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O Bom Samaritano e Nós

Enviado em 24 de novembro de 2016 | No programa: Espelho da Vida | Escrito por Osmar Marthi | Publicado por Juliana Chagas

Aprendemos com a Doutrina Espírita que Jesus é “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao Homem para lhe servir de guia e modelo.” 1  por isso entendemos ser Jesus nosso Mestre, aquele que nos ensina o caminho (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”) 2, caminho esse que devemos trilhar, seguir, dentro da liberdade que Deus nos concede.

Moradora de rua sentada

E dentre os preciosos e divinos ensinamentos de Jesus, que são para nós referência de postura, de atitudes concretas em nossa vida, encontramos as parábolas, pequenas histórias que Jesus nos traz, baseadas no dia a dia dos homens de então, de extrema profundidade e atualidade, até porque, sempre apreciamos uma história, daí o sucesso de romances, filmes, novelas, histórias em quadrinhos, etc.

Das parábolas que Jesus contou, uma para mim é especial. A Parábola do Bom Samaritano 3 por sua capacidade de ensinar tanto em tão poucas linhas. Trata-se da história de um homem assaltado na estrada de Jerusalém a Jericó, abandonado no caminho, espancado, deixado semi morto, quando por ali passam um levita e um sacerdote (ambos homens ligados à religiosidade) , olhando para o homem mas não se detendo quando  a seguir passa um samaritano que cuida daquele homem, levando-o a uma hospedaria e pagando por suas despesas.

Aqui precisamos nos deter e observar porque Jesus coloca um samaritano nessa história. Ensina-nos Kardec 4 que “Após o cisma das dez tribos, a Samaria se constituiu a capital do reino dissidente de Israel (…) aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas(…) Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos” e Jesus conta nessa história que  justamente o samaritano, alvo de preconceitos, considerado impuro, “diferente”, motivo de nojo por parte dos ditos “normais” da época foi o que se sensibilizou com seu próximo, tendo uma atitude fraterna, solidária com ele, o que se esperaria aliás daqueles ligados à religiosidade.

Com isso Jesus nos mostra, além da questão da caridade que devemos ao próximo, que aquele que é alvo de preconceitos em uma sociedade, é tão ou mais desenvolvido moralmente, mais capacitado, mais preparado, mais maduro moralmente, mais fraterno e que também pode contribuir para essa sociedade ser melhor.

E hoje? quem são os samaritanos modernos? Aqueles que são alvo do preconceito, da injúria, da violência, do desrespeito? Talvez negros, homossexuais e outras “minorias”, ou partidários políticos deste ou daquele pensamento, torcedores do time de futebol A, B ou C, que também contribuem para nossa sociedade, tendo qualidades e falhas morais, como todos, mas que, em razão do orgulho, egoísmo e de um preconceito doentio, são alvo de críticas acerbas. Nessas posturas radicais, fundamentalistas, falta a coerência com a fraternidade, a compreensão, o acolhimento e a mais básica noção de respeito  ensinados por Jesus e que deveria estar presente inclusive, e principalmente, no pensamento e atitudes daqueles que se consideram seus seguidores.

Que não ocorra o mesmo conosco, que encontramos no Espiritismo respostas para todas as inquietações humanas, que nos traz límpida e pura a mensagem singela e profunda de Jesus. Seja nossa atitude igual a nossas palavras, de respeito, compreensão e sobretudo entendimento do ser espiritual que somos 5, por isso ricos na complexidade que nos caracteriza, mas também no Amor que nos une, Amor este profundamente ensinado e vivido por Jesus, que sempre nos ensinou a tolerância com os diferentes, mostrando que somos todos irmãos,  portadores de virtudes, qualidades e falhas morais,  semelhantes, porque emanados de Deus mas únicos porque assim quis o Criador.

 

1 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec – questão 625

2 – Evangelho de João, cap. 14, vers. 6

3 – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec – Cap. XV, item 2

4-  O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec – Introdução, Item III

5 –  A Gênese, Allan Kardec – Cap. XV – item 28

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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