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“Corrigirás o mal com o bem, afastarás a agressão com a paciência.” Emmanuel

Editorial

Paulo e Estevão

Enviado em 16 de abril de 2017 | Publicado por Eliete Ribeiro

Paulo e Estevão, uma obra riquíssima de Chico Xavier, ditada pelo espírito de Emmanuel, que detalha com preciosidade a vida de Paulo, que na ocasião ainda vivia Saulo. E só após a sua conversão torna-se Paulo de Tarso. E outra história bastante envolvente é a do mártir Estevão e de Abigail, sua irmã, que foi noiva de Saulo. Dois espíritos altamente evoluídos e que nos servem como exemplos. Aceitavam com todo o equilíbrio e de forma branda todas as resignações, a eles destinadas.

Saulo perseguia os cristãos da época, período marcado por constantes lutas, perseguições, fugas, enfermidades, zombarias, desilusões, açoites e prisões. Depois grandes foram os seus desafios. Foi necessário Paulo, viver tudo o que havia praticado para com os cristãos. Ele foi preso, ficou cego, mas isto o fortaleceu, tanto que ele é o autor da passagem bíblica:

“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” 2 Co 12:10)

Após a sua conversão, Paulo foi para Damasco, onde os “Atos” conta que foi curado de sua cegueira e batizado por Ananias de Damasco. Paulo relata em 2 Coríntios 11:32 que foi em Damasco que ele escapou por pouco da morte, indo em seguida primeiro para a Arábia e depois de volta para Damasco. Esta viagem de Paulo para a Arábia não é mencionada em nenhum outro lugar no Novo Testamento e alguns autores acreditam que ele tenha na realidade viajado até o Monte Sinai para meditar no deserto. Ele descreve em Gálatas como, três anos após a sua conversão, ele viajou para Jerusalém, onde se encontrou com Tiago, o Justo, e ficou com Simão Pedro por 15 dias. Mesmo tendo se convertido ao cristianismo Paulo enfrentou as desconfianças. Até o próprio Pedro, desconfiou das atitudes de Paulo, num primeiro instante, após a sua conversão. Por ter praticado tantas bárbaries contra os cristãos, poucos eram que acreditavam na sua regeneração.

Abigail e Estevão teriam servido de grandes inspirações para Paulo de Tarso. Inclusive há uma passagem em que Paulo tinha a impressão de estar sonhando e encontra-se com os dois irmãos, que já estão no plano espiritual. Vamos conferir esta passagem da Obra Paulo e Estevão:

Os dois irmãos, que voltavam a encorajá-lo, aproximaram-Se com generoso sorriso.
— Levanta-te, Saulo! — disse Estevão com pro­funda bondade.

— Que é isso? Choras? — perguntou Abigail em tom blandicioso. — Estarias desalentado quando a tarefa apenas começa?

O moço tarsense, agora de pé, desatou em pranto convulsivo. Aquelas lágrimas não eram somente um desabafo do coração abandonado no mundo. Traduziam um júbilo infinito, uma gratidão imensa a Jesus, sempre pródigo de proteção e benefícios. Quis aproximar-se, oscular as mãos de Estevão, rogar perdão para o nefando passado, mas foi o mártir do “Caminho” que, na luz de sua ressurreição gloriosa, aproximou-se do ex-rabino e o abraçou efusivamente, como se o fizesse a um irmão amado. Depois, beijando-lhe a fronte, murmurou com ternura:

— Saulo, não te detenhas no passado! Quem haverá, no mundo, isento de erros? Só Jesus foi puro!…

O ex-discípulo de Gamaliel sentia-se mergulhado em verdadeiro oceano de venturas. Queria falar das suas alegrias infindas, agradecer tamanhas dádivas, mas indômita emoção lhe selava os lábios e confundia o coração. Amparado por Estevão, que lhe sorria em silêncio, viu Abigail mais formosa que nunca, recordando-lhe as flores da primavera na casa humilde do caminho de Jope. Não pôde furtar-se às reflexões do homem, esquecer os sonhos desfeitos, lembrando-os, acima de tudo, naquele glorioso minuto da sua vida. Pensou no lar que poderia ter cons­tituído; no carinho com que a jovem de Corinto lhe cuidaria dos filhos afetuosos; no amor insubstituível que sua dedicação lhe poderia dar. Mas, compreendendo-lhe os mais íntimos pensamentos, a noiva espiritual aproxi­mou-se, tomou-lhe a destra calejada nos labores rudes do deserto e falou comovidamente:

— Nunca nos faltará um lar… Tê-lo-emos no cora­ção de quantos vierem à nossa estrada. Quanto aos filhos, temos a família imensa que Jesus nos legou em sua mise­ricórdia… Os filhos do Calvário são nossos também… Eles estão em toda parte, esperando a herança do Sal­vador.
Abigail, por sua vez, apertava-lhe as mãos com imensa ternura. O ex-rabino desejaria prolongar a deliciosa visão para o resto da vida, manter-se junto dela para sempre; contudo, a entidade querida esboçava um gesto de amoroso adeus. Esforçou-se, então, por catalo­gar apressadamente suas necessidades espirituais, desejoso de ouvi-la relativamente aos problemas que o defrontavam. Ansioso de aproveitar as mínimas parcelas daquele glorioso, fugaz minuto, Saulo alinhava mental­mente grande número de perguntas. Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo?

— Ama! — respondeu Abigail espontaneamente.

— Trabalha! — esclareceu a noiva amada, sorrindo bondosamente.
Que providências adotar contra o desânimo destruidor?

— Espera! — disse ela ainda, num gesto de terna solicitude, como quem desejava esclarecer que a alma deve estar pronta a atender ao programa divino, em qualquer circunstância, extreme de caprichos pessoais.

Abigail apertou-lhe as mãos com mais ternura, a indicar as despedidas, e acentuou docemente:

— Perdoa!…

Em seguida, seu vulto luminoso pareceu diluir-se como se fosse feito de fragmentos de aurora.

Empolgado pela maravilhosa revelação, Saulo viu-se só, sem saber como coordenar as expressões do próprio deslumbramento. Na região, que se coroava de claridades infinitas, sentiam-se vibrações de misteriosa beleza. Aos seus ouvidos continuavam chegando ecos longínquos de sublimes harmonias siderais, que pareciam traduzir mensagens de amor, oriundas de sóis distantes… Ajoelhou-se e orou! Agradeceu ao Senhor a maravilha das suas bênçãos. Daí a instantes, como se energias imponderáveis o reconduzissem ao ambiente da Terra, sentiu-se no leito rústico, improvisado entre as pedras. Incapaz de esclarecer o prodigioso fenômeno, Saulo de Tarso contemplou os céus, embevecido.

Treze epístolas no Novo Testamento são atribuídas a Paulo, mas a sua autoria em sete delas é contestada por estudiosos modernos.

Paulo é um exemplo que é possível se redimir, mudar a sua própria trajetória e a de muitos que foram consolados por meio da sua conduta evangelizadora de levar a Boa Nova a todos os cantos do mundo.

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