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Não, não estou feliz!

Enviado em 16 de julho de 2014 | No programa: Na Próxima Dimensão | Escrito por Equipe Programa Na Próxima Dimensão | Publicado por Rádio Boa Nova

Mão fazendo o sinal de negativo

Se me perguntarem:

– Você está triste por causa da derrota da seleção brasileira para a Alemanha?

Eu repondo:

– Não! Não estou triste!

É claro que não estou feliz, e não posso torcer contra, ou ainda, ser do grupo dos que só criticam e “quanto pior melhor”. Isso não! Mas, que não fiquei triste, não fiquei!

Quem sabe agora, não com a derrota – que faz parte de qualquer esporte – mas, sim, com a maneira como fomos derrotados, um acachapante 7 X 1, possamos “acordar”, e deixarmos as ilusões de lado. Aprendermos a valorizar a competição, ou melhor dizendo, a vida, valorizando o outro.

Enxergando no próximo a nós mesmos, podendo assim nos corrigirmos, e nos melhorarmos a cada dia. O adversário foi muito, mas muito melhor. Só os virtuosos reconhecem suas limitações e a superioridade do oponente, apreciando o prélio e não a conquista em si.

Agora, como posso estar feliz, se há alguns dias, o viaduto construído em Belo Horizonte – sabe-se lá a que preço – para facilitar o acesso ao estádio da “tragédia”, e que seria um dos “legados da copa”, veio abaixo matando duas pessoas e ferindo outras vinte e duas – isso sim uma tragédia – que exceto pelas vítimas e seus familiares já estava esquecida, pois só se noticiava o “trauma” do Neymar…

Com todo respeito a esse jovem e talentoso jogador, ele recebeu e receberá o melhor tratamento que o dinheiro pode comprar. E os feridos desse desabamento também receberão? Não, com certeza não, pois já foram “esquecidos”, assim como os dois que tiveram suas vidas ceifadas, a semelhança dos trabalhadores que na construção dos estádios perderam suas vidas.

Como posso estar feliz se vejo, ou melhor, não vejo o padrão Fifa em nossos hospitais, escolas, serviços e transporte público, enfim, em toda a infraestrutura de nosso país?

Como posso estar feliz se vejo, o Brasil na realização da Copa isentar a Fifa de impostos e nos taxar com uma das maiores cargas tributárias do mundo?

Como posso estar feliz se vejo, movimentos organizados invadirem e destruírem propriedades públicas e privadas, com anuência e recebimento de verbas do governo, e se auto intitulando trabalhadores?

Como posso estar feliz, “se nunca antes na história desse país” convivemos com tanta corrupção e impunidade juntas?

Não, não estou triste pela derrota de 7 X 1. “Se nunca antes na história desse país” passamos por um vexame futebolístico desses, quem sabe ela não será o marco divisor, entre a Era do “país do futebol, carnaval e novela”, para o País da Educação, Justiça e Humanidade.

O que me deixa feliz, é saber que apesar de tudo, em grande parte, somos uma nação formada por pessoas boas, alegres, honestas, solidárias… Nossos heróis verdadeiros não são os craques do futebol não! São esses pais e mães de família, que mal remunerados, apesar de toda as adversidades acordam cedo, caminham, pegam trens, ônibus e metrôs superlotados, e mesmo assim não desistem e vão à luta.

Fazem o que é certo e confiam que dias melhores virão. Oxalá em outubro, nas próximas eleições, não por esse resultado da copa, mas por nossas consciências, através do voto e posteriormente da cobrança daqueles que elegermos para nos representar, comecemos a operar as mudanças necessárias para que sejamos uma nação digna de orgulho, justa e soberana, independentemente dos resultados esportivos.

 

Wantuil Novaes – Tuca (colaborador do programa Na Próxima Dimensão).

 

Foto ilustrativa: exame.abril.com.br

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