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Cuidado com o que você pensa

Enviado em 17 de novembro de 2016 | No programa: Os Mensageiros no Ar | Escrito por Luis Armando | Publicado por Vanessa Cavalcanti

Garota pensando

Sobrevivente em relação ao grande número de autores e obras publicadas no Brasil no meio espírita graças à qualidade das pesquisas que realizou no campo das manifestações psíquicas, o italiano Ernesto Bozzano construiu livros de conteúdo impressionante.

Um deles “Pensamento e Vontade” (Feb). Dele uma amostra para sua análise: -“Já os magnetizadores da primeira metade do século 19 haviam notado que os sonâmbulos não só percebiam o pensamento das pessoas com quem se punham em relação, sob a forma de imagens geralmente localizadas no cérebro, com também, eventualmente, fora dele, e mais ou menos imersos na aura da pessoa que, na ocasião, tinha na mente o pensamento correspondente à imagem. (…)

A este respeito, importa acentuar que as descrições teosóficas desse simbolismo do pensamento estão em surpreendente concordância com as dos clarividentes sensitivos. Vamos aqui resumir o trecho de um livro (Formas Pensamento) de Annie Besant e Leadbeater, para compará-lo depois a uma outra passagem tomada às declarações de um sensitivo clarividente. Eis o que a respeito dizem esses autores:

Todo pensamento cria uma série de vibrações na substância do corpo mental, correspondentes à natureza do mesmo pensamento, e que ai combinam em maravilhoso jogo de cores, tal como se dá com as gotículas de água desprendidas de uma cascata, quando atravessadas pelo raio solar, apenas com a diferença de maior vivacidade e delicadeza de tona. O corpo mental, graças ao impulso do pensamento, exterioriza uma fração de si mesmo, que toma forma correspondente à intensidade vibratória, tal como o pó de licopódio que, colocado sobre um disco sonante, dispõe-se em figuras geométricas, sempre uniformes em relação com as notas musicais emitidas.

Ora, este estado vibratório da fração exteriorizada do corpo mental, tem a propriedade de atrair ai, no meio etéreo, substância sublimada análoga à sua. Assim é que se produz uma forma pensamento, que é, de certo modo, uma entidade animada de intensa atividade, a gravitar em torno do pensamento gerador…

Se este pensamento implica uma aspiração pessoal de quem o formulou – tal como se dá com a maioria dos pensamentos – volteia, então, ao derredor do seu criador, pronto sempre a reagir benéfica ou maleficamente, cada vez que o sinta em condições passivas. Estranhamente simbólicas as formas do pensamento, algumas delas representam graficamente os sentimentos que as originaram.

A usura, a ambição, a avidez, produzem formas retorcidas, como que dispostas a apreender o cobiçado objeto. O pensamento, preocupado com a resolução de um problema, produz filamentos espirais. Os sentimentos endereçados a outrem, sejam de ódio ou de afeição, originam formas-pensamentos semelhantes aos projeteis.

A cólera, por exemplo, assemelha-se ao ziguezague do raio, o medo provoca jactos de substância pardacenta, quais salpicos de lama. Outro sensitivo clarividente, Sr. .E.A. Quinton, também nota, a propósito das suas visualizações de pensamentos alheios, o seguinte: Em três grupos podem ser subdivididas as formas pensamentos por mim percebidas: – as que revestem o aspecto de uma personalidade, as que representam qualquer objeto e as que engendram formas especiais…

As inerentes aos dois primeiros grupos explicam-se por si mesmas; as do terceiro, porem, requerem esclarecimento. Um pensamento de paz, quando emitido por alguém profundamente compenetrado desse sentimento, torna-se extremamente belo e expressivo. Um pensamento colérico, ao contrário, torna-se tão repugnante, quanto horrível. A avidez e análogas emoções, por sua parte, originam formas retorcidas, curvas, semelhantes às garras do falcão, como se as pessoas que as emitem desejassem algo empalmar em benefício próprio. (Ligth, 1911, pág. 401).

Pelo visto, destas declarações ressalta a concordância de clarividentes e teósofos,  afirmarem que os impulsos pessoais da ganância e análogos desejos originam formas tortuosas do pensamento. E uma circunstância notável, essa. Naturalmente, no que diz com a realidade das formas abstratas do pensamento, não possuímos, até agora, outra prova além da resultante da uniformidade dos testemunhos de diversos clarividentes.

Todavia, apresso-me a declarar que, para as afirmações dos sensitivos, relativamente às formas concretas do pensamento -, isto é, pensamento-forma representando pessoas ou coisas – tem na fotografia uma prova absoluta, de vez que a chapa as registra. Somos, destarte, levados a conceituar logicamente a declaração dos videntes, no que concerne às formas do pensamento abstrato.

E de fato já se tem demonstrado que, quando sonhamos com qualquer pessoa ou coisa, estas se concretizam em imagem correspondente. Assim, tudo contribui para a suposição de que as ideias abstratas também devem concretizar-se em alguma coisa que lhes corresponda. Resta ainda falar de um traço característico, ou faculdade que as formas do pensamento podem apresentar qual a de, em circunstâncias especiais, subsistirem por mais ou menos tempo no ambiente, ainda que deste se tenha afastado, ou mesmo falecido, a pessoa que os engendrou.

 

Foto ilustrativa: freeimages.com

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