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“De nada adianta crer, se sua crença não o faz dar sequer um passo na senda do progresso.” Allan Kardec

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A fé que remove montanhas

Enviado em 24 de janeiro de 2017 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Mariana Fridman

Homem sentado em muro em meio a montanhasO apóstolo Mateus, em seu Evangelho, conta que em certa ocasião Jesus foi procurado por um homem desesperado que pedia ajuda para o seu filho que estava possuído por um espírito maligno alegando já ter recorrido aos seus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo. Jesus mandou que trouxesse o garoto, e quando esse lhe foi apresentado, impôs suas mãos sobre o menino e ordenou que aquele espírito se afastasse daquele corpo e não voltasse mais.

O obsessor se afastou, e assim a criança ficou curada. Decepcionados os discípulos perguntaram-Lhe por que eles não haviam conseguido, recebendo como resposta que era por causa da fé. Como sempre usava de alegorias e fazia comparações para se fazer entender, o Mestre afirmou que se eles tivessem a fé do tamanho de um grão de mostarda poderiam remover uma montanha de um lugar para outro, porém, como a que tinham era pouca, por causa disso não conseguiram.

Quando Jesus comparou a fé com um grão de mostarda, quis mostrar o papel importante que ela representa, não somente para a pessoa que pede a cura, como também para aquela que vai realiza-la, ressaltando, desse modo, a força, bem como o poder que a crença exerce em nossas vidas.

Não obstante, algumas pessoas tentam justificar o fato de não rezar, ou não seguir nenhuma religião, por falta de fé; outras chegando ao absurdo de afirmar que não precisam dela. É um engano porque todos nós precisamos de fé, pois é ela que nos orienta nas vicissitudes da vida dando-nos a certeza de que os percalços, assim como as dificuldades que se apresentam, não deixam de ser momentos de ilusão.

Leon Diniz já dizia que: “Aquele que durante toda a sua vida nunca teve necessidade de uma fé é uma alma medíocre”. Isso é verdade, porque, quem, em algum momento de sua vida não precisou ter fé? No entanto, apesar de imprescindível, algumas pessoas, por não lhe dar o devido valor, quando estão passando por algum tipo de problema e precisando de ajuda, tomam decisões erradas, que poderão agravar ainda mais a situação, ou deixam de procurar a solução adequada, por achar que não tem fé.

Mas, afinal, qual o significado da palavra fé? Porque uns tem e outros dizem não ter?

O professor Herculano Pires a definia da seguinte maneira: “A fé é filha da razão e tem como pai o sentimento”. Ora, se o pai da fé é o sentimento, conclui-se que ela também é um sentimento.

É sabido que todo ser humano é formado por três elementos: espírito, perispírito e matéria. Esse último, que chamamos de corpo físico, é dotado de órgãos, como os olhos, as mãos, e outros, que funcionam como receptores daquilo que se passa ao nosso redor, cada um deles com a função específica de captar as sensações externas e, de imediato transmiti-las para o espírito, lhe dando a certeza de que elas existem.

Como ninguém está totalmente desprovido daqueles órgãos, e todos possuem pelo menos um deles desde o nascimento, o sentimento por eles transmitidos é inato. Pode parecer que alguém, que tenha deficiência ou até mesmo carência de algum desses órgãos, como por exemplo a visão, pelo fato de não poder enxergar um determinado objeto, esteja impossibilitado de acreditar que ele exista, mas isso não é verdade, porque, mesmo sendo cego, se se aproximar dele e tocá-lo, suas mãos captarão o seu formato, e através do sentido do tato transmitirá para o seu interior. Portanto, esse sentimento, captado pelo sentido da visão ou do tato, é que dá ao espírito a certeza de que aquele objeto existe de fato, e o faz acreditar que é real e verdadeiro.  

Nesse caso, pode parecer que alguém, quando diz só acreditar naquilo que pode ver ou tocar, esteja certo ao afirmar só crer no que é visível e palpável. É um erro, porque os outros órgãos, como os ouvidos, o nariz e a língua também captam sentimentos, e dão ao espírito a convicção de que o som, o cheio e o sabor existem, embora não se possa ver nem os tocar. Essa convicção é aquilo que, de uma maneira geral e mais abrangente, significa fé, no entanto, por tratar-se de um sentimento subjetivo, pode variar de pessoa para pessoa de acordo com a personalidade, os conhecimentos, o caráter e a capacidade de discernimento de cada uma.

No que se refere à fé religiosa, alguns materialistas e incrédulos, por exemplo, costumam afirmar não crer em Deus porquê nunca o viram e nem o tocaram, portanto, não se trata de um sentimento inato, mas sim, do resultado de ensino nos estabelecimentos escolares e nos lares, o que não corresponde à verdade, pois, se assim fosse, não seria universal e só existiria entre aqueles que tivessem recebidos aqueles ensinamentos. No entanto, os povos primitivos e os selvagens de todas as partes do mundo, mesmo não tendo frequentado nenhuma escola, nem recebido qualquer tipo de instrução, já deixavam transparecer o sentimento da crença na existência de um Ser Supremo que os criara e dirigia.

Isso se deve ao fato de o Criador, ao criar os espíritos, haver deixado a sua existência, assim como as suas leis gravadas na consciência de cada um, para que fossem respeitadas e fielmente cumpridas, portanto, a fé religiosa também é inata. Sendo um dos requisitos para o progresso do espírito, e, se Deus concedeu a todos, indistintamente, as mesmas condições de progredir, aquele que pensa não ter fé está enganado e pondo em dúvida a Justiça Divina. Embora temporariamente esquecida, ela já existe em cada um em estado latente e precisa ser desenvolvida, mas de maneira racional, por isso, cumpre lembrar os cuidados que devem ser tomados em relação ao modo como os ensinamentos são transmitidos através dos órgãos da visão e da audição, os quais poderão transforma-la em cega, ou fanatismo.

Algumas mães, para fazer o seu filho dormir, pega-o no colo carinhosamente, e começa a cantar assim: “Dorme filhinho, sonha contente, tu és um anjinho tão inocente”. Apesar de ainda ser um bebê, o seu órgão auditivo já está ativado e essas doces e meigas palavras vão sendo captadas, transmitidas para o perispírito e repassadas para o espírito, e assim ele dorme tranquilo e sereno. Outras mães, também cantam para fazer o seu bebê dormir, mas, uma música que diz: “Dorme nenê que a cuca vem pegar”, ou então, “Boi, boi da Cara preta pega essa criança que tem medo de careta”. Com esses dizeres assustadores gravados no perispírito, a criança passa a ter sono agitado e pesadelos pensando que a Cuca ou o Boi da Cara preta vem lhe pegar.

Quando já estiver mais crescida, e fizer alguma peraltice, que é próprio de crianças, sua mãe a advertirá da seguinte forma: Não faça isso, não faça aquilo que Deus castiga. Esse ensinamento também é errado, porque incute a ideia de um Deus cruel e vingativo, e que se fizer alguma coisa errada Ele vai lhe castigar, transformando a fé religiosa inata em uma crença cega, e, em razão disso, quando, na fase adulta, tiver que passar por algum tipo de vicissitude, logo terá a certeza de que aquilo é castigo de Deus.

Algumas religiões também muitas vezes trazem ensinamentos errados impondo obrigações e proibindo os seus fiéis de agir de uma determinada maneira, obrigando-os a tomarem decisões erradas. Toda crença deve ser respeitada, mas a função da religião é ensinar o que é certo e o que é errado perante as leis divinas, e não proibir; ela não pode desrespeitar o livre arbítrio de cada um, a fé religiosa deve ser por convicção e não por constrangimento. Esses são alguns exemplos de ensinamentos errados recebidos através do sentido da audição.

Quanto ao sentido da visão, devemos tomar muito cuidado, também, com o que lemos, e nunca levar aquilo que está escrito, ao pé da letra. É claro que a leitura é necessária, mas é preciso saber ler, e quando digo saber ler, não é apenas identificar as palavras, mas sim, entender o que a pessoa que escreveu realmente quis dizer.

No caixa de uma padaria havia o seguinte aviso: “Facilite o troco ou então leva bala”. Se a pessoa que ler não souber interpretá-lo, e não tiver dinheiro trocado, com certeza ficará apavorada, porém, se souber, vai entender que por falta de troco, em seu lugar receberá bombons.

No Novo Testamento, mais precisamente no Livro de Mateus está escrito que Jesus recomendou aos seus discípulos que se alguém lhes batesse na face direita, deveriam oferecer, também a esquerda. Para algumas pessoas, com aquelas palavras Jesus os orientava a serem covardes. Essa interpretação é errada, porque analisando corretamente aquela recomendação, a conclusão que se tem é que a orientação foi para que eles não pensassem em retribuir o mal com o mal e perdoassem o seu ofensor, pois o perdão é um dos principais remédios para a depuração do espírito.

Em uma matéria de jornal, um homem que havia decepado sua própria mão com um facão foi levado ao hospital. Indagado pelo médico porque tinha feito aquilo, respondeu que praticara um furto, mas, como era muito religioso e respeitado na sua igreja, com receio do que os seus irmãos de fé iriam pensar, se arrependeu. Como na Bíblia Jesus recomendava que se a sua mão fosse objeto de escândalo, deveria ser cortada e atirada para longe, resolveu agir daquela maneira, pois era preferível ir para o céu com apenas uma mão, do que ir para o inferno com as duas. Outra interpretação errônea da lei, pois, quando Jesus disse essas palavras, estava recomendando que se tirasse do coração desejo de praticar o mal. É esse o verdadeiro sentido das suas palavras. Além disso, o arrependimento que sentiu não foi pelo mal que havia feito ao seu próximo quando praticou o furto, mas sim, por causa do seu orgulho ferido, já que aquele gesto iria manchar a sua imagem perante os outros.

Portanto, esses ensinamentos errados recebidos desde criança, e essa má interpretação das leis divinas, é que faz parecer que o falso seja verdadeiro, e aceitar como real aquilo que não existe, transformando a fé religiosa inata de uns em uma crença cega e fanática, ou fazendo com que outros pensem não a ter.

No meio de tantas crenças, com religiões tão diversificadas, e diante desses ensinamentos diferentes, onde cada um procura ser o dono da verdade, como é que se pode separar o que é falso daquilo que é verdadeiro? É muito fácil.

Quando o professor Herculano Pires disse que a fé é filha da razão, quis dizer, também, que sua origem está na lógica. Isso significa que necessita de uma base sólida, portanto, para solidificar a crença não basta apenas ver, é preciso compreender dentro da coerência. Sendo assim, para diferenciar o falso do verdadeiro é preciso usar o raciocínio lógico; é necessário analisar bem o assunto e submetê-lo ao crivo da lógica e da razão para verificar se condiz com a realidade. Se é coerente e está dentro da lógica não há como duvidar, porém, se choca com a razão, jamais poderá ser aceito como verdadeiro. O Espiritismo também nos adverte para não acreditarmos em tudo o que os espíritos nos transmitem, pois sabemos que existem espíritos zombeteiros e brincalhões que nos ensinam coisas erradas para se divertir, ou até mesmo para praticar o mal. Agindo dessa maneira, aquela fé, que era apenas inata, passará a ser raciocinada, aquela que a Doutrina Espírita recomenda usar, e que todos, mais cedo ou mais tarde alcançarão.

Alguns chegarão a ela sem maiores dificuldades, mas outros precisarão levar um empurrão, como aconteceu com Paulo de Tarso antes de se converter ao cristianismo. Ele era tão fanático pela lei de Moisés que não acreditava de maneira nenhuma nos ensinamentos cristãos, mas, depois que perdeu a visão em consequência de uma queda do cavalo na Estrada de Damasco, e ter a sua cegueira curada pelo velho Ananias, que era um grande seguidor e divulgador do Evangelho do Cristo, depois de analisar dentro da lógica e da razão tudo aquilo que ele pregava em nome de Jesus, aquela sua fé religiosa, que antes era cega, passou a ser raciocinada tornando-o um verdadeiro cristão.

Em suma, aquele que estiver precisando de ajuda, mas pensa que não tem fé, ou ainda se acha preso ao fanatismo, deve lembrar-se das palavras do Cristo quando ele disse: Conheça a verdade e a verdade te libertará. Mas, para conhecer essa verdade precisará usar o seu raciocínio; usando o raciocínio dentro da lógica e da razão, encontrará a verdade, encontrando a verdade passará a confiar, confiando se libertará daquela crença que era cega ou fanática e passará a ter uma fé raciocinada, tendo essa fé descobrirá a força imensa que tem dentro de si e, e por meio dela removerá montanhas, ou seja, conseguirá superar todos os obstáculos, recebendo, assim, a ajuda de que precisa. Essa é a fé verdadeira que pode remover montanhas, conforme afirmou o Cristo Jesus.

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