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É pelo fruto que se conhece a àrvore

Enviado em 27 de março de 2017 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Rádio Boa Nova

E, respondendo, Jesus lhes disse: Não vos enganeis alguém, porque muitos virão e, em meu nome, enganarão muitos. (Mateus, VII, 15/20)

Essas palavras, ditas pelo Mestre Jesus, mesmo em época tão remota, já serviam como alerta para que os homens se prevenissem contra os assédios daqueles que tentariam desvia-los do caminho do bem por meio de falsas promessas e de ensinamentos distorcidos, usando para isso o seu nome, ou até mesmo dizendo-se enviados de Deus. Sendo assim, conclui-se que esse tipo de assédio não é coisa recente pois existe desde os tempos mais antigos e em todas as partes do mundo.

Alguns anos atrás, na cidade de Montana, por exemplo, uma mulher, dizendo-se orientada por Jesus, havia anunciado que o mundo se acabaria no dia 15 de março de 1990, cuja notícia deixou a população em polvorosa. Uma igreja foi erguida em um antigo armazém e protegida por uma porta de 6 toneladas de aço e concreto. Dentre os seus 3.000 seguidores, cada um pagou 5.000 dólares para se abrigar no prédio. No dia seguinte ao que estava previsto para o fim do mundo todos saíram do templo e constataram que tudo estava normal e nada havia acontecido. Não se teve mais notícia daquela falsa missionária, pois desapareceu e nunca mais foi vista.

Também na Guiana, em 1978, um pastor americano, utilizando todo o seu poder de persuasão, induziu 913 pessoas, seguidoras de sua seita, a tomarem um suco envenenado, alegando que aquela era a maneira de irem mais depressa para o céu. Houve um suicídio coletivo entre homens, mulheres e até crianças.

São, portanto, pessoas que, como tantas outras, vieram com o propósito de iludir as demais com falsas promessas, persuadindo-as a fazer aquilo que usando o bom senso jamais fariam, pois, se refletissem e compreendessem que agindo daquela forma estariam desrespeitando as Leis Divinas, procurariam proceder de outra forma.

Foi prevendo isso que Jesus, em uma de suas pregações fez a seguinte advertência: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas. Pois que percorreis mar e terra para fazer um prosélito e depois que o conseguis, o tornais digno do inferno”. (Mateus, 23, 15).

Mais recentemente, em San Diego, um engenheiro, alegando haver recebido, orientações de uma entidade chamada Kryon, a qual se apresentou como sendo o espírito mais evoluído que a humanidade já conheceu, fundou uma seita onde afirmava, e continuou insistindo categoricamente, que Deus não existe e que o Universo foi criado por um grupo de anjos que o governa e administra. Dizia, ainda, que as crianças nascidas a partir de 1989, seriam anjos pertencentes a um plano mais evoluído que encarnaram na Terra para cumprirem um contrato assinado para participar de um experimento. Portanto, elas estariam aqui apenas de passagem, e por um curto espaço de tempo, já que foram destinadas a viverem em uma nova galáxia que aquela entidade lhes havia preparado.

Afirmava, também, que essas crianças tiveram os seus genes aperfeiçoados, razão pela qual são mais inteligentes do que as outras. Por serem espíritos muito mais adiantados apresentam um comportamento diferenciado das demais e, por esse motivo, não podem e nem devem ser contrariadas nem contestadas.

Declarou, por fim, que no dia 11-12-2012, exatamente às 11 horas e 11 minutos, aquelas crianças, em caravana, começariam a deixar a Terra. Aquelas que tivessem nascido antes de 1989, cuja família possuíssem condições financeiras e estivesse disposta a pagar, a seita ofereceria um tratamento magnético para alterar o DNA e elas poderiam seguir junto. Até hoje nada disso aconteceu.

Diante de pessoas tão persuasivas e com palavras deveras convincentes, como fazer para não ser enganado?

Em primeiro lugar é preciso analisar a idoneidade moral, intelectual e religiosa da pessoa que traz a mensagem, para verificar se aquilo que diz merece, ou não, credibilidade, pois não existe árvore ruim que dê bons frutos, nem se colhe maus frutos de árvore boa, conforme afirma o apóstolo Lucas “Toda árvore que produz maus frutos não é boa’. (Evangelho, VI, 43/45).

Isso significa que não se deve aceitar, de imediato, tudo que dizem como sendo expressão da verdade, e desconfiar sempre de comunicações com caráter estranho. Nesse caso, antes de concordar, primeiramente, deve-se analisar a personalidade do fundador da seita, que afirma ter sido o universo criado por um grupo de anjos, mas, esquecendo, ou não sabendo explicar de onde teriam surgido e quem os teria criado, já que nada surge por acaso. Além disso, ao desacreditar na existência de Deus, já dá uma incontestável demonstração de sua condição de ateu, portanto a árvore não parece boa.

É preciso, também, descobrir quem é essa entidade que disse chamar-se Kryon. Seria o Cristo, mas em outro idioma, já que em português é Jesus e Joshua em aramaico?

A resposta obviamente é não, e não poderia ser de outra forma, porquê o Jesus que verdadeiramente conhecemos, durante o tempo em que aqui esteve, deu a maior prova de sua humildade, quando, mesmo pertencendo à mais alta hierarquia celestial, nunca demonstrou orgulho nem jamais se enalteceu. Desse modo, se a intenção dessa entidade, que tudo leva a crer tratar-se de um espírito obsessor e ainda pouco evoluído, era se fazer passar pelo Mestre, ao demonstrar tamanha arrogância falhou por completo, pois sequer soube imita-lo, portanto, ela própria desmentiu aquilo que pretendia ser.

Em seguida, analisar se tudo aquilo que o pretenso profeta diz tem fundamento, submetendo o assunto ao crivo da lógica, da razão e do bom senso, para, depois, por meio do raciocínio verificar se é coerente. No que se refere às crianças por ele mencionadas, também conhecidas como “índigos”, em todas as épocas, em todos os lugares, em qualquer sala de aula, e até mesmo nas famílias, já se notava a presença de uma ou mais que se destacavam das outras, mas nem por isso deixaram de receber ensinamentos. O que retrata a evolução moral dos espíritos é a predominância do bem sobre o mal, desse modo, alguns podem até ser mais inteligentes que outros, mas isso não significa que sejam mais evoluídos espiritualmente, pois, sendo a inteligência um atributo da alma, que se revela por atos voluntários e premeditados, eles podem usar o seu intelecto para praticar a maldade. Sendo assim, o progresso apenas intelectual não é suficiente, nem o fato de ser mais inteligente é sinal de adiantamento, uma vez que pode resultar de recordações de ensinamentos recebidos em vidas passadas.

Quanto à afirmativa de que não podem e não devem ser contrariadas nem contestadas, trata-se de um verdadeiro absurdo, pois significa abandoná-las e deixar que decidam por si mesmas. As crianças, até os sete anos não tem consciência dos seus atos, mas são acessíveis aos conselhos daqueles que devem fazê-las progredir e reprimir as más tendências. É nessa etapa que elas começam a adquirir novos valores morais-éticos, ensejando, para isso, suporte psicológico para enfrentar as dificuldades futuras. É certo que elas devem ter o seu espaço e a sua liberdade, mas essa liberdade tem que ser com responsabilidade e é adquirida por meio de ensinamentos educativos recebidos dos pais, ou daqueles incumbidos dessa tarefa.

Portanto, os filhos dependem dos pais no processo de educação, e isso constitui um dever, uma tarefa, uma missão sagrada que Deus confiou aos tutores, pela qual mais cedo ou mais tarde terão que prestar contas. Serão perguntados sobre o que fizeram para aquele espírito confiado à sua guarda durante a sua jornada evolutiva.

No que se refere ao tratamento para modificar o DNA, de acordo com o princípio da soberana justiça, todos os espíritos, sem nenhuma exceção, têm o mesmo ponto de partida. São criados simples e ignorantes, mas com a mesma aptidão para progredir até atingir a escala de espíritos puros, porém, através de seus esforços pessoais, e não de alterações genéticas nem das riquezas que possuírem. Além disso, de acordo com a Lei Divina de Reencarnação, a finalidade da vinda dos espíritos é resgatar débitos assumidos em existências pretéritas, serem submetidos a provas, ou para cumprirem uma missão, mas não por força de supostos contratos previamente assinados.

Diante disso, a conclusão que se tem é que, crianças mais inteligentes que outras é um fato incontestável, elas existem realmente, mas não da maneira como foi colocada. Não foi a partir de 1989 que elas apareceram, nem receberam nenhum tipo de privilégio, e se umas encontram mais facilidade do que outras, em resolver questões que requer rapidez de raciocínio, obviamente é consequência de experiência já adquiridas em existências passadas. Sendo assim, levando-se em conta que os frutos não sendo bons, consequentemente, a árvore também não deve ser boa.

Isadino dos Santos

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