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Meu pé de Acerola

Enviado em 25 de junho de 2014 | No programa: Pensamento e Vida | Escrito por Antonio Carlos Tarquinio | Publicado por Rádio Boa Nova

Pé de acerolaA pequena muda nos chegou lá de Ourinhos pelas mãos de dona Amélia que na verdade não se chamava Amélia.

Explico: os japoneses que aqui chegaram para viver e trabalhar nas lavouras nos interiores do Estado de São Paulo haviam por hábito batizar os descendentes nascidos aqui com um nome de fachada, no caso Amélia, e com outro oficial que ia para o registro Civil, no caso Toschie. Seja.

Comentei com o Biazeto de passagem por minha casa que havia plantado a tal muda de acerola. Ele me disse que o pai dele já tinha tentado a empresa e falhará.  – Olha Tarqua, não é planta adaptada ao nosso clima, disse o especialista…

No entanto, contradizendo todas as previsões negativas biazetanas não é que a mudinha pegou?

E disputando ombro a ombro o espaço com uma enorme Jabuticabeira de um lado, e um limoeiro de outro, pôs-se a produzir tanto, mas tanto, que os vizinhos ao avistá-la do lado de fora de casa, enquanto iam pela calçada, aqueles com vergonha de pedir, me procuravam com os olhos pelo jardim para puxar prosa:

– Bom dia.

– Bom dia.

– Nossa como carregou hein?

– Verdade.

– O senhor quer levar um pouco?

– Ufa! Já estava achando que ele não ia me perguntar. Excogitava consigo mesmo o vizinho…

– Levo sim, se não for incomodo…

E estragava muito mesmo. Então decidi recolher as caídas no chão, e para não jogá-las no lixo, as reunia num canto do terreno. Resultado: nasceu mais um pé úbere de acerola no quintal. Agora são dois a produzir o ano todo. E diante da manifestação de abundância e fertilidade do pé de acerola me pus a meditar.

Quantas pessoas não interrompem fecundas atividades por falta de incentivo ou excesso de crítica? E o pé de acerola, apesar dos ventos contrários, segue a frutescer, ignorando totalmente críticas e elogios… Ele sequer levou em conta minha descrença em relação ao seu crescimento e desenvolvimento quando ainda era simples muda.

Muita gente espera reconhecimento dos que seguem com elas, nas atividades que lhes são próprias, e se não recebe aquilo que espera, desiste do empreendimento.

É porque não devemos realizar as coisas para os outros notarem, mas operá-las com vistas a nós mesmos. Buscar aquilo que nos agrade e realize, para que seja executado com coração, e que isso nos baste…

Quando eu crescer quero ser como o pé de acerola que faz o bem sem olhar a quem, produzindo seus frutos sem perder tempo com alheias opiniões.

E quantas vezes não vimos boas criaturas abandonarem entristecidas o trabalho voluntário que efetuavam com amor, por haverem recebido na face o golpe da censura descabida de corações insensíveis?

 

Foto ilustrativa: lounge.obviousmag.org

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