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“Mediunidade é a faculdade humana, natural qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.” Centenário de J. Herculano Pires

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Morrer em paz

Enviado em 1 de abril de 2017 | Escrito por Antonio Carlos Tarquinio | Publicado por Rádio Boa Nova

imagem de um cachorro beagle com o pescoço levantado nas cores branco, preto e marromAgora temos o clarêncio.

O clarêncio comparado ao Bartolomeu (aquele boxer bonitão de que já falei aqui) – um humanista nato e pouco afeito a qualquer tipo de violência – eu diria que é no mínimo um pouco afoito.

Como todo boxer possui um bom “caráter”, em geral não se espera que algum seja, por exemplo, um mordedor de medo. Explico: aquela grei de cães que aguarda você passar para em seguida morder seu calcanhar de modo desleal e traiçoeiro. Não.

Por outro lado, não podemos contar com sua clemência quando algum pombo ou rolinha dá mole na sua frente.

O clarêncio, uma vez nos surpreendeu, quando contava com poucos meses de vida, ao entrar na cozinha de casa com uma rolinha ainda viva na boca. Meu Deus do céu! Foi um pandareco! Todo mundo correndo atrás dele pela casa e no final só abriu a boca à força, e a pobre da rolinha… Vou dizer vai… Saiu aos pedaços de lá.

Profetizei aos gritos “Trouxemos um assassino prá nossa casa!”

Que nada. Ele era muito pequeno para entender o que queríamos dele, então apenas fez o que faz qualquer cão de focinho curto. Travou a mandíbula.

Eu havia acabado de chegar a casa e olhando por cima do muro perto da jaboticabeira vi o clarêncio – agora um adolescente – dando uma acossa num passarinho. Gritei de lá, “deixa, deixa!” e corri para socorrer o perseguido. Ele deixou. E qual não foi minha surpresa quando notei se tratar nada mais nada menos que de um sabiá-laranjeira.

Venho encontrando ao longo dos anos, borboletas, besouros, como também passarinhos – outro dia foi um gato bem doentinho e já definhando – todos parecendo procurar um lugar em nosso quintal para simplesmente morrer em paz.

A esta altura do campeonato o Bartolomeu e a mel, ambos bem mais velhos do que o clarêncio se uniram à caçada do pobrezinho.

É que o tal sábia escondera a cabeça atrás de uma churrasqueira velha (que está só o pó) deixando o resto do corpo de fora, e lá fui eu acalmar o “povo” e tirá-los de lá.

Realizei meu intento com sucesso, e no passar das horas o pássaro sumiu. Pensei comigo mesmo: recuperou-se e foi-se embora.

No outro dia quando fui pegar uma ferramenta no fundo do quintal encontrei o pobrezinho já falecido num canto do terreno, sem arranhão ou machucado visível.

 

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