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“Um dos aspectos notáveis da evolução espiritual humana é que todos os doentes da alma se tornam médicos por sua vez.” Bezerra de Menezes

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Impasse Matrimonial

Enviado em 22 de maio de 2016 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Juliana Chagas

Tinham tudo para um casamento feliz. Amavam-se. Respeitavam-se. Guardavam noção de suas responsabilidades. Eram criadordedicados ao serviço do Bem, mesmo porque levavam a sério a religião. Aí residia o único problema entre ambos, com implicações aparentemente insuperáveis: não seguiam a mesma escola religiosa.

Luísa, católica praticante, não concebia o matrimônio sem a presença na igreja e a bênção sacerdotal. Sonhava ver-se de véu e grinalda, caminhando ao encontro do noivo sob acordes de música romântica, nave engalanada de flores, ladeada por amigos e familiares…

Pedro, espírita convicto, não admitia submeter-se ao que considerava mero culto exterior, calcado em ritualismo e vaidade…

O impasse levou-os à separação. Tentaram até outros relacionamentos afetivos, buscando esquecer. Não foi possível. O amor entre ambos era inabalável. Almas afins, não encontrariam felicidade plena separadas.

Muito ligada ao padre Ivo, venerável sacerdote, com larga experiência dos problemas humanos, Luísa o procurou numa tarde particularmente angustiante, em que se sentia possuída por invencível saudade. Expôs-lhe o problema, falou de suas dúvidas, da luta que se travava em seu íntimo, do duelo entre os anseios do coração e as imposições da consciência. O sacerdote prometeu que tentaria ajudá-la, recomendando-lhe que voltasse no dia seguinte.

Retornando à igreja no horário marcado, a jovem, surpresa, encontrou o ex-namorado. Também este fora convocado. Cumprimentaram-se sem trair a emoção, trêmulos, vacilantes…

– Meus filhos – disse-lhes o mediador com carinho –, conheço o drama que estão vivendo. Creio que a dificuldade presente poderá ser superada, desde que ambos se disponham a deixar a posição de absoluta intransigência e, exercitando boa vontade, caminhem alguns passos, encontrando-se na região do bom senso.

Os dois jovens ouviam atentos o sacerdote que, dirigindo-se particularmente ao rapaz, continuou:

– É bem verdade que a presença de Deus em suas vidas vai depender do que façam da existência em comum e não da forma com que venham a unir-se, mas para Luísa o casamento religioso é importante porque faz parte de suas convicções, as quais não se julga com o direito de trair. Para você o ato seria mera formalidade. Por isso lhe será mais fácil transigir. Parece-me que não deixará de cumprir os preceitos que o norteiam. Conheço algo de Espiritismo e sei que se trata de uma doutrina de consciência livre.

O sacerdote faz pequena pausa e acentuou:

– Não obstante, para evitar constrangimentos de sua parte, faremos uma reunião muito simples, sem nenhum aparato, na intimidade do lar de Luísa, com presença tão somente dos padrinhos. Limitar-me-ei à leitura de textos evangélicos, seguido de oração espontânea. Concorda, meu filho?

– Realmente, padre, o Senhor foi inspirado. Não há por que recusar sua oferta.

– E você, Luísa?

– Ah! Padre Ivo!  Abençoada ideia.  Dispenso véu, grinalda, flores, festa… Quero apenas sua bênção, em nome de Deus!…

O velho sacerdote tomou as mãos dos jovens, unindo-as entre as suas e concluiu, feliz:

– Desde já, meus filhos, sejam abençoados por Deus. Agradeçam-Lhe pelo sentimento sublime que mora em seus corações. Saibam sustentá-lo com valores de amizade e compreensão, a fim de que o Amor lhes sustente imorredoura ventura.

***

As religiões não estão no Mundo para separar os que se amam. Pelo contrário: faz parte de seus objetivos a união de todas as criaturas humanas, sem a qual fica impossível caminhar ao encontro do Criador.

Infelizmente, vasta maioria de fiéis esquece-se desta realidade simples, prendendo-se a questiúnculas teológicas, usando-as como floretes de esgrima, a se ferirem mutuamente, levantando barreiras insuperáveis entre si, como se desconhecessem o essencial: somos todos filhos de Deus!

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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