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Enviado em 9 de junho de 2017 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Rádio Boa Nova

Um dos mais famosos filósofos gregos foi Protágoras (480-410 a.C.), de cujas ideias temos apenas fragmentos, com destaque para a frase famosa: O Homem é a medida de todas as coisas.

Concepção perturbadora. Significa que o bem e o mal, o certo e o errado, a moralidade e a imoralidade, tudo que envolva a sociedade humana, só pode ser conduzido em relação aos interesses e necessidades do Homem, atendendo aos tempos e aos costumes, de acordo com suas conveniências.

Só é admissível o conhecimento que se possa assimilar mediante os sentidos físicos, pondo em dúvida, portanto, princípios como a imortalidade da alma, a vida além-túmulo, a presença de Deus…

Indagado sobre a existência dos deuses, enfatizava: Nada posso dizer de concreto. São muitas as coisas que ocultam o saber: a obscuridade do assunto e a brevidade da vida humana.

Aplicadas ao cotidiano, essas ideias induzem a uma concepção utilitária e imediatista da existência, sem cogitações superiores. Na verdade, mesmo sem conhecer o sábio grego, o homem comum tende a viver dessa forma, orientando suas iniciativas em torno de seus interesses. Ainda que concebendo a existência de um ser superior, que tudo vê, não tem grandes preocupações com isso.

É ele sempre a medida das próprias ações. Em tudo o que faz, prevalecem seus desejos, sob inspiração do egocentrismo que lhe marca as aspirações e atividades, pretendendo que a vida gire em torno de seus desejos.

Quando ligado à religião, dificilmente ultrapassa as águas da superficialidade, interessado em garantir seu bem-estar, na medida de suas necessidades, sem nenhuma preocupação em observar as medidas de sua crença.

O conceito de Protágoras é derrubado pela Doutrina Espírita, que desdobra para nós a vida espiritual, com testemunhos e experiências daqueles que partiram.

Fossem os princípios espíritas mera questão de fé e continuaríamos sujeitos à mesma medida – nós mesmos –, dispostos a aplicá-los de conformidade com nossas conveniências.

Ocorre que o enfoque espírita é o da razão, desdobrando-nos realidades que transcendem as limitações dos sentidos. Então, o apelo espírita deixa de ser uma questão de crença, condicionada à aceitação, e passa a ser um imperativo do conhecimento, orientado pela razão.

O reconhecimento das realidades espirituais impõe mudanças também nas medidas que utilizamos na vida de relação, convocados a superar mesquinhos interesses particulares, em favor de nobres ideais.

Um aspecto importante: A tendência arraigada no espírito humano, de julgar o comportamento alheio, usando por medida nossas próprias mazelas. Diz Jesus (Lucas, 6:37-38):

Não julgueis, para não serdes julgados, não condeneis, para não serdes condenados; perdoai, e vos será perdoado. Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também.

O que vemos nos outros é, geralmente, o que há em nós. Jesus enfatiza que isso nos causará problemas, quando convocados a prestar contas de nossas ações diante da justiça divina.

Com o Espiritismo temos ilustrações perfeitas sobre o assunto, a partir do intercâmbio com o Além. Observamos, compadecidos, a situação daqueles que assim o fizeram durante a jornada humana. Sofridos e atormentados, é como se advertissem:

– Cuidado. Alimento-me de amargos frutos que você também colherá, se não mudar a medida de suas ações…

Superada a máxima de Protágoras pela revelação espírita, que transcende os acanhados sentidos físicos, uma providência se impõe à nossa iniciativa: Utilizar a régua evangélica, insistentemente enfatizada nas abordagens doutrinárias.

Ela nos permite identificar a gloriosa presença de Deus no Universo, e avaliar a precariedade e o perigo de nossas medições quando apreciamos a vida e o próximo com a métrica de nossas fragilidades.

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