidosos, às vezes, até envolvendo dirigentes de entidades espíritas que se consideram assistidos…”
  • E, por fim, a subjugação, em que o Espírito obsessor “produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir como um joguete, levando-a a tomar e defender decisões absurdas e, muitas vezes, comprometedoras. Para alguns, o subjugado passa à condição de louco. É, por vezes, aquele que se diz saber tudo e ser infalível; apresenta-se, em manifestações psicofônicas (médiuns falantes), com nomes respeitáveis; aceitam elogios; não suportam críticas; procuram demonstrar superioridade ao falar, desenhar”. (Observação:quem receba más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob má influência”. Isso decorre, em regra, da vaidade e do orgulho do médium). 

Livre arbítrio, freios morais, possessão e subjugação

Pelo seu livre-arbítrio, o ser humano escolhe a forma dos seus pensamentos, palavras e atos. Cada um de nós fiscaliza a si mesmo, tendo por barreiras apenas os próprios freios morais.

Com o domínio moral do livre-arbítrio, o ser humano, Espírito encarnado, tem a seu critério, numa concessão de Deus, a faculdade de elevar-se ou destruir-se, escolher o bem ou escolher o mal. Por isso, o encarnado (cada um de nós) sofre a ação benéfica ou maléfica dos Espíritos, que não apenas penetram o que pensamos, mas influem decisivamente no que pretendemos realizar ou realizamos. Aliás, quando pensamos, não é nosso cérebro que realiza tal operação; é o Espírito, ser inteligente da Natureza, que pensa. Desta forma, somos influenciados pelos Espíritos e, pela nossa vaidade, achamos que toda ideia brilhante nasceu de nós mesmos e toda atrapalhação vem de nossos inimigos. Devemos estar ligados (orar e vigiar, mantendo a mente limpa e cuidando do que pensamos e dizemos), para não sermos envolvidos pelos Espíritos zombeteiros e não corrermos o risco da subjugação.

Aliás, quando ouvimos a expressão “ele está possuído”, como se o indivíduo estivesse ‘tomado’ por um Espírito obtuso, devemos observar a lição do professor Herculano Pires, tradutor das obras de Kardec, que explica: “possessão” corresponderia à subjugação. Mas é bom ter em mente que, embora o Espírito obsessor possa influenciar o encarnado (cada um de nós), ele não se introduz no corpo daquele nem substitui seu Espírito; entretanto, é o encarnado, por ter os mesmos defeitos do Espírito que dele se acerca, que permite sua ação. “Veste suas roupas e age como se fosse ou estivesse possuído (subjugado)”.

A médium Suely Caldas (obra citada, 5ª edição, 1985, p.42) aponta “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, no seu item 252, para mostrar que “as imperfeições morais dão azo à ação dos Espíritos obsessores”. Assim, não há dominação do Espírito obsessor, se não houver a participação do encarnado. Ou seja, só seremos alcançados por Espíritos negativos, se nos afinarmos com eles.

Esclarece Kardec (p.219 do livro citado) que “a obsessão é um dos maiores escolhos da mediunidade e um dos mais frequentes… A obsessão, em qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, e não podendo jamais esse constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança”. (grifos nossos).

Formas e características da obsessão

Como todos nós – encarnados e desencarnados – somos Espíritos, possuindo maior ou menor desenvolvimento na caminhada evolutiva terrena, ensinam os doutrinadores do Espiritismo que a obsessão pode se apresentar sob várias formas:

  1. de encarnado para encarnado(de pessoa física para pessoa física);
  2. de desencarnado para desencarnado (de Espírito para Espírito);
  3. de encarnado para desencarnado (de pessoa física para Espírito);
  4. de desencarnado para encarnado (de Espírito para pessoa física);
  5. de ‘perseguição recíproca’ (de encarnados ou desencarnados, ao mesmo tempo, que vibram um contra o outro ou se vampirizam mutuamente);
  6. de auto-obsessão (em que a pessoa reiteradamente se culpa ou é fantasma de si mesma).

No item 243 de “O Livro dos Médiuns”, em resumo, Kardec diz que se reconhece “a obsessão pela seguintes características:

  1. insistência de um Espírito em comunicar-se, queira ou não o médium, pela escrita, pela audição, pela tiptologia (batidas, pancadas) etc;
  2. ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de conhecer a falsidade;
  3. crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam , sob nomes respeitáveis e veneráveis, dizendo falsidades e absurdos;
  4. aceitação pelo médium dos elogios que lhe fazem os Espíritos comunicantes;
  5. disposição para afastar pessoas que possam esclarecê-lo;
  6. levar a mal a crítica das comunicações que recebe;
  7. tem necessidade incessante e inoportuna de escrever;
  8. qualquer forma de constrangimento físico, forçando-lhe a agir e falar sem querer;
  9. ruídos e transtorno ao redor do médium, causados por ele ou tendo-o como alvo”. 
Sintomas iniciais da obsessão

Quantos aos sintomas do estado inicial da obsessão, há cerca de 40 anos, descobrimo-los nos seguintes casos, apontados em um livro que folheamos, na velha “Casa Fretin”, na Rua São Bento, no centro de São Paulo, quando ainda não conhecíamos o Espiritismo Cristão:

 1 – tendência para dar risadas sem motivo ou a pretexto de coisas fúteis; 2 – manifestações de cacoetes; 3 – vontade de chorar, sem razão plausível; 4 – comer exageradamente, ou não querer comer a ponto de cair doente (anorexia); 5 – estar sempre com sono; 6 – sentir prazer na ociosidade; 7 – exteriorizar manias; 8 – repetir idéias fixas; 9 – fazer gracinhas tolas; 10 – amofinar, persistentemente, o próximo; 11 – repetir, mecanicamente, o mesmo dito; 12 – deixar-se dominar por paixões; 13 – ter prevenções descabidas; 14 – demonstrar casmurrices; 15 – ter práticas viciosas; 16 – demonstrar atos de ostentação; 17 – ter explosões temperamentais; 18 – ser dado a mistificação; 19 – dizer mentiras; 20 –expressar-se licenciosamente; 21 – revelar covardia; 22 – usar palavrões; 23 – demonstrar fanatismo; 24 – gesticular e falar sozinho; 25 – ser sistematicamente importuno; 26 – ouvir e ver coisas fantásticas; 27 – gastar acima do que deve e pode; 28 – ter manias de doenças; 29 – descuidar-se das obrigações no lar e no trabalho; 30 –abandonar os deveres caseiros, ausentando-se do seio da família; 31 – viver num mundo distante, sonhadoramente; e 32 – provocar e alimentar discussões. (QUALQUER DESTAS ATITUDES, AINDA MESMO QUANDO NÃO CONSTITUA UM ESTADO DE ANORMALIDADE MENTAL ADIANTADA, PREDISPÕE À OBSESSÃO)”. 

Remédios para afugentar sintomas obsessivos

Sabedores de que somos o que pensamos, e de que somente corremos o risco de sermos alcançados pela obsessão, quando nos esquecemos de que estamos sempre rodeados de Espíritos – esclarecidos ou atrasados, bons ou maus -, dependendo apenas do nosso comportamento, vejamos, resumidamente, quais os remédios para afugentar os sintomas obsessivos.

Repitamos o que disse Chico Xavier: “A mente é o meu lar; o coração é meu templo; a verdade é meu culto; o amor é minha lei.”

Roguemos sempre a proteção divina e sigamos as lições do Cristo. Peçamos ajuda aos Espíritos de Luz para que sejamos justos. Coloquemo-nos como instrumentos úteis a serviço do bem.  Evitemos a maledicência, aprendamos a perdoar e jamais nos esqueçamos do exercício de caridade moral e da caridade material para com os nossos semelhantes. Tratemos as ofensas sofridas como se elas não existissem, porém jamais olvidemos os elogios recebidos.

E acompanhemos o que ensina o Espírito Emmanuel, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, no final do texto “Em Casa”, do livro “Luz no Lar”: “À frente de toda dificuldade, e de toda prova, abençoa sempre e faze o melhor que possas. Ajuda aos que te partilham a experiência, ora pelos que te perseguem, sorri para os que te ferem e desculpa todos aqueles que te injuriam… A humildade é a chave da nossa libertação. E, sejam quais sejam os teus obstáculos na família, é preciso reconhecer que toda construção moral no Reino de Deus, perante o mundo, começa nos alicerces invisíveis da luta em casa”.

Por fim, estejamos sempre alerta: NÃO HÁ OBSESSORES PARA QUEM NÃO SE DEIXA OBSIDIAR. A PRECE SINCERA E O AMOR AO PRÓXIMO SÃO OS REMÉDIOS INFALÍVEIS PARA O PROGRESSO CONSTANTE DE CADA SER HUMANO E PARA A ELEVAÇÃO MORAL DO SEU ESPÍRITO ETERNO.

 

Foto ilustrativa: unprofound.com

Deixe seu comentário: