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‘Precisamos quebrar tabus, para além das nossas bolhas sociais’, diz o apresentador do programa Mutirão sobre a ‘A Força do Querer’

Enviado em 18 de setembro de 2017 | Publicado por Rádio Boa Nova

O apresentador do programa Mutirão, na Rádio Boa nova (RBN), especialista em questões de classe, raça e gênero e mestre em Psicologia da Educação, Franklin Felix, 36, está feliz com a repercussão da novela “A Força do Querer”, exibida pela Rede Globo. 

Na opinião dele, a história do Ivan (Carol Duarte) mostra os dramas da população T (travestis, mulheres transexuais e homens trans) de forma realista e livre de preconceitos. “Precisamos quebrar alguns tabus, para além das nossas bolhas sociais”, disse em entrevista, por e-mail a RBN.

Ele continuou: “A Glória Peres, com sua brilhante sensibilidade, traz para o dia a dia alguns dramas que essa população enfrenta como aceitação familiar, violência transfóbica e a própria constituição de sua identidade, que muitas vezes não é tão tranquila, justamente por conta das violências que sofrem”, afirmou Felix.

A abordagem que Ivan usou para contar a sua família que era transexual chocou a todos que não desconfiavam da sua escolha. Nesse processo de transformação, ele cortou os cabelos louros e os tingiu de preto, adquiriu o nome social masculino e deixou a barba crescer.

Para falar sobre o assunto com a família, a docente do curso de psicologia da Universidade Guarulhos (UNG), especializada em psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae, Helenice de Fátima Oliveira Rocha, 53, aconselha que a pessoa que não se vê representada pelo seu sexo de nascimento deve tocar no assunto levando em conta o contexto social da família.

“Cada um deve fazer a revelação de forma que o impacto não se transforme em uma ‘confissão’, no sentido de estar repleta de culpa. Por outro lado, é necessário levar em conta também a realidade da própria família de forma a respeitar os limites da compreensão dela”, observou Helenice. Ela recomenda ainda procurar um profissional da área da psicologia para ajudar a compreender em profundidade estas questões.

Entender sobre a complexidade do tema é essencial para a população T se revelar para a sociedade. Como ponto de partida da questão, a psicanalista fez uma breve análise sobre o tema LGBT. Segundo a psicologia, a sexualidade humana é diferente da animal. Isso significa que o ser humano é movido por pulsões que não estão ligadas estritamente a reprodução da espécie.

“A sexualidade não nasce com o sujeito. Ela é um processo a ser construído por ele e a escolha dos objetos de prazer obedece apenas aos caminhos das pulsões, o que vai colocar o sujeito humano sempre distante da sexualidade biológica, animal”, ressalta Helenice.

A coletividade deve entender esses valores para os LGBTs terem seus direitos respeitados. Para isso, a psicanalista reforça que as escolas podem ajudar a desenraizar o preconceito contra a população T em suas discussões sobre questões de gênero. “É uma medida urgentemente necessária”, acrescentou. 

 

Visão do Conselho Regional de Psicologia no Conselho Municipal de Políticas LGBTs da cidade de São Paulo sobre os temas LGBTs – Como representante do Conselho Regional de Psicologia no Conselho Municipal de Políticas LGBTs da cidade de São Paulo, e espírita desde os seis anos de idade, Felix tem uma visão humanista dos direitos dos LGBTs.

Ele propõe que o Movimento Espírita Brasileiro (MEB) reflita mais sobre a questão de gênero. Essas pessoas precisam de apoio da doutrina para enfrentar os desafios que a vida lhes impõe.

“Apropriando-se de aspectos de outras religiões o MEB, gradativamente, foi imprimindo no espiritismo uma heteronormatividade, propagando os ideais da “família Doriana” aquela composta por homem, mulher e filhos/as, desconsiderando os outros arranjos familiares: avós e seus netos/as, famílias monoparentais (mães solteiras), madrinhas que cuidam de afilhados/as, os casais homoafetivos”, afirmou o psicólogo.

Ele diz que o movimento espírita deve ser progressista. Ou seja, deve “assegurar a dignidade a população LGBT, em especial, travestis, mulheres e homens transexuais, por meio do reconhecimento da identidade de gênero, da despatologização das identidades trans e da garantia do seu acesso ao sagrado”.

Ele ressalta que somente dessa forma estabeleceremos “uma sociedade mais justa e mais diversa, uma casa comum onde todas as pessoas possam viver bem e tendo acesso aos seus direitos, livres de preconceitos e discriminações”.

Felix aproveitou a oportunidade para mandar um recado a todos os internautas que acessam o site da RBN: “Faça você também a sua parte: ame o próximo, como a ti mesmo, sem distinção”, finalizou.

 

Leticia Lopes, 26, é jornalista guarulhense formada pela Faculdade Anhanguera e colaboradora da Rádio Boa Nova e TV Mundo Maior. Já assinou matérias em jornais locais e atuou como assessora de comunicação. Nas horas vagas, gosta de ler romances e revistas de jornalismo literário. Não dispensa uma boa pizza e a companhia dos amigos. É apaixonada pelo mundo espiritual e por recursos que estimulam o autoconhecimento.

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