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Editorial

O médico dos pobres

Enviado em 29 de agosto de 2016 | Publicado por Juliana Chagas

bezerra de menezesAdolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831, na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará.

Dr. Bezerra foi mais que um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita… Em uma de suas inúmeras histórias de amor, o Médico dos Pobres, como é conhecido até hoje, deixou registrado no livro da vida, toda a sua dedicação e humildade.

“Numa casinha rústica de um dos bairros de Niterói, no de 1880, vivia uma viúva mãe de cinco filhos, cuja filha mais velha morrera na casa vizinha, acolhida que fora em extrema enfermidade física e moral por recusar-se a receber os cuidados maternos. Queixava-se da mãe, a quem culpava por suas dolorosas experiências, por isso falecera sem ter mais contato com a família. Não demorou, e a pobre viúva se vira obsediada pelo espírito da filha. Amigos e vizinhos tudo fizeram em vão na tentativa de aliviar a pressão desse espírito sobre a mãe. Foi então que algumas pessoas tomaram a iniciativa de procurar o Dr. Bezerra de Menezes, na esperança de que por sua bondade pudesse persuadir o espírito obsessor da necessidade do perdão, para não prolongar o seu sofrimento e da mãe que deixara na Terra envergando a cruz pesada da pobreza e dosentimento de rejeição da própria filha.

Na sua humildade, Bezerra alegou que se aquelas pessoas amigas, com tanta boa vontade, não conseguiram contornar o episódio, o que poderia fazer ele na sua indigência espiritual? Mas diante da insistência e da aflição dos que o procuraram, ele os acompanhou ao endereço da viúva, demonstrando grande compaixão ao se deparar com o quadro compungente.

Depois das preces e recomendações iniciais a Jesus e Maria Santíssima, Dr. Bezerra dirigiu-se ao obsessor, exortando-o a refletir sobre o sofrimento que estava a causar ao espírito materno. Mas o espírito reagiu alegando que fora a mãe a responsável pelo seu infortúnio, daí o seu desejo de vingança e que não a largaria enquanto não satisfizesse o seu propósito.

Bezerra mostrou-lhe que ela, a filha, tivera também sua parcela de culpa, uma vez que não soube tirar proveito do seu livre-arbítrio. Não soubera vencer a tentação do dinheiro fácil, do luxo, da vaidade e das ilusões da carne.

– Mas não lhe perdôo. Ela é a mais culpada! –

sentenciou o espírito da filha rebelde.

– Você já orou alguma vez? Pediu perdão de suas

faltas a Maria Santíssima, a Mãe das mães? – insistiu com doçura o “Médico dos Pobres”.

– Não, nunca orei. Jamais cogitei isso.

Bezerra fez uma pausa e resolveu pedir ao pobre espírito revoltado permissão para orar por ele à Mãe do Céu.

– Se quiser, pode orar – respondeu o espírito ainda resistente.

Foi então que Bezerra pôs-se em pé e começou a orar, exteriorizando um sentimento sincero de humildade e de compaixão, que tocava fundo os corações de todos os presentes e iluminava espiritualmente o recinto. Nesse ponto, o espírito obsessor revelou-se envolvido por uma força transformadora incomum e levantou-se incorporado na mãezinha obsediada que leva as mãos à cabeleira grisalha do apóstolo, a beijar-lhe soluçante a fronte:

– Quem ora assim tem na alma o Deus que eu não tenho. E está com a verdade!

Em seguida, desligou-se da mãe e partiu, libertando-a da angústia e dos sintomas enfermiços de que se vira portadora.
Dias depois, durante uma reunião do Grupo Ismael na Federação Espírita Brasileira, o mesmo espírito manifestou-se através de um dos médiuns agradecendo ao Dr. Bezerra o bem que lhe fizera. “O Senhor tem piedade e ensina sem ferir. A mãe do Céu atendeu sua súplica e me salvou, propiciando-me a oportunidade de entender o meu dever, o mal que fazia a mim mesma. E agora estou sendo assistida, aprendendo a ser melhor e a apagar do meu pretérito as sombras dos meus vícios e dos males que fiz”. Desprendeu-se, em seguida do médium e partiu deixando no ambiente o perfume da gratidão”.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti retornou à pátria espiritual no dia 11 de abril de 1900.

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