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Amor Líquido

Enviado em 12 de janeiro de 2017 | No programa: Ação Planeta | Escrito por Ana Cláudia Faccin | Publicado por Rádio Boa Nova

Dois mil e dezessete tratou de arrastar logo de cara Zygmunt Bauman. Ele já não era tão novo, eu sabia que uma hora ou outra ele partiria. Às vezes eu pensava: que orgulho ter uma pessoa desta ainda encarnada. Sempre que alguém que é muito referência vai embora é como se todo seu legado tivesse virado uma lenda. Sendo assim eu fiquei triste porque uma cabeça que pensa bem deveria viver pra sempre na Terra.

Lembro o motivo de como eu descobri a existência de Bauman, enquanto eu procurava na internet alguma coisa sobre os relacionamentos modernos; Amor Líquido era o nome do livro que então chamou tanto a minha atenção. Daí eu comecei a ler seu texto tão gostoso, fácil e verdadeiro que nem parecia que um senhorzinho sociólogo estava escrevendo e filosofando sobre a liquidez dos nossos dias, nossa forma de viver, de se relacionar, de jogar fora e substituir. Apaixonei! Por ele e pelas coisas que escrevia, pois ora, vivo esta geração.

O acesso às pessoas está ficando cada vez mais fácil e o “desacesso” também está. Sabe porquê? Porque a gente acessa outra  pessoa na sequência ou acessamos várias ao mesmo tempo, sendo que não vai ter problema se perdermos contato com uma delas. A pessoa que você curte na internet, ( no sentido de apertar o botão curtir mesmo), te curte também. Daí, (olha a paranoia), dá uma vontade louca de curtir a curtida da pessoa, obviamente se existisse esta opção.

Facebook, Facetime, whatsapp, vídeos, fotos, tudo facilitando os relacionamentos speeds. É tão fácil chegar até alguém, mesmo sem nunca ter olhado nos olhos. As pessoas se interessam umas pelas outras pela foto de perfil; analisam seus conteúdos pelas curtidas que dão, por onde navegam, quem são seus amigos nas redes sociais e as frases de efeito que postam. E não tem nada real, na verdade. E nem tem nada de errado, na verdade. Tem apenas pontos de vistas e satisfações pessoais.

MANDA NUDES

Então um cara conheceu uma moça legal nas redes sociais, ou no Tinder, ou nestes aplicativos de relacionamentos. Começam a conversar, trocam whatsapp, face, snapchat, sei lá o que. Conversam tanto que se tornam íntimos sem mesmo terem sequer trocado um olhar pessoalmente. A conversa começa a esquentar, um dá um sinal que está interessado e o outro é recíproco no interesse. De repente, a sensação de intimidade é tamanha que um dos dois propõe uma coisa bacana: “Sinto atração por você. Manda uma foto de qualquer coisa sua que possa matar a minha curiosidade”.

Quando vê, estão trocando nudes, trocando vídeos ou se masturbando ao mesmo tempo. Mas ainda não se conhecem pessoalmente e talvez nem cheguem a se conhecer, porque existe uma boa possibilidade do “relacionamento” dar errado ainda na forma digital. Será que estamos carentes demais? Solitários demais em meio tantos likes, amigos que sequer conhecemos?

É isso e ponto. Está acontecendo. Estamos digitalizando o sexo, o sagrado, o prazer da entrega e a entrega do prazer. Acaba rápido, passa, escorre pelo ralo. Que coisa estranha. Talvez minha avó adoraria ter esta possibilidade, mas tenho certeza que ela foi muito mais feliz e centrada tendo como único amor o meu avô.

Resumindo:

Vamos supor que há quatro décadas os novos casais começavam a se formar a partir de uma apresentação de algum conhecido o qual conhecia-se a referência. Os dois ficavam se flertando um bocado de tempo, tipo semanas ou meses apenas para rolar o convite pra sair. E ainda demorava uns dias pra rolar o primeiro beijo, amassos. Demorava para descobrir os gostos, sonhos e estilo. E depois de muito tempo, talvez anos, rolava o sexo.

Os novos casais de internet já conhecem as respectivas partes íntimas e algo mais um do outro, antes mesmo de se olharem nos olhos, de terem o prazer de sentir o cheiro um do outro, de encostar pele na pele etc.  Não há reprovação nisso que é escrito em suas obras, apenas constatação. A avaliação fica a critério de quem vivencia a Modernidade Líquida.

Se é bom ou ruim, cada um é que vai dizer e escolher o que deseja para si.

É mais ou menos isso.

Obrigada, Zygmunt Bauman, por ter nos deixado obras tão sólidas em um mundo de liquidez.

Conheça: Modernidade Líquida, Amor Líquido e Tempos Líquidos.

 

 

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