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Aprendendo com as Emoções

Enviado em 2 de abril de 2017 | No programa: Rádio Revista André Luiz | Escrito por Maria Izilda Netto | Publicado por Juliana Chagas

Muitas vezes nos deparamos com dificuldades intransponíveis que nos levam em busca de auxílio para nos equilibrarmos. Muitaschorar são as formas existentes e ensinadas para nos reequilibrarmos. Cabe a cada um de nós, dar o primeiro passo. Uma dessas terapias alternativas tem sido a frequência aos centros espíritas.

Geralmente chegamos ao Centro Espírita com altas expectativas de melhora, depositando na casa ou em um de seus dirigentes toda a responsabilidade de cura e reequilíbrio.

Passadas algumas semanas ou meses, nos deparamos com a distância imensa entre o que esperávamos conseguir e o que realmente atingimos e, algumas vezes, saímos por ai criticando e adjetivando este e/ou outros Centros Espíritas de “fracos”.

Essa postura crítica decorre do imediatismo natural dos ocidentais e do total desconhecimento a respeito de nós mesmos. Infelizmente, não nos conhecemos profundamente.

Segundo Allan Kardec, somos um complexo humano formado de corpo físico, corpo espiritual ou períspirito e espírito propriamente dito. Portanto, para nos conhecermos integralmente é preciso conquistarmos conhecimento destes diversos aspectos de nós mesmos.

No livro “A Gênese”, Allan Kardec nos explica que somos espíritos imortais que vimos evoluindo milênio a milênio, vagarosamente, realizando estágios na matéria de diversas formas: mineral, vegetal, animal e recentemente conquistamos a individualidade humana e, com certeza, nessa forma iremos estagiar por muitos e muitos milênios mais.

Nesse processo evolutivo vamos desenvolvendo nossos instintos, que são valiosos para nossa condição humana, mas que não podem nos dominar a ponto de atrapalhar nossa evolução. Com a experiência reencarnatória estamos aprendendo a transformá-los em emoções e, seguidamente, em sentimentos, tudo com o desenvolvimento da razão e do amor. Assim somos nós, Espíritos imortais evoluindo desde o instinto até o amor, por nosso próprio esforço.

Temos ajuda? Claro, constantemente obtemos ajuda, mas a maioria das vezes não temos consciência desse auxílio, que muitas vezes vem “na forma” de pessoas e circunstâncias que nos impelem para frente, evitando estacionarmos na ignorância, por medo (o grande vilão), por preguiça mental e física, por orgulho, falta de perdão, mágoas, etc.

Humberto Pazian falando sobre o autoconhecimento na Revista Cristã de Espiritismo, afirma que todos os dias se depara com pessoas insatisfeitas. Seja no consultório, nos cursos, nas orientações ou fora de um ambiente terapêutico, como na rua, no trânsito, nas reuniões sociais e por aí adiante.

Por essa pequena amostragem e para elucidar melhor o pensamento desse artigo, resolveu classificá-las em três tipos:

  • Insatisfeitos crônicos: são aqueles que já se acostumaram a não sentir satisfação nos pequenos prazeres da vida. Arrastam-se entre um compromisso e outro, entre uma obrigação e outra e passam pela vida perdendo grandes momentos de felicidade e satisfação, mas acham isso normal e não tentam e nem esperam realizar mudanças nesse panorama, ridicularizando toda informação, conselho e teoria a respeito.

 

  • Insatisfeitos periódicos: Aprendemos que as causas que iniciam os processos que nos causam insatisfação são as mais variadas e de diferentes intensidades. Podemos classifica-las como dificuldades financeiras, atritos nos relacionamentos familiares, profissionais e sociais, perdas materiais ou emocionais, baixa autoestima, sentimento de culpa pelos mais variados motivos, mágoas, rancores e uma lista infindável de motivos.

Todos nós, de uma forma ou de outra, nos deparamos, em nossa existência, com os tópicos citados e passamos por momentos que podemos chamar de insatisfação periódica. Esse é um fato comum e perfeitamente normal, desde que não conservemos ou carreguemos esse período pelos nossos dias, semanas e, em muitos casos, por toda a vida, tornando-nos, então, insatisfeitos crônicos.

 

  • Satisfeitos ou os de bem com a vida: o número de pessoas que se enquadra nesta categoria não me parece muito expressivo, mas são pessoas que, sem dúvida, encontraram uma maneira bem especial de viver; elas vivem satisfeitas, aceitando numa boa o que a vida lhes oferece, o que é possível por meio de um processo individual (autoajuda) ou com o auxílio de profissionais, mas, sem dúvida alguma, mudanças estruturais precisam ser feitas em busca da nossa felicidade.

Admitido em qual desses grupos estamos, interessante que aprendamos a administrar, autogerenciar nossas emoções, até porque muitos sintomas como dores musculares, dores de cabeça, dores nas articulações, insônia, depressão e diversos outros distúrbios originam-se de situações conflitantes que, embora ocultas, permanecem no nosso inconsciente destilando seu veneno, dia após dia, de forma lenta e constante.

Autogerenciar nossas emoções é a chave para um bom desempenho em todos os aspectos de nossa vida, inclusive para a harmonia e o progresso espiritual.

Uma pessoa desequilibrada e dominada por emoções fortes e avassaladoras dificilmente conseguirá captar mensagens edificantes e proveitosas para sua vida ao, por exemplo, assistir a uma palestra  em uma casa espírita; e mais… a captação de fluidos benéficos no momento do passe será muito reduzida por estes desequilíbrios emocionais ou por falta de crença.

Muitas são as formas existentes e ensinadas para nos reequilibrarmos. Uma delas, que pode ser realizada de uma forma bem simples, é a de realizarmos, no final do dia, uma autoanálise, feita com sinceridade e constância, verificando quais foram as situações que nos trouxeram desequilíbrios e conflitos e termos a determinação de refletirmos para encontrarmos solucionarmos para essas questões.

Podemos, também, participar de grupos de estudo e apoio ao desenvolvimento do ser, buscar terapias alternativas que visem detectar as causas e equilibrar o organismo humano, efetuar tratamentos espirituais com suas respectivas orientações e, ainda, diversas outras opções.

As formas de tratamento são diversas, mas em todas elas necessita-se que o indivíduo aceite as sugestões propostas, após refletir sobre elas e tenha determinação na busca de seu objetivo de viver em harmonia e paz. Nem sempre podemos controlar situações ou controlar outras pessoas, mas podemos controlar nossa maneira de reagir a elas

A nossa maior conquista é escolher o nosso estado interno e mantê-lo estável constantemente com um mínimo de esforço possível para controlarmos o estresse. Um estado de desequilíbrio emocional poderá nos trazer consequências negativas, prejudicando não apenas a nós mesmos como nossos entes queridos.

Para aprendermos a gerenciar nossas emoções (e não eliminá-las), é preciso conhecer nossas tendências e, o maior inimigo para esse aprendizado é a presunção de perfeição. Fazer uma falsa imagem de si mesmo é o grande empecilho para a evolução pessoal. Ser realista com nossas próprias tendências, aceita-las e não nos subestimarmos é o primeiro passo para o domínio dessas forças interiores.

Quando abordamos a necessidade do autoconhecimento e da cultura geral para melhorarmos nosso processo evolutivo, nos referimos ao conhecimento de diversos aspectos da natureza que influenciam na exteriorização de nossas emoções, inclusive o aspecto fisiológico.

O conhecimento básico de nosso desempenho corporal é de suma importância para distinguirmos o porquê de um desequilíbrio momentâneo, já que forças atuantes no corpo influenciam nossas emoções. A mulher, por exemplo, é regulada por hormônios que interferem intensamente em suas emoções. Quantas famílias não teriam sido poupadas da desunião, se os homens e até as próprias mulheres possuíssem conhecimento dos seus ritmos biológicos? Esse conhecimento traz a compreensão e a ajuda desses momentos difíceis.

Outras forças exteriores também interferem em nosso comportamento de maneira contundente, como, por exemplo, as forças da natureza, a alta pressão do ar, variações bruscas de temperatura, poluição, o horário de verão, etc..

Quantas vezes nos demoramos a nos dar conta de que um ambiente de trabalho está envolto por um desânimo geral, influenciando no desempenho dos profissionais, devido a uma inversão térmica?  Quando o corpo é atingido por esses fatores exógenos, é possível que isso influencie nossas emoções, podendo desequilibrar e afetar nosso estado geral de harmonia.

O aprendizado a respeito desses mecanismos nos auxilia na conquista do autoconhecimento e no consequente domínio de nossas tendências desequilibrantes. Podemos detectar com absoluta certeza o estado emocional de uma pessoa que se apresenta cabisbaixa, com a fronte enrugada e ombros caídos e semblante sombrio, por exemplo. Ao tomarmos consciência dessa postura negativa e nos corrigirmos, inevitavelmente nossa mente readquirirá atenção e pensamentos mais claros e otimistas nos invadirão.

Por isso, nos centros espíritas é comum o chamamento a respeito da postura no momento do passe, mais como um sinal de alerta para estarmos mentalmente receptivos. As orientações sobre a postura se baseiam no princípio de que, induzindo o atendido a adquirir uma postura receptiva, sua mente também se tornará mais acessível para o recebimento dos benefícios da transfusão fluídica.

O Centro Espírita e as diversas doutrinas espiritualistas ensinam e propiciam condições de entendimento para nossa melhoria e equilíbrio, porém somos nós os responsáveis por essa conquista. Está em nossas mãos o êxito da nossa evolução.
Por isso muitas pessoas frequentam centros espíritas anos seguidos e concluem que continuam com as mesmas dificuldades, pois aguardam a solução de seus problemas pela doutrina espírita, pelo centro que frequentavam ou pelo médium que consultavam e não por si próprias, através de seu esforço pessoal.

O aprimoramento espiritual está atrelado a todos os demais aspectos de nossa vida. Não adianta frequentar a casa espírita todos os dias da semana, por anos a fio, se dizer dirigente de centros importantes, se não dermos a devida importância para o aprimoramento pessoal e não vivenciarmos esse aprendizado

Enfim, por mais que se fale, por mais que se escreva a respeito ou por mais que se tente interferir, saiba que é você mesmo quem decide se deve ou não ser feliz. Pense nisso e mãos à obra!

Referências:

– Revista Caminho Espiritual Edição 41 “Aprendendo com as emoções”.
– Revista Cristã de Espiritismo no. 150 que diz “Aprendendo a ser feliz”.

 

Foto ilustrativa: freeimages.com

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