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Da Nau dos Loucos à Clorpromazina

Enviado em 14 de abril de 2015 | No programa: Nova Mente | Escrito por João Lourenço Navajas | Publicado por Rádio Boa Nova

  • Primeiro momento – quando o homem se deparou pela primeira vez com a loucura, chamou-a de possessão demoníaca. Não tinha outra possibilidade. Que dizer diante de algo tão estranho?
Philippe Pinel

Philippe Pinel

Aqueles que sofriam eram logo notados e rejeitados. Ninguém queria o energúmeno (energúmenos, grego, possuído pelo demônio) por perto. Assim, nos recuados tempos, os loucos eram escorraçados para fora dos muros das cidades ou embarcados em lúgubres navios, Naus dos Loucos, e despejados em longínquas terras nas quais ficavam à mercê de si mesmos. Essas naus singraram mares até o século 16.

  • Segundo momento – quem pôs fim à ideia de que a loucura era possessão demoníaca foi Johann Weyer, autor do livro Da ilusão dos demônios (De praestigiis daemonum), em 1563, dizendo que a loucura não era feitiçaria, mas consequência de coisas naturais. Claro que esse é um marco apenas, pois as novas concepções são implantadas aos poucos. Nesse período da história, se o louco não é endemoninhado, que é então? Antes de responder, é preciso lembrar que estamos em plena Renascença, com Copérnico (1473-1543), Kleper (1571-1630) e Galileu (1564-1642) a revolucionar a concepção do mundo natural, encarando, com a intuição heliocêntrica, de modo inteiramente novo, as relações do universo com o homem, o qual perde a sua posição majestática central, para ser mero grão de pó na máquina cósmica infinita.

A loucura se tornou o não ser da razão. Ou seja: uma exclui a outra, se identificam e se isolam. Como resultado prático, somente há a loucura porque existe a razão, e quem não a possui, o louco, precisa ser separado dos normais.

Alguns eram tidos como insubordinados ao trabalho e perturbadores da ordem pública. Por isso, muitos acabaram trancafiados em casas de internamento, juntamente com prostitutas, doentes venéreos e criminosos de todo o gênero.

  • Terceiro momento – os doentes mentais somente seriam separados das outras figuras da miséria depois de mais de dois séculos, por Philippe Pinel, ao introduzir, a partir de 1793, a função médica no Hospício de Bicêtre, em Paris, culminando com a liberação de 80 alienados mentais que lá se encontravam acorrentados, há muitos anos. E, assim, as antigas casas de internamento deram lugar aos hospícios, hospitium, hospitalidade, amparo.

Quanto aos tratamentos, tentava-se curar o alienado mental de várias maneiras, porém, todas bizarras. No início do século 19, propunha-se aplicar aos insanos choques sensoriais.

 

Fonte: Revista “Ser Médico”

Foto ilustrativa: upload.wikimedia.org

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