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O Grande Tesouro

Enviado em 8 de janeiro de 2017 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Juliana Chagas

Há um tesouro de valor inestimável que Deus concede a to­dos nós para a grande jornada rumo à perfeição: o Tem­po, que como uma moeda, tem muitas divisões: o milê­nio, o século, o ano, o dia, a hora, o minuto, o segundo.

Relógio antigo

Se tomarmos uma porção de ouro e cunharmos uma moeda, poderemos dar-lhe o valor nominal de um cruzado novo. Este o valor inscrito, extrínseco, mas o va­lor real será muito maior, representado pela quantidade do precioso metal que utilizamos.

Algo semelhante ocorre com o tempo. Suas “moedas” têm uma cunhagem extrínseca, nominativa, que é idêntica para todos nós: um segundo, um século, um milênio. Mas seu valor real, intrínseco, dependerá do material com o qual “cunhamos” o nosso tempo, isto é, o que estamos fazendo dele.

Onde estivermos poderemos adquirir valiosos patrimônios de experiência e conhecimento, virtude e sabedoria, se não deixarmos que se escoem os minutos, as horas, os dias, os anos, mergulhados no sonambulismo que caracteriza tanta gente, que dorme o sono da indiferença, sob o embalo do sonho da ilusão.

O século marca, nominalmente, o período de uma vida, incluídos o estágio de preparação no Plano Es­piritual, antes da reencarnação, e o de readaptação após o desencarne. Mas o valor real do século dependerá do que fizermos dos três bilhões, cento e cinquenta e três milhões e seiscentos mil segundos que o compõem.

A bondade, o amor, a ternura, a mansuetude, a humildade, a compreensão, a paciência, a fé, são valores que “compramos” à custa de dedicação, renúncia, sacrifí­cio, esforço, mas são inalienáveis, jamais os perderemos, habilitando-nos à alegria e à paz onde estivermos, viven­do em plenitude.

Todavia, se não fizermos bom uso do tempo, um século será mera semeadura de vícios, rebeldia e desatinos, com colheita obrigatória de sofrimentos e perturbações.

Imperioso aproveitar as horas. Comecemos com o que há de errado em nós. O ví­cio, por exemplo, não representa apenas perda, mas também comprometimento do tempo, com repercus­são negativa para o futuro. Quantos minutos perde o fumante no ritual das baforadas? Quantas horas precisa trabalhar para alimentar o vício e o tratamento de moléstias decorrentes? Quantos dias de vida abreviará por comprometer a estabilidade orgânica? Quantos anos sofrerá depois, com os desajustes espiri­tuais correspondentes?

E o maledicente, quantos minutos perde diaria­mente, divagando sobre aspectos menos edificantes do comportamento alheio? E quantas existências gastará depois, às voltas com males que, a custa de enxergar nos outros, sedimentará em si mesmo?

O propósito de vencer um vício, a disciplina da palavra e das emoções, os ensaios de humildade, o treinamento da paciência, a disposição de aprender, o desejo de servir e muito mais, devem fazer parte de nosso empenho de cada dia.

Afinal, Deus nos oferece a bênção do Tempo pa­ra as experiências humanas, mas fatalmente recebere­mos um dia a conta pelos gastos, na aferição de nossa vida, como explica Laurindo Rabelo no notável soneto O tempo.

Deus pede estrita conta do meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas, como dar sem tempo tanta conta,
Eu que gastei sem conta tanto tempo!

Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz nada.
Não quis sobrando tempo fazer conta,
Quero hoje fazer conta e falta tempo.

O vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo:
Cuidai enquanto é tempo em fazer conta.

Mas, ah! se os que contam com seu tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não choravam como eu o não ter tempo.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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