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Culpa

Enviado em 16 de janeiro de 2016 | No programa: Perante a Eternidade | Escrito por Jairo Avellar | Publicado por Juliana Chagas

O sentimento de culpa anda sempre sorrateiro a nos espreitar, provocando sensações variadas e  modificando-nos o tônus Pessoa de costas sentada com mar ao fundo em preto e brancovibratório, quando e onde quer que se instale, manifestando-se em forma de conflitos interiores a relação vivida entre a culpa e a consciência culpada.

O culpado, onde quer que se encontre, é sempre refém da culpa que carrega consigo e, por mais que se esforce em dissimular ou em esconder os fatos construtores da culpa, ninguém, por mais hábil que seja, conseguirá esconder os processos causais, já que eles estarão sempre inseridos nos efeitos.

Assim, muitos de nós, viajores do tempo, arrastamos pelos milênios que discorrem nos fios sutilíssimos dos séculos os gravames perpetrados no ontem, em forma de ultrajes causados dentro dos intricados processos da vida e acreditamos ilesos, despojados de qualquer necessidade de reparação.

Assim, os campos psíquicos estão povoados de sangrentas batalhas, onde os cadáveres pululam por toda a parte e as atrocidades campeiam de forma desenfreada, trazendo-nos a estranha sensação de medo ou de fuga como se quiséssemos fugir do ambiente já vivido.

Renovando Vidas

Os formidáveis assaltos criminosos e a repetição sistemática das falcatruas, lesando indiscriminadamente a muitos, ganharam sempre proporções assustadoras, sem contar com o sem-fim das emboscadas realizadas, ceifando desapiedadamente uma infinidade de vidas.

Sem falar nos assassinatos por encomenda, nas ciladas macabras tramadas sob o manto trevoso da noite, destruindo indiscriminadamente vidas inocentes, somente atendendo aos interesses escusos dos mais variados matizes.

Há um sem-número de atos nefastos, desde os dolorosos atentados ao pudor, o desrespeito insidioso à moral humana, levados a efeito pelos trapaceiros dos bons costumes, ultrajando a emocionalidade de muitas companheiras, fazendo com que suicídios e abortos sejam levados a efeito, lesando seriamente as consciências invigilantes.

Não bastasse, há por aí os grandes guerreiros que, em nome das contendas fratricidas, aproveitaram-se das situações criadas para que pudessem destilar o instinto sanguinário,  levando aos extremos a barbárie pessoal, saqueando nobres civilizações, utilizando-se da rapinagem impiedosa, aprisionando mulheres e crianças, supliciando os vencidos em lamentáveis espetáculos de sadismo.

Os minutos transcorreram formando assim as horas que se multiplicaram, formando os dias que passaram a se sucederam avidamente, formando assim os meses, estes avançaram céleres em direção ao futuro, dando gênese aos anos, que se foram amontoando, formatando os séculos que se passaram quais viajores alados do tempo, constituindo os milênios.

Na realidade, o tempo passa sempre se renovando a cada instante e trazendo consigo novas oportunidades, entretanto o plantio criminoso efetivado ontem se mantém como vinco permanente em nossas consciências, determinando os largos processos de culpa a supliciar as consciências nos braseiros vivos do arrependimento.

Ninguém passa ileso às transgressões perpetradas no grande ontem e que se mantêm vivas a nos exigirem a reparação plena. A mente lesada estabelece, através dos meandros da sintonia fina, uma conexão com o fato lesivo, recriando a cena primária que passa a funcionar como um pelourinho pessoal.

Esquecimento é uma palavra abstrata. Nada passa à margem  dos processos conscientes mesmo que, através dos intricados circuitos da fuga, mantenham-se os atos lesivos, recalcados por uma infinidade de tempo  nas áreas mais profundas do inconsciente. Certamente, mais dia, menos dia, exigirá de nós a devida reparação.

Assim, as consciências culpadas pululam nos dias de hoje, reciclando experiências e sendo constantemente convidadas a efetivarem a devida quitação. Ninguém há que passe ileso, driblando indefinidamente os Códigos da Lei de Justiça, sendo alcançados, cedo ou tarde para reparação que não se faz esperar.

Os hospitais estão repletos de experiências, dolorosas reparações. A clínica psiquiátrica vive às voltas com os intricados processos a manifestarem patologias renitentes e de largo curso. Os depressivos e os panicosos superlotam os sanatórios, revelando os tormentos cometidos no ontem.

A penúria financeira se expande em largas proporções, as balas perdidas cortam os céus, a criminalidade e o terrorismo campeiam, colocando o homem atual como refém de si mesmo, os desastres sofridos, os tornados, os terremotos e as tempestades completam a plenitude da orquestra expiatória.

Quando te vires diante dos açoites da vida, sendo descarnado pelo azorrague impiedoso das dores, lembra-te de que são os processos culposos de ontem a desabarem sobre a tua vida, cobrando-te a devida reparação. Aproveita esses momentos para que possas dar quitação plena às cobranças que te são apresentadas nestes momentos.

Portanto, nunca te esqueças de que não há injustiça nas Leis de Deus e, por mais que o sofrimento abata sobre tua vida, ora e agradece, entendendo que a misericórdia é o mecanismo de todas as horas, amparando-te a marcha e velando incessantemente por ti.

Por isso, para evitar os contratempos e os sofrimentos no amanhã, antes que a culpa se abata sobre ti, respeita profundamente o teu próximo e, se alguma coisa menos digna já escapou de teus atos, procura urgentemente “reconciliar-te com os teus adversários enquanto te encontras a caminho com eles” Trecho do livro “Tuas Preces”.

 

Foto ilustrativa: curitibapsicologa.files.wordpress.com

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