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Entre a paz e a espada

Enviado em 6 de fevereiro de 2017 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Rádio Boa Nova

Eu vim trazer fogo à Terra, e que quero eu, senão que ele se acenda? Vós cuidas que eu vim trazer a paz à Terra? Não, vos digo eu, mas a separação, porque de hoje em diante, numa mesma casa, cinco pessoas divididas, três contra duas e duas contra três. Estarão divididas: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe… (Mateus, X, v.34,35,36)

Quando Allan Kardec colocou estas frases ditas por Jesus, no capítulo XXIII do Evangelho Segundo o Espiritismo com o título de Moral Estranha, não foi simplesmente por acaso, mas sim, para chamar a atenção e esclarecer o verdadeiro significado dos dizeres do Mestre.

De fato, no início parece muito estranho que Jesus tenha dito isso, pois, um espírito da mais alta hierarquia celestial, que encarnou aqui na Terra para propagar a caridade, o amor e a fraternidade entre os homens, dizer coisas que contrariava aquilo que ele mesmo apregoava seria um enorme contrassenso, e faria com que fosse visto, não como um mensageiro da paz, e sim um verdadeiro revolucionário, um conquistador sanguinário e devassador, que teria vindo para subverter a rodem social vigente.

Contudo, essa aparente incoerência apenas se verifica quando é analisada somente sob o aspecto material, ou seja, levada ao pé da letra. Para poder compreender o significado dessas palavras, elas devem ser analisadas, também, e principalmente, sob o aspecto espiritual, e só assim se verificará a essência moral que encerram.

Na época em que Jesus assim se manifestou, os valores materiais dos homens predominavam sobre os espirituais, pois, enquanto os sacerdotes tinham suas crenças sustentadas pelo interesse pessoal, e não pela convicção, ente os escribas e os fariseus  o que prevalecia era o paganismo, razão pela qual nenhum deles aceitava a ideia de amar os seus inimigos, de retribuir o mal com o bem, de perdoar setenta vezes sete vezes, fazer caridade ou desejar para os outros o mesmo que queriam para si, conforme prescrevia a lei divina. Como a finalidade da sua vinda à Terra era justamente mostrar-lhes a necessidade do cumprimento dessa lei, e acabar com esses preconceitos, estava trazendo uma ideia nova que propagava a fraternidade entre eles. Mas, considerando que toda novidade, de uma maneira ou de outra pode ferir interesses, encontra oposição, revolta e desavença até mesmo entre os membros de uma mesma família.

A história da humanidade mostra vários exemplos dessa oposição e luta, dentre os quais podemos destacar a teoria de Isaac Newton quando descobriu e propagou a lei da gravidade; de Galileu Galilei com o sistema solar; de  Sócrates, ao divulgar uma doutrina semelhante à de Jesus, e vários outros, e, sendo assim, essa ideia não seria uma exceção, e também não seria aceita pacificamente e sem luta. Em uma mesma família, uns acreditariam e outros não, em razão disso, essa divisão referida pelo Mestre, se fazia necessária, pois, tendo o espírito sua individualidade, cada um deveria lutar por si mesmo até que houvesse uma comunhão de ideias e, consequentemente, a união familiar retomaria. No entanto, Ele sabia que, diante do estado de ignorância em que a humanidade ainda se encontrava, para se fazer entender teria que transmitir essa novidade por meio de palavras que possuíssem um conteúdo alegórico, daí o porquê falar em separação de pais e filhos e de mães e filhas.

Da mesma forma, quando Ele diz que veio lançar fogo sobre a Terra e queria que se acendesse logo, aqui, também, se pode notar o emprego de alegoria nos seus dizeres.

Ao assim se manifestar, Jesus fez uma comparação da sua doutrina com um bom lavrador quando se prepara para o plantio. Primeiro ele põe fogo na mata e as chamas vão se alastrando até eliminar grande parte das ervas daninhas. Depois revolve a terra com o arado até que esteja pronta para receber a semente. Quando a terra já está adubada e devidamente preparada, planta a semente e, enquanto aguarda, vai regando até ela germinar e chegar o momento propício para a colheita. Se tomou todas as precauções, ou seja, se foi um bom lavrador, e cuidou bem da sua plantação terá uma boa colheita, ao contrário, se foi omisso e não se preocupou em dar-lhe o tratamento necessário nada será aproveitado, a colheita será má e terá que esperar nova época para novamente semear.

O fogo a que se referiu foi a sua doutrina que deveria ser espalhada por todos os cantos do mundo o mais depressa possível, e assim que todas as divergências fossem eliminadas, e a humanidade estivesse preparada, assim como a terra que recebeu a semente, todos receberiam entendimento para compreender e aceitar os seus ensinamentos. Portanto, ele não veio incendiar o planeta como pode parecer, mas sim, orientar os homens a agir como o bom lavrador.

Tempos depois, grande parte dessas divergências já tendo sido eliminadas, a semente foi plantada na figura da Doutrina Espírita, que veio esclarecer a maneira correta como o homem deve proceder em obediência e cumprimento às Leis Divinas. Cabe, agora, a cada um continuar cultivando a sua plantação, pois a semente semeada já está germinando e o momento da colheita está se aproximando. Praticando sempre a caridade, a fraternidade, o amor ao próximo, e todas as demais virtudes recomendadas pelo Mestre Jesus, quando chegar a hora poderá fazer uma boa colheita e não precisará aguardar uma nova oportunidade para começar tudo de novo.

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