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Jesus, O Cristo Consolador

Enviado em 23 de novembro de 2016 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Juliana Chagas

Jesus

Escrever sobre os ensinamentos de Jesus, além de ser um assunto muito importante, é também bastante oportuno principalmente num momento tão difícil como esse em que estamos atravessando atualmente.

No meio de tanta pobreza, miséria, violência e principalmente de tantas doenças, as pessoas vivem se perguntando o porquê de tanto sofrimento, mas não encontram respostas precisas para essas indagações. Porque uns são tão ricos e outros tão pobres; uns tão calmos e outros tão agressivos; uns sadios e outros tão doentes? Porque toda vez que a ciência médica consegue erradicar uma doença grave, logo em seguida aparece outra mais grave ainda?

Para algumas é uma injustiça da natureza, para outros, é castigo de Deus, mas essas afirmações são apenas suposições, porque a resposta verdadeira elas só irão encontrar nos ensinamentos de Jesus. Por isso Ele disse: “Conheça a verdade e a verdade te libertará”. Portanto, é somente conhecendo essa verdade que se terá uma explicação correta para essas questões.

Algumas dessas pessoas, por ainda não conhecerem a verdade, toda vez que se deparam com algum fato ou alguma situação com a qual não concordam, acham que aquilo não está certo. Quando veem, por exemplo, uma família rica, morando em uma casa luxuosa e cheia de conforto, e por outro lado, outra pobre, passando fome, vivendo na miséria e morando em um barraco de favela, dizem assim: Como a natureza é injusta, uns com tanto e outros sem nada.

Quando algum algum parente, ou ela própria sofre algum tipo de violência física, mental, ou patrimonial, sem ao menos procurar saber os motivos e as circunstâncias que levaram o agressor a cometer aquele atentado, a primeira ideia que lhe vem à mente é de agir da mesma forma retribuindo aquele mal com outro igual ou ainda maior, por meio da vingança

Também, quando veem alguém alegre, feliz, forte, cheio de saúde, e tem um filho, um irmão, um pai, uma mãe, um parente qualquer ou até mesmo um amigo sofrendo de uma doença dita incurável, acham que aquela pessoa não merecia isso, atribuindo a culpa ao Criador. Se alguém com que não simpatizam está acometido de uma moléstia grave, dizem assim: – Isso é castigo de Deus.

Se for alguém de sua amizade, e até como consolo: – Paciência, é a vontade de Deus, ou então: – Fazer o que? – Foi Deus que quis assim. Elas acreditam que o culpado por tudo o que acontece de ruim é o nosso Pai Celestial, quando, na verdade a responsabilidade é da própria pessoa, já que foi ela quem provocou aquela situação com as suas atitudes, através da maneira de ser, agir, falar ou até mesmo pensar. Desse modo, esse pensamento é totalmente equivocado, pois Deus não castiga ninguém nem lhe impõe enfermidades, assim como não é de Sua vontade que alguém fique doente.  Como bom pai Ele só quer o bem dos seus filhos, sendo assim, não existe nada em Deus ou na natureza que seja injusto.

Mas, para poder entender melhor por que tudo isso acontece, temos que voltar um pouco às nossas origens.

A Doutrina Espírita nos ensina que Deus criou os espíritos simples e ignorantes, mas, todos em condições de igualdade, portanto, não criou uns ricos e outros pobres nem uns sadios e outros doentes, Ele os fez, sem nenhuma exceção, com as mesmas possibilidades de progredir até alcançar a condição de espíritos puros. No entanto, para alcançar essa pureza, nessa caminhada evolutiva, todos deverão passar por uma experiência no mundo material, usando um corpo físico a fim de desenvolver sua inteligência.

Embora cada um tenha a faculdade de agir de acordo com a sua consciência, todos deverão respeitar e cumprir fielmente as Leis Divinas que foram deixadas gravadas nas suas consciências, pois cada infração a essas leis se constitui num mal, e todo mal, mais cedo ou mais tarde terá que ser resgatado, não diz aquela máxima cristã que a semeadura é livre, mas, a colheita obrigatória?

Ocorre que aqueles espíritos encarnados aqui na Terra, depois de conhecerem os prazeres do mundo, esqueceram completamente os Mandamentos Divinos e, usando o seu livre arbítrio começaram a praticar todo tipo de infração. Alguns, movidos pelo egoísmo e pela ambição passaram a praticar o mal contra os seus semelhantes, os mais fortes, ao invés de proteger os mais fracos, como manda a lei, trataram de subjugar, explorar e até escraviza-los.

Em razão disso, os ricos foram ficando cada vez mais abastados, e os mais pobres, mais miseráveis. Essa situação de desigualdade acabou provocando o ódio, o rancor, o desejo de vingança e a violência, cujo sentimento foi fazendo com que os órgãos que compõem o corpo físico fossem ficando cada vez mais debilitados e indefesos, abrindo as portas para aquelas moléstias chamadas psicossomáticas.

Outros, para sua satisfação pessoal, passaram a praticar o mal contra si mesmos usando e abusando do próprio corpo através dos vícios como a gula, o alcoolismo e as drogas, e esse abuso, aliado ao desgaste energético natural, foi fazendo surgir as doenças orgânicas que os levariam de volta ao mundo espiritual na condição de devedores insolventes.

Diante dessa situação, vendo que em apenas uma existência terrena seria impossível os espíritos repararem os males praticados, o Criador, na Sua divina benevolência, permitiu que cada um pudesse a ela retornar quantas vezes fosse necessário, mas, em cada uma delas usando um corpo físico diferente do anterior, portanto, não sendo possível o resgate naquela encarnação, ficaria para a próxima, não podendo ser na próxima ficaria para a seguinte, e assim sucessivamente, até consegui-lo, e aquele mal fosse totalmente compensado.

O tempo foi passando e a situação piorando cada vez mais; os mais pobres sendo escravizados pelos mais ricos; os mais fracos esmagados pelos mais fortes sem qualquer sentimento de compaixão. Em razão disso, a pobreza, a fome, a miséria e as doenças foram se espalhando por toda parte, até que por volta do ano 747 depois da fundação de Roma, um Espírito da mais alta hierarquia celestial foi enviado a Terra, com a missão de, entre outras, consolar aquele povo tão sofrido e mostrar a ele por que aqueles fatos aconteciam. Esse Missionário nasceu na cidade de Belém, na Judéia e recebeu o nome de Jesus.

No entanto, não obstante sua condição de Missionário Celestial, Jesus só veio a ser revelado publicamente como o Cristo Consolador, depois de se tornar adulto e ser batizado no rio Jordão.

Naquele dia, assim que terminou o ritual do batismo, João Batista dirigiu-se à grande multidão que assistia, e apontando para o Mestre disse: “Eis o cordeiro de Deus que veio tirar os pecados do mundo”.

Foi daí para a frente que começou realmente a sua tarefa missionária. Ele passou a percorrer as cidades, os povoados, as vilas e as casas pregando o Evangelho, curando os doentes, e acima de tudo levando palavras de consolo aos pobres e oprimidos.

Alguns aceitavam aquilo que Jesus pregava, porém, a maioria achava que os seus ensinamentos estavam indo de encontro à lei mosaica. Moisés havia instituído a Pena de Talião, olho por olho e dente por dente, onde o castigo pelas infrações às Leis Divinas seria aplicado pelo próprio homem, enquanto isso, Jesus, em suas pregações, sempre se referia à lei de causa e efeito, dizendo que a cada um será dado conforme a sua obra.

Portanto, o castigo seria consequência da própria lei, ou seja, cada um colheria aquilo que houvesse semeado, por isso advertia que: “quem ferir pela espada, pela espada será ferido”; “não julgues para não seres julgado”, e toda vez que curava um doente que já havia resgatado suas dívidas, dizia: “Vá e não peques mais para que algo muito pior não te aconteça”.

Na realidade, a lei era a mesma, a diferença estava somente na maneira de interpretá-la, por isso Ele dizia que não veio para destruí-la, mas para explicar, modificar onde fosse necessário e fazê-la cumprir. Jesus continuou a sua missão e durante toda a sua permanência aqui na Terra, sempre dirigiu sua atenção a todos os necessitados indistintamente. Fosse homem ou mulher, criança ou adulto, rico ou pobre, jamais deixou de ajudar aqueles que o procuraram.

Da mesma forma que curou uma menina muito doente, filha de um senador romano, portanto um homem bastante rico e poderoso, também curou a cegueira de um pobre homem que passava o dia inteiro sentado à beira da estrada de Jericó pedindo esmolas, sem ter o que comer nem beber.

Além de não fazer nenhuma distinção entre ricos e pobres, Jesus se dedicava também, aos aflitos, sempre lhes dando palavras de fé, de esperança e de consolo. Àqueles que se sentiam esquecidos por Deus, dizia que nenhuma ovelha seria desgarrada, e aquela que se perdesse pelo caminho, mais tarde voltaria ao rebanho. Nessas palavras o Mestre compara o homem aflito, com uma ovelha desgarrada.

Aquele animal, por ser ingênuo e só conseguir enxergar aquilo que está a alguns metros à sua frente, quando se perde não sabe voltar, e só encontra o caminho de volta quando ouve a voz do seu pastor. Assim também é o homem que vive em desespero, mas que quando conhece os ensinamentos cristãos, encontra um verdadeiro consolo para as suas aflições e se sente mais aliviado.

Naquela época havia vários funcionários do governo, encarregados de arrecadar os impostos, e que eram chamados de publicanos. Aqueles homens, em razão da exploração das taxas que cobravam daquela gente, enriqueciam às custas daquele tributo exagerado, e por esse motivo eram muito odiados pelo povo. Mas, como toda regra tem suas exceções, entre eles havia um, chamado Levi, que era muito pobre e humilde, mas honesto e justo, porém, muito triste, por que se sentia deserdado por Deus, e só pelo fato de ser um publicano, achava que já estava condenado às penas eternas.

Certa vez, Jesus, estando fazendo uma pregação, avistou Levi no meio da multidão. Como já sabia da sua honestidade, bem como da tristeza que tinha por pensar que quando morresse iria para o inferno, aproximou-se dele e perguntou-lhe se se sentia satisfeito com o trabalho que realizava, e ele respondeu que sim, pois, apesar de ser um pobre e excomungado arrecadador de impostos, mas, pela maneira honesta e justa que executava sua tarefa, tinha a consciência tranquila.

Para consolá-lo, Jesus disse-lhe para sossegar o espírito porque ele era um homem bom, um homem de bem, e de coração puro e o que Deus leva em conta é aquilo que vai no coração de cada um. Essas palavras foram pronunciadas com tanta firmeza e com tanta autoridade, que no final da palestra Levi se retirou e foi para casa com o coração bem mais aliviado, e depois de algum tempo acabou se tornando um apóstolo de Jesus com o nome de Mateus.

Nessa mesma pregação, vendo que havia muitos pobres e muitos doentes na multidão, Jesus, dirigiu-se a eles com o seu olhar piedoso e com a mesma firmeza nas palavras, disse: “Bem-aventurados os que sofrem miséria e doenças, por que pagam nessa vida as suas dívidas”.

Esses dizeres, quando bem compreendidos não deixam de ser um grande consolo para aqueles que estão sofrendo.

Foram inúmeras as palavras consoladoras de Jesus, mas, talvez as que tenham causado maior impacto tenham sido aquelas que pronunciou durante uma pregação que ficou conhecida como O Sermão da Montanha. Foi ali que ficou devidamente comprovado que Ele veio à Terra também com a missão de trazer consolo aos aflitos. Perto da cidade de Cafarnaum havia um morro de aproximadamente 50 metros de altura, e, como o lugar era bastante propício, o Mestre decidiu ali fazer uma pregação. Naquele dia, sabendo que haveria uma pregação naquele local, uma enorme multidão para lá se dirigiu.

Ele chegou, acompanhado de seus discípulos, e depois de saudar a todos, subiu no alto do monte e começou a pregar o Evangelho. Depois de divulgar as bem-aventuranças e ensinar aquelas pessoas a rezar o Pai Nosso, vendo que todos ouviam atentamente as suas palavras, afirmou que aquele que cumprisse fielmente aquilo que estava sendo ensinado seria como um homem que constrói uma casa sobre a rocha; pode vir a tempestade que, nem o vento nem a enxurrada conseguirão derrubá-la. Para finalizar os trabalhos Ele disse a seguinte frase: “Aquele que quiser se salvar pegue a sua cruz e siga as minhas pegadas”. “Vinde a mim os aflitos que serão consolados por que o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Hoje sabemos que diante do estado de ignorância dos homens daquela época, para poder se fazer entender, Jesus sempre fazia comparações usando de alegorias e de parábolas em seus ensinamentos, por isso precisamos analisar bem as suas palavras para podermos entender o que realmente quis dizer.

A cruz a que se refere, representa as dores e os sofrimentos pelos quais temos que passar durante o resgate das nossas dívidas; as suas pegadas são os seus ensinamentos. Jugo é aquilo que prende, que atrela. Antigamente, alguns fazendeiros criadores de gado usavam uma peça de madeira em forma de triângulo, que era colocada no pescoço dos bois para evitar que pulassem a cerca e fugissem. Pelo fato dessa peça estar atrelada à jugular do animal, era chamada de jugo, portanto, como estamos presos e atrelados às leis divinas, o nosso jugo são essas leis as quais estamos subordinados. O fardo é a maneira pela qual suportamos as nossas dores e os nossos sofrimentos. Se as aceitamos com paciência e resignação serão menores, porém, se nos revoltamos e nos rebelamos evidentemente serão muito maiores, portanto depende de cada um aceitá-las ou não.

Depois de analisar e refletir sobre todas essas palavras proferidas por Jesus, a conclusão que se tem é que a pobreza, a miséria e as doenças não devem mais ser motivo para tantas aflições, revoltas e desespero. É claro que ninguém quer viver na miséria nem sofrer algum tipo de doença, mas, de acordo com esse ensinamento, aquele que estiver nessa condição, ou tiver um pai, uma mãe, um irmão, um filho ou um parente qualquer passando por uma situação dessas não deve, jamais, pensar que é pela vontade de Deus, ou porque Ele quis assim.

Se estiver vivendo na pobreza, pode ser que em uma encarnação passada tenha sido rico, mas não tenha usado sua riqueza para a prática do bem, e quando desencarnado, na espiritualidade, arrependido e desejoso de reparar aquele mal, tenha rogado à Providência Divina para renascer na pobreza, portanto, está passando por uma prova que ele mesmo escolheu antes de reencarnar; se tiver sido vítima de alguma violência tudo leva a crer tratar-se de uma resposta da lei de causa e efeito, já que o Mestre Jesus advertiu que a cada um será dado conforme as suas obras; se estiver sofrendo de alguma doença, é bem provável que em uma existência passada, ou até mesmo nesta, não tenha aproveitado a sua saúde e abusado do corpo físico, nesse caso está expiando uma falta cometida. Sabemos o quanto é difícil aceitar essa verdade, mas, a culpa por esse sofrimento é somente dele, pois está colhendo aquilo que ele mesmo semeou no passado. Por isso Jesus, chamou de bem-aventurados os que sofrem misérias e doenças.

Em resumo, de acordo com o que nos foi ensinado pelo Cristo Consolador quando nos recomendou conhecer a verdade para que ela nos libertasse, quis dizer que; no dia em que cada um compreender que todas as situações de miséria, de pobreza e de doenças que estiver passando é consequência de erros que cometeu no passado, estará pegando a sua cruz; – no dia em que cada um começar a respeitar e cumprir fielmente as leis divinas, estará seguindo as suas pegadas; – no dia em que cada um  compreender a importância e a necessidade dessas leis para a sua evolução espiritual, elas não lhe parecerão tão duras, consequentemente o seu jugo também será suave; – por fim, no dia em que cada um aprender a suportar essas dores e esses sofrimentos sem inconformismo, sem reclamações e sem blasfêmias, mas com muita fé, esperança e resignação, vendo essas vicissitudes, não como castigo de Deus ou injustiça da natureza, mas sim, uma oportunidade que está sendo dada para poder resgatar suas dívidas ainda nesta vida, será muito mais feliz, e sofrerá muito menos, por que, com toda certeza o seu fardo estará muito mais leve.

Essa é a verdade que Jesus nos recomendou conhecer.

 

Foto ilustrativa: artistwebsites.com

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