QUER RECEBER NOSSAS NOTÍCIAS EXCLUSIVAS?

“A caridade dos Céus é fonte que não se esgota.” Auta de Souza

Artigos

Homossexual: Freud Também o Respeitou

Enviado em 23 de julho de 2014 | No programa: Alma Querida | Escrito por Dora Martins | Publicado por Rádio Boa Nova

Este espaço é de uma qualidade ímpar, tanto pela liberdade que a direção oferece quanto pelo público alvo, composto de leitores que possuem, senão muito, algum conhecimento doutrinário que os levam a respeitar toda relação que envolve o amor, entusiasmando-nos na escolha deste polêmico assunto.  

Mãos Dadas

Dentro dos diversos campos científicos e sociais, é natural encontrar divergências das razões que envolvem esta qualidade de relação que o tema remete. A causa receberia valiosa colaboração se os setores tomassem conhecimento dos conceitos de eternidade alcançados na filosofia espírita, uma vez que traz, o respeito como condição de prefácio nos livros de nossa vida, possibilita um campo de visão transpessoal a partir do homem integral (espírito, perispírito e matéria), notavelmente estudado pela célebre guia espiritual Joanna de Ângelis  no livro “O Homem Integral”.   

Mesmo contando com poucas linhas, faz-se indispensável trazer algumas considerações do termo conhecido no Século XVIII como homossexualidade. Iniciamos pelo pai da psicanalise Sigmund Freud, que, a contar com dezenas de livros avaliados por estudiosos há mais de 100 anos, nos trouxe uma brilhante verificação quando afirmou:“para a psicanálise todos nascemos bissexuais”.

Esta afirmação que pode parecer desconcertante, reflete um lampejo inconsciente do autor, se nos permitir avaliar do ponto de vista reencarnatório.

Freud explica que a orientação originária é a bissexualidade, pois o homossexual ou o heterossexual só se revela com o decorrer do desenvolvimento. Basta ver a relação afetuosa e sem qualquer distinção sexual que as crianças nas primeiras idades demonstram – a iniciar pela mãe. Para a psicanálise a escolha recai igualmente em objetos femininos e masculinos, independentemente de seu sexo, como ocorre na infância e nos períodos primitivos da história.

Esta é a concepção, de modo simplista, da afirmação de que “todos somos bissexuais” ofertada pela psicanálise Freudiana. O que não representa novidade ou causa perplexidade quando avaliada dentro do viés crístico.

Sem interesse ou condição de trazer os conceitos de Freud, em linhas gerais, esta é uma tese que respeita o homossexual, para quem é uma orientação sexual tão legítima quanto a heterossexual (Livro: Os três ensaios da Teoria da Sexualidade).

O pai da psicanálise, mesmo que superado em muitos de seus entendimentos, ofereceu-nos um “banho” contra o preconceito quando superou o campo da teoria para a prática em pelo menos três oportunidades:

  1. Sua opinião a respeito de um escândalo que envolvia uma personalidade acusada de homossexual, ao que Freud repele: “que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois, se a homossexualidade for uma doença, teremos que qualificar de doentes grandes pensadores que admiramos” (Jornal vienense Die Zeit, Cercarelli, 2008);
  2. Sobre o pedido de admissão de um jovem homossexual à sociedade psicanalítica, Freud discordando de Ernest Jones, afirma: “Com efeito, não podemos excluir estas pessoas sem outras razões suficientes (…)  a admissão ou não dependerá exclusivamente da analise de suas qualidades;
  3. Para uma mãe americana que escreveu uma carta dirigida a Freud em 1935, solicitando seus conselhos por ter um filho homossexual, ao que Freud a tranquiliza:“ a homossexualidade não é , certamente, nenhuma vantagem, mas não é nada de que se tenha de envergonhar, nenhum vicio, nenhuma degradação, não pode ser classificada como doença, nós a consideramos como uma variação da função sexual (Ernest Jones, 1979)”.

Como se nota, até mesmo o pai da psicanalise, avaliado por muitos como superado, saiu-se em defesa do ponto de vista social desta minoria, uma vez que a humanidade ainda continua a discriminar, excluir, ridicularizar e ofender física e moralmente os homossexuais. Acrescenta-se que Freud lá atrás, já se posicionou contrário à tese de opção sexual como razão da homossexualidade.

Feito estes breves e simplórios apontamentos, permita-nos voltar e traçar uma relação da teoria citada da bissexualidade com o abrangente contexto espiritual. Enquanto a psicologia tradicional analisa sob o ponto de vista da psique, a espiritualidade nos demonstra esta qualidade natural de ambiguidade tendo como fontes de informações as preciosas conexões extrafísicas.

Esta realidade transcendental revela sermos espíritos com características feminina e masculina, em decorrência de nossas experiências nas diversas encarnações, alternando ora no campo mental feminino ora no masculino. Na questão 202 do Livro dos Espíritos:

“Quando errante o que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? – a resposta foi: “ Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”. 

André Luiz, no livro “Ação e Reação”, esclarece:

“O sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser (…) É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem.” Joanna de Ângelis ensina que para equilibrar-se diante desta ambiguidade (“anima”: lado feminino encontrado no homem, e ” animus”: lado masculino encontrado na mulher), deve  avaliar o destino que cada um escolhe conduzir seu livre arbítrio.  E no livro “Joanna de Ângelis Responde”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, a benfeitora sintetiza: “singularmente vinculada à anterioridade de espírito, a problemática do sexo exige carinho e caridade, respeito e dignificação”.   

Dentre tantas avaliações, recomendações e advertências que envolvem o incessante tema nos aspectos psíquicos, social e, sobretudo espiritual, faz-se crucial reportar a lição de Emmanuel extraída dos ensinamentos daquele que foi a representação maior de amor, Jesus, “o homem integral de todos os tempos”, que amou a humanidade sem qualquer preferência. Vibremos para que um dia esta recomendação não encontre resistência em nenhum lugar deste planeta:

“Diante de toda e qualquer desarmonia no mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condição de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: Amai-vos uns aos outros como vos amei.” (André Luiz, Livro Vida e Sexo).

 

Foto ilustrativa: olharesnocotidiano.blogspot.com

Deixe seu comentário: