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O Espiritismo e a Criminalidade

Enviado em 24 de setembro de 2015 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Bismael Moraes | Publicado por Juliana Chagas

As manchetes e as notícias, mais uma vez, trazem a tona atos e fatos que nos amedrontam e entristecem: a violência e o Mão acorrentadacrime, desafortunadamente, são objeto de medo, dores, lágrimas e comentários pouco edificantes. Mas, como espíritas, devemos estar alertas: lembremo-nos de que o mal não crescerá, se acreditarmos no bem e nele persistirmos, mesmo nos momentos difíceis.

Quando falamos de coisas sérias, sem preconceito, para pessoas sensíveis e espiritualizadas, de todos os matizes, e, particularmente, adeptas da “fé raciocinada”, que conhecem e exercitam os ensinos dos Espíritos Superiores, em regra, podemos ser bem compreendidos. Por isso, neste momento em que a sociedade brasileira, novamente, é surpreendida e acuada com a violência e uma avalanche de crimes e de notícias aberrantes, divulgadas por todos os meios de comunicação, faz-se oportuna, ao invés da crítica ácida e fácil, que façamos uma pausa para reflexão sobre o que temos realizado de bom, qual tem sido a nossa contribuição como espíritas, para evitar ou diminuir tudo isso.

Onde está a nossa fé – e mais do que a fé – o nosso empenho sincero pela paz social ? Devemos estar vigilantes, pois sabemos do significado de “orar e vigiar”.

Parafraseando o Apóstolo Paulo

Parafraseando o apóstolo Paulo, ou São Paulo, de que “fora da caridade, não há salvação”, podemos afirmar que “fora da prevenção criminal, não há segurança pública”. Aliás, ao analisar a lição do Cristo, de que devemos “conhecer a verdade”, pois esta nos libertará da ignorância e do preconceito, verificamos, com tristeza, uma reiterada preferência pela “repressão” e pelo “combate ao crime”, talvez por desconhecimento da matéria, ou por interesses escusos, ou por mera comodidade irrefletida.

Espíritas que somos,sabemos que, por força de leis naturais ou Leis Divinas (que o ser humano não instituiu, nem derroga), pelos nossos atos, refletidos ou irrefletidos, sujeitamo-nos às leis de Ação e Reação. Assim, tudo o que fazemos, falamos ou pensamos acha-se conforme o nosso grau de elevação moral: podemos criar, armar, auxiliar, perdoar, como podemos destruir, odiar, condenar, abandonar.

Manipulação dos fluidos espirituais

No livro “A Gênese”, capítulo 14, Allan Kardec expõe: “Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas com o auxílio do pensamento e da vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem a tais fluidos esta ou aquela direção; eles o aglomeram, combinam ou dispersam…Mudam-lhe as propriedades como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo determinadas leis”. (Como logo se vê, o pensamento é força criadora ou destruidora, dependendo apenas da vontade do Espírito. E não nos devemos esquecer de que todos somos Espíritos encarnados e pensamos…).

A invigilância e o desequilíbrio

Por outro lado, como muito bem expõe a escritora Suely Schubert, “a invigilância é a porta aberta para os desequilíbrios”. E são inúmeros os momentos de invigilância – “revolta, ódio, idéias negativas, depressão, tristeza, desânimo, pessimismo, medo, ciúme, irritação, impaciência, maledicência, vícios…”. E no livro “Ideal Espírita” (do Espírito Scheilla), na psicografia de Chico Xavier, há uma advertência:”Toda vez que um destes sinais venha a surgir no trânsito de nossas idéias, a Lei Divina está presente, recomendando-nos a prudência de parar no socorro da prece ou na luz do discernimento”. O remédio mais indicado para esses instantes vem de Jesus: “orar e vigiar”, ou seja, melhorar o pensamento e prestar a atenção nos atos praticados.

Lucrando com ignorância e o crime

Já tivemos a oportunidade de escrever o seguinte: se forem modificadas todas a leis; se forem aumentadas todas as penas e diminuída a idade penal; se forem adquiridas todas as armas e munições, comprados coletes à prova de balas e veículos possantes; se forem construídos mensalmente mais quartéis, delegacias de polícia, fóruns criminais e penitenciárias; se forem instalados modernos aparelhos de comunicação e aperfeiçoados todos os métodos de estatística; se forem trocados os uniformes policiais e travestidos os agentes de super-heróis, à moda do cinema; tudo isso será em vão, se não houver predisposição em trazer à luz, para conhecimento de todos, os grandes grupos – econômicos, políticos, corporativos, industriais, comerciais, de segurança privada e de comunicação – que estão lucrando com ignorância, a doença, a miséria, a violência, o crime e o medo no seio do povo, silenciando quanto à prevenção possível e prodigalizando a insegurança, no aguardo da repressão rentável.

Não enxergar esta realidade palpável e gritante, caso não exista outro motivo para tal silêncio, faz o indivíduo diminuir-se como ser pensante, cozinhar em panela de pressão sem válvula de escape ou, no mínimo, dar pouco valor à vida.

O Espírito eticamente enfermo

Por fim, tomamos a liberdade de encerrar nossa visão sobre o problema da criminalidade e da violência, com um pequeno trecho de abertura de nosso modesto livro ”Prevenção Criminal ou Conivência com o Crime – Uma Análise Brasileira” (RT/SP/2005), inscrito no concurso do “48º Prêmio Jaboti/2006”, da Câmara Brasileira do Livro:

“Independentemente de cursos, diplomas e títulos, assim como de nacionalidade, credos ou posições sociais e de outros qualificativos, o ser humano consciente, que não pense na prevenção contra a violência e o crime, nem se predisponha, direta ou indiretamente e por todas as maneiras possíveis, a exemplificar em favor da paz pública e privada, é um espírito eticamente enfermo, que precisa de auxílio para curar-se do medo e da insegurança a que, por ignorância, interesse ou preconceito, dá causa, e não pode, por isso, reclamar de um mal cujo antídoto acha-se dentro dele mesmo”.

 

Foto ilustrativa: http://www.freeimages.com/

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