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A era da cooperação

Enviado em 19 de outubro de 2016 | No programa: Educação para Todos | Escrito por Cláudia Mota | Publicado por Juliana Chagas

Mãos de pessoa clicando em tablet com várias imagens

Recentemente assisti ao documentário I am, escrito e dirigido por Tom Shadyak, (diretor conhecido por grandes sucessos de Hollywood como Ace Ventura, O Todo Poderoso, entre outros).

O documentário foi produzido  depois  que ele sofreu um acidente muito grave que o deixou em coma. Após ter vencido o lado mais escuro dessa situação, ele conta que ampliou sua visão de mundo e resolveu sair em busca de respostas para duas  perguntas: o que está errado em nosso mudo e o que podemos fazer.

Nessa busca ele conversou com filósofos, cientistas, poetas, ativistas , religiosos e chegou  a uma conclusão: o homem é um ser cooperativo.

Mas o modo de vida que escolhemos viver nos afasta dessa essência. Entre os argumentos que utiliza para embasar essa ideia, o cientista Thomas Hartman diz, por exemplo, que a teoria da evolução de Darwin foi mal interpretada, em seu livro “A evolução do homem” a palavra amor aparece 95 vezes em seus escritos, e a sobrevivência do mais forte aparece apenas 2 vezes  e Hartman completa dizendo que democracia e cooperação estão em nosso DNA.

Com esse exemplo e outros mais, o documentário nos mostra com clareza que precisamos voltar rapidamente a nos enxergarmos como uma unidade coletiva, que pode salvar a si própria da extinção, que parece inevitável caso não paremos com a autodestruição que estamos nos impondo.

A palestra de Suzanne Simard, “Como as árvores falam”, mostra recentes pesquisas que comprovam que uma floresta tropical é uma rede de contatos recíprocos que se comunica e que fornece alimento e energia entre si para manter esse ecossistema vivo e saudável.

Se pensarmos em educação, fica patente a necessidade de voltarmos nossos olhos para um sistema educacional que reproduz as relações sociais doentes e que através da instituição da escola, perpetua esse status quo.

O pacote de avaliações e notas estimula a competição e separa as crianças contra sua natureza. É comum na fase pré-escolar termos crianças colaborativas e empáticas que se modificam quando atingem a idade em que são avaliadas e recebem notas.

Essa rotulação começa a delinear as elites e guetos sociais. O efeito da comparação onde um é melhor e o outro é pior tem feito com que as crianças adoeçam cada vez mais cedo. A preocupação e o empenho dos pais para que os filhos sejam perfeitos tem causado sérios danos.

A socióloga Brene Brown investiga o porquê de algumas pessoas serem mais felizes e de que maneira essas pessoas felizes tem mais conexões em suas relações. Ela descobriu que as pessoas que tem uma maior sensação de merecimento, de amor e pertencimento, aceitam sua vulnerabilidade. Para viverem com o coração pleno, essas pessoas entendem que precisam parar de pedir garantias e  de tentar prever o futuro.

Deixemos nossas crianças serem felizes dentro de sua singularidade, entendamos que cada um de nós temos muito que acrescentar no mundo contribuindo com o melhor que temos para oferecer acolhendo o que o outro como acolhemos a nós mesmos.

Aceitar que somos interdependentes e que somente através da cooperação poderemos construir um mundo melhor, é dever de todos nós e a escola tem muito a contribuir com isso.

 

Foto ilustrativa: freepik.com

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