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A idade chega para todos

Enviado em 20 de agosto de 2015 | No programa: RBN Notícias | Escrito por | Publicado por Juliana Chagas

Eutanásia: (grego euthanasía, -as, morte fácil, morte feliz) – substantivo feminino

  1. Morte sem dor nem sofrimento.
  2. Teoria que defende o direito a uma morte sem dor nem sofrimento a doentes incuráveis.
    Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.

“O homem não tem o direito de praticar eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja. A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal.”

“Nem sempre o sofrimento está atrelado ao resgate do passado, mas toda a vivencia atrelada ao sofrimento leva ao aprendizado.”

Emmanuel, psicografia de Francisco Candido Xavier.

cachorro

Sempre, em toda palestra, nos perguntam nossa opinião sobre a “EUTANÁSIA”, e é muito difícil discorrer sobre o tema sem criar animosidade entre as pessoas. Muitas pessoas com a boa intensão de aliviar o sofrimento de um animal em estado terminal, acabam optando por essa ação. E muitos veterinários ainda consideram a eutanásia, como “forma de terapêutica”, por mais incrível que possa parecer, de forma a “curar” definitivamente o animal. Muitas vezes induzindo o tutor a optar pela eutanásia.

Eu como pessoa e veterinário, acredito que não devemos abreviar a vida de nenhum ser, pois nesses momentos de dor, muitas vezes são aprendidas valiosas lições. E não raro essas lições abrangem, o animal, a família e mesmo o veterinário e todos os demais envolvidos. Mas como comentamos, existem casos e casos a serem avaliando individualmente.

Independente do mérito da discussão, suas consequências morais e interpretações filosóficas, éticas e religiosas, sempre é um assunto muito controverso. Então nessa situação sempre usamos de um exemplo real para expressar nossa opinião.

Existia uma senhora de aproximadamente 50 anos que vivia com seu filho de 15 anos e seu cachorro pastor alemão. Este já com 12 anos, como a maioria dos cães dessa raça, sofria de “displasia coxo-femural” resumidamente ele “descadeirou” como ouvimos falar popularmente.

Não conseguia mais se levantar para urinar e defecar, sendo necessário ajuda-lo a se locomover. E muitas vezes ele se sujava todo em meio a urina e fezes, sendo necessário limpa-lo com desvelo varias vezes no dia. Aquela senhora, com boa vontade e amor, se esforçava para dar uma condição digna a esse amigo pastor alemão.

Seu filho ao ver o trabalho que a mãe tinha com aquele animal, sugeriu muitas e muitas vezes para que sua mãe fizesse eutanásia do animal. Esta sempre resignada explicava ao filho;

– Querido; esse nosso amigo nos guardou e protegeu dos ladrões por mais de dez anos. Sendo fiel e bom amigo, nós dando além de sua guarda seu carinho e amor sincero. Agora que ele está necessitado não podemos abandona-lo. Ele só tem a nós para ampara-lo.

Percebendo a sabedoria da palavras da mãe, seu filho começou a ajuda-la e ajudar seu amigo canino. Vencendo seus nojos e preconceitos, gastando muito de seu tempo de brincadeiras e diversões ajudando o próximo na figura daquele cão.

Assim o tempo foi passando e o animal desencarnou, feliz entre seus entes queridos, que se esforçaram para lhe dar uma vida boa e feliz.

Aquele menino se casou, teve dois filhos e vivia feliz com sua nova família e com sua mãe a morar em sua casa. Como a idade chega para todos, sua mãe foi envelhecendo e com o tempo tendo necessidades cada vez maiores de auxilio.

Após um derrame, chegou ao ponto de necessitar auxilio para fazer as funções mais básicas. Nesse momento sua nora, esposa de seu filho, cansada de ver seu marido “gastando” tanto tempo ao redor dos cuidados da mãe, exige que ele a interne em um asilo, para que lá ela passe seus últimos dias de vida.

Com lágrimas nos olhos aquele menino, que hoje é um homem, conta a ela sobre os dias que cuidou de seu amigo canino, dos esforços dele e da mãe em dar uma vida digna a esse ser, e quanto se sentiam bem por terem dado a oportunidade de desfrutarem a companhia um do outro até o final da vida, trocando amor e carinho até seu ultimo suspiro. “Aqui não nós “livramos” daqueles que amamos, mesmo dando muito trabalho para continuarmos a viver com eles.” – Foram suas palavras.

Terminou dizendo; “Com meu amigo Chuck, o pastor alemão, aprendi o que é o amor sincero e incondicional!”

Léon Denis – “Todos os seres têm de passar pelo sofrimento. Sua ação é benfazeja…,… O sofrimento é, de modo geral, como agente de desenvolvimento, condição de progresso.”

 

Foto ilustrativa: http://www.freeimages.com/

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