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General X

Enviado em 1 de outubro de 2015 | No programa: Roteiro | Escrito por Cláudio Palermo | Publicado por Juliana Chagas

General X

No início da Doutrina Espírita tivemos muitas pessoas que auxiliaram Allan Kardec na consolidação da Doutrina Espírita no planeta Terra.

Pessoas de todas as classes sociais, e algumas foram fundamentais na abertura do primeiro centro espírita do mundo.

Destaco neste texto o General X, em alguns momentos da codificação Kardec o trata com este pseudônimo.

Este militar se chamava Charles-Marie-Esprit Espinasse, militar dos mais graduados, foi convidado por Napoleão III a comandar o Ministério do Interior da França.

O Contato com o General X só foi possível graças ao Sr.Dufaux, que era amigo das autoridades em Paris e que foi pessoalmente cuidar da abertura e funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Nesta época  ele tinha a responsabilidade como Ministro do Interior e de Segurança Geral. Napoleão III o nomeou para este cargo no dia 7 de fevereiro de 1858. Ele ocupou esse Ministério até o dia 14 de junho de 1858, sendo que três dias depois de sua demissão foi nomeado senador pelo regime imperialista.

O General X participou ativamente da Guerra da Itália e morreu na batalha de Magenta.

Kardec cita esta importante ajuda nos seus escritos que foram publicados no livro Obras Póstumas:

«[…] Mas, então, fazia-se necessária uma autorização legal, a fim de se evitar que a autoridade nos fosse perturbar. O Sr. Dufaux, que se dava pessoalmente com o Prefeito de Polícia, encarregou-se de tratar do caso. A autorização também dependia do Ministro do Interior. Coube então ao general X…, que era, sem que ninguém o soubesse, simpático às nossas idéias, embora sem as conhecer inteiramente, obter a autorização. Esta, graças à sua influência, pôde ser concedida em quinze dias, quando, de ordinário, leva três meses para ser dada. […]»

Após o seu desencarne Kardec evoca o General X por duas vezes na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em Paris, estas conversas estão publicadas na Revista Espírita nos anos de 1859 e 1862.

«[…] UM OFICIAL SUPERIOR MORTO EM MAGENTA – (Sociedade, 10 de junho de 1859)

  1. Evocação. Resp. – Eis-me aqui.
  1. Poderíeis dizer-nos como atendestes tão prontamente ao nosso apelo? Resp. – Eu estava prevenido do vosso desejo.
  1. Por quem fostes prevenido? Resp. – Por um emissário de Luís.
  1. Tínheis conhecimento da existência de nossa Sociedade? Resp. – Vós o sabeis.

Observação – O oficial em questão tinha realmente auxiliado a Sociedade para a obtenção do seu registro de funcionamento.

  1. Sob que ponto de vista consideráveis a nossa Sociedade quando concorrestes para a sua formação? Resp. – Eu não estava ainda inteiramente decidido, mas me inclinava muito a crer; não fossem os acontecimentos que sobrevieram, por certo teria ido instruir-me no vosso círculo.
  1. Há criaturas deveras notáveis que comungam as idéias espíritas, mas que não o confessam de público. Seria desejável que as pessoas influentes desfraldassem abertamente essa bandeira? Resp. – Paciência; Deus o quer e, desta vez, a expressão é verdadeira.
  1. De que classe influente da sociedade pensais deverá partir em primeiro lugar o exemplo? Resp. – No início, de algumas; depois, de todas.
  1. Do ponto de vista do estudo, poderíeis dizer-nos se vossas idéias são mais lúcidas que as do zuavo que há pouco esteve aqui, embora ambos hajam falecido mais ou menos na mesma época? Resp. – Muito. Aquilo que ele vos disse, testemunhando uma certa elevação de pensamento, foi-lhe soprado, porque ele é bom mas muito ignorante e um tanto leviano.
  1. Ainda vos interessais pelo sucesso de nossos exércitos? Resp. – Muito mais do que nunca, pois hoje conheço o seu objetivo.
  1. Tende a bondade de definir o vosso pensamento; o objetivo sempre foi abertamente confessado e, sobretudo em vossa posição, devíeis conhecê-lo? Resp. – O fim que Deus se propôs, vós o sabeis?

Observação – Ninguém desconhecerá a gravidade e a profundeza desta resposta. Assim, quando vivo, ele conhecia o objetivo dos homens; como Espírito, vê o que há de providencial nos acontecimentos.

  1. Que pensais da guerra em geral? Resp. – Desejo que progridais rapidamente, a fim de que ela se torne tão impossível quanto inútil. Eis a minha opinião.
  1. Acreditais que chegará o dia em que ela será impossível e inútil? Resp. – Sim, não tenho dúvida, e posso dizer que esse momento não está tão longe quanto pensais, embora não vos possa dar esperança de que o vereis.
  1. Vós vos reconhecestes imediatamente no momento da morte? Resp. – Quase que imediatamente, graças às vagas noções que possuía do Espiritismo.
  1. Podeis dizer algo a respeito de M…, morto também na última batalha? Resp. – Ele ainda se encontra enredado na matéria; sente muita dificuldade em se desvencilhar; seus pensamentos não se tinham voltado para este lado.

Observação – O conhecimento do Espiritismo auxilia o desprendimento da alma após a morte; assim, concebe-se que abrevie o período de perturbação que acompanha a separação; o Espírito conhecia antecipadamente o mundo em que ora se encontra.

  1. Assististes à entrada de nossas tropas em Milão? Resp. – Sim, e com alegria. Fiquei encantado pela ovação com que nossas armas foram acolhidas, a princípio por patriotismo; depois, pelo futuro que as aguarda.
  1. Como Espírito, podeis exercer uma influência qualquer sobre as disposições estratégicas? Resp. – Acreditais que isso não tenha sido feito desde o princípio, e tendes dificuldade de adivinhar por quem?
  1. Como foi possível que os austríacos abandonassem tão rapidamente uma praça forte como Pavia? Resp. – Medo.
  1. Então estão desmoralizados? Resp. – Completamente. De mais a mais, se agimos sobre os nossos num sentido, deveis pensar que sobre eles age uma influência de outra natureza.

Observação – Aqui a intervenção dos Espíritos nos acontecimentos é inequívoca. Eles preparam os caminhos para a realização dos desígnios da Providência. Os antigos teriam dito que era obra dos deuses; nós dizemos que é dos Espíritos, por ordem de Deus.

  1. Podeis dar a vossa opinião sobre o General Giulay, como militar, pondo de lado qualquer sentimento nacionalista? Resp. – Pobre, pobre general!
  1. Voltaríeis de bom grado se vos pedíssemos? Resp. – Estou à vossa disposição e prometo vir, mesmo sem ser chamado. A simpatia que eu nutria por vós não fez senão aumentar. Adeus.

Nos parece que o pouco tempo que Espinasse permaneceu a frente do Ministério do Interior foi programado pela Espiritualidade Superior para que o processo de abertura da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas fosse mais acelerado e não prejudicasse o andamento dos trabalhos e estudos de Allan Kardec e seu grupo.

Nossa gratidão ao General Charles-Marie-Esprit Espinasse.

 

Foto ilustrativa: http://espiritismohistoria.blogspot.com.br/

 

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