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O Maravilhoso e o Sobrenatural

Enviado em 4 de janeiro de 2017 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Juliana Chagas

Escada escura com luz no finalO dicionário da língua portuguesa define maravilhoso como sendo aquilo que surpreende. Essa definição é até aceitável, mas, em termos, por que muitas vezes aquilo que parece maravilhoso pode não surpreender, assim como algo que surpreende pode não ser maravilhoso. Além disso, podemos usar esse termo também como ironia ou para desdenhar, reprovar e até criticar.

Essas considerações se fazem necessárias para mostrar que, atualmente podemos empregar o vocábulo maravilhoso para definir inúmeras e variadas situações, diferentemente do que ocorria antigamente, onde era usado apenas para alguns significados. No antigo Egito, por exemplo, essa palavra era empregada quase que exclusivamente para designar um fato, ou um ato, que aparentasse estar acima das leis naturais. Para aquele povo, ter contato ou consultar os mortos, curar um doente pela imposição das mãos, ou prever o futuro, era maravilhoso, portanto, sinônimo de sobrenatural.

As pessoas que tinham esses dons, eram chamadas de feiticeiras, magas, bruxas, mas não em sentido depreciativo, mesmo porque eram muito respeitadas, e até gozavam de certas prerrogativas. O estudo desses fenômenos, por exemplo, era reservado somente a elas, ninguém mais tinha esse privilégio; elas estudavam, falavam deles, mas, como não sabiam explicar os motivos e porque aconteciam, não havendo, portanto, uma explicação racional para aqueles atos, acreditava-se que eram maravilhosos.

No século XII, antes da era cristã, um espírito foi enviado à Terra com a missão de libertar o povo hebreu do cativeiro e conduzi-los ao caminho do bem. Esse missionário nasceu no Egito e recebeu o nome de Moisés. Certo dia, depois de receber, via mediúnica, o decálogo contendo os mandamentos da Lei de Deus, ele escreveu cinco livros que se tornaram lei com o nome de Pentateuco. Como a maioria dos feiticeiros cobrava pelas consultas realizadas, transformando aqueles seus dons em comércio, para coibir esse abuso, Moisés viu-se obrigado a proibir a comunicação com os mortos, cuja desobediência era severamente punida.

Durante quarenta anos Moisés divulgou as leis divinas ao seu povo, entretanto, como já estava com a idade avançada, sentindo que a sua missão aqui na Terra estava chegando ao fim, andava muito aborrecido pois a maioria dos homens, por ainda acreditar que os atos praticados pelos feiticeiros eram maravilhosos, persistia em continuar a eles recorrendo mesmo na clandestinidade. Porém, antes de retornar ao mundo espiritual, recebeu uma profecia prometendo que outro missionário seria enviado para dar continuidade aos seus ensinamentos.

Muitos séculos se passaram, quando, no ano 747 depois da fundação de Roma, o Missionário prometido foi enviado à Terra, nascendo na cidade de Belém, na Judéia, e recebendo o nome de Jesus.

Depois de se tornar adulto, Jesus iniciou a sua missão, curando inúmeros doentes, fazendo cego enxergar, mudo falar, paralitico andar, e realizando outros incontáveis atos, que até hoje algumas religiões, e algumas pessoas acreditam serem maravilhosos e sobrenaturais. A notícia de que Jesus, além de curar doentes também ressuscitava mortos logo se espalhou, pois havia devolvido a vida ao filho da viúva de Naim, à filha do sacerdote Jairo, e ao seu amigo Lázaro que, supostamente, haviam morrido.

Diante disso, houve uma divisão entre as crenças. Alguns aceitavam os ensinamentos cristãos, e outros não. Aqueles que eram contra achavam que eles estavam querendo destruir a lei mosaica. Moisés havia proibido a comunicação com os mortos, e consequentemente, a realização de atos maravilhosos e sobrenaturais, e enquanto isso Jesus curava doentes e até ressuscitava mortos, fazendo verdadeiros milagres, por isso os rejeitavam. A essas pessoas o Mestre disse que não veio para destruir a lei, mas, para explicar, corrigir onde fosse necessário e fazê-la cumprir.

Aqueles que os aceitavam, acreditavam também que, em razão dos atos, supostamente maravilhosos e sobrenaturais praticados por Jesus, ele seria o próprio Deus. O mestre contestou essa ideia dizendo o seguinte: “Se vocês acham que eu sou Deus por causa do que fiz e faço, então vocês também são deuses por que vocês podem fazer tudo o que fiz e faço”. Mas, apesar disso, eles continuaram acreditando que os seus atos eram maravilhosos.

Jesus continuou a sua missão até que foi preso e condenado a morrer na cruz, mas, antes de ser crucificado, vendo que não podia explicar tudo o que devia em razão do estado de ignorância daquele povo, prometeu que um consolador seria enviado para sanar as dúvidas que restaram, o qual ficaria para sempre entre a humanidade.

Com a sua crucificação, a lei de Moisés continuou em vigor, e a comunicação com os mortos permanecendo proibida. Em razão disso, e até para preservar a vida dos cristãos, os espíritos permaneceram semiocultos por vários séculos, diminuindo, assim, a realização dos atos maravilhosos, isso só ocorrendo esporadicamente e em locais diferentes, como no caso de um médico alemão chamado Franz Anton Mesmer.

Em 1775, um fato curioso chamou a atenção daquele médico. Ele percebeu que alguns de seus pacientes, mesmo sem receber qualquer tipo de medicamento, em pouco tempo ficavam curados. Depois de estudar minuciosamente aquele fenômeno, descobriu que quando impunha suas mãos sobre o enfermo, um fluido se desprendia delas e penetrava no corpo do doente, que ficava curado. E assim, mesmo sem saber que fluido era aquele e desconhecer a sua origem, durante vários anos continuou praticando aquele procedimento, para muitos, maravilhoso, que chamou de magnetismo animal,

Algumas décadas depois, outro fato curioso ocorreu na Suécia com um engenheiro chamado Emmanuel Swedenborg. Naquela época ele já se comunicava facilmente com os espíritos, mas achava que a prática daquele ato era um privilégio somente dele, e, como não havia uma explicação racional para aquele fenômeno, continuou a ser visto como um ato maravilhoso.

Muitos séculos já haviam se passado e o tempo da vinda do consolador prometido por Jesus estava chegando. Em 1847 um rapaz norte americano chamado Andrew Jackson Davis recebeu uma mensagem espiritual dizendo que dentro de um breve tempo seria iniciada a comunicação ostensiva dos espíritos em todos os cantos da Terra.

De fato, no ano seguinte os espíritos passaram a utilizar pessoas dotadas de sensibilidade para iniciar novos processos de comunicação com os encarnados em todas as partes do mundo, começando pelas irmãs Fox em Nova York, onde um espírito passou a se manifestar através de pancadas na parede e ruídos estranhos. Depois, surgiu na França o fenômeno das mesas girantes, onde algumas pessoas reuniam-se em volta de uma mesa, todas colocavam as mãos sobre ela que, em seguida, se manifestava, erguendo-se no ar e dando pancadas com os pés.

No começo, muitos não acreditavam, mas, como várias pesquisas foram feitas e comprovadas por pessoas sérias e dignas de confiança, aos poucos foram sendo aceitas. Depois de várias experiências, verificou-se que além, de se movimentarem elas também respondiam as perguntas que eram feitas e obedeciam às ordens que lhes eram dadas, gerando, com isso, uma desconfiança.

A partir daí pesquisadores, religiosos e cientistas começaram a surgir por toda parte formando grupos para investigar aqueles fenômenos. Em um desses grupos, na França, havia um renomado professor chamado Hyppolite Leon Denizard Rivail, homem sério e honesto, portanto, merecedor de toda credibilidade, o qual, ao constatar a existência das mesas girantes, resolveu estuda-las a fundo. Ele até aceitava a possibilidade delas se movimentarem através de uma força mecânica ou fluídica desconhecida, mas, atribuir inteligência a uma coisa material isso não admitia. Como não concebia a ideia de maravilhoso e sobrenatural, já que todo efeito tem que ter uma causa, ali também deveria ter uma, portanto, era preciso um estudo mais aprofundado para tentar encontrar uma explicação racional.

Durante uma sessão de estudos, um pintor muito conhecido chamado Charles Brunier, percebeu que o seu braço involuntariamente começou a se mover e, depois de sua mão pegar um lápis, passou a escrever várias frases que lhe eram transmitidas mentalmente. Daí em diante outras pessoas, e em lugares diferentes, também passaram a escrever mensagens que lhes eram ditadas. Com essa nova maneira dos espíritos se manifestarem, a comunicação se tornou mais rápida e mais extensa, e assim as pancadas e as mesas girantes foram se tornando desnecessárias.

O professor Rivail participou de várias sessões e em cada uma delas apresentou uma série de perguntas, e a todas elas recebeu uma resposta precisa. Certo dia, ao participar de uma reunião na casa de uma senhora, um espírito se manifestou através dos órgãos vocais daquela mulher, e disse havê-lo conhecido em uma encarnação passada onde ele fora um sábio e dedicado sacerdote druida chamado Allan Kardec, e que, em razão disso, fora designado pela Providência Divina, para, nessa encarnação, cumprir uma missão que seria muito importante para toda a humanidade, e cujo início estava previsto para breve.

De fato, alguns anos depois, uma falange de espíritos desceu à Terra e, sob a supervisão de um deles que se identificou como o Espírito da Verdade, por meio de pessoas sensíveis, foram ditando as respostas às perguntas feitas para que o professor Rivail fosse anotando. Nesse trabalho, ele recebeu explicações a respeito de vários problemas que até então eram desconhecidos pela ciência. Foi-lhe explicado que, além do mundo material em que vivemos, ao nosso redor existe outro, invisível aos nossos olhos, que é o mundo espiritual, habitado pelos espíritos.

Disseram também que todo ser humano é formado por três elementos: espírito, perispirito e matéria. Como os três estão interligados entre si por laços fluídicos, quando o espírito encarnado quer agir, transmite sua vontade ao perispirito, através dos laços fluídicos, e ele repassa para o corpo físico que executa.

Como o corpo físico é matéria compacta, é perecível, e na medida em que vai executando esse trabalho, vai sofrendo um desgaste, e, com o passar do tempo vai enfraquecendo, os laços fluídicos se rompem totalmente, os órgãos param de funcionar e ele morre. Sendo o espírito imortal, depois de se separar da matéria, volta para o mundo espiritual, mas, conservando tudo aquilo que aprendeu aqui no mundo material, e continuando a se manifestar através de pessoas sensíveis que denominou de médiuns. Apesar de não ter mais o corpo físico, quando quer atuar no mundo material pode impulsionar objetos e provocar ruídos através dos fluídos para chamar a atenção daquelas pessoas que são os médiuns de efeito físico. Portanto, as pancadas, bem como os movimentos das mesas eram provocados pelos espíritos desencarnados que eles chamaram de batedores.

Quanto às mensagens escritas, elas também eram provocadas pelos espíritos, que as escreviam utilizando as mãos do médium, ou então ditavam mentalmente para que ele fosse escrevendo, cujo procedimento chamou de psicografia.

Referente à cura pela imposição das mãos, eles confirmaram aquilo que Mesmer já havia descoberto antes, acrescentando que a combinação do fluido universal com os de um espírito desencarnado e de outro encarnado pode se transformar em uma energia reparadora e terapêutica. O médium curador, quando dirige os fluidos com as mãos realiza o que se chama de passe. Por isso Jesus disse que os homens podiam fazer tudo o que ele fez. Ora, se o próprio Jesus disse que todos podiam fazer o mesmo, era por que não havia nada de maravilhoso nem de sobrenatural naquilo que fazia.

No que se refere à ressurreição de um morto, eles esclareceram que, quando os laços fluídicos que unem espírito e matéria se rompem definitivamente, aquele corpo material, como já foi dito, morre, é cremado ou enterrado e se desintegra, portanto, uma nova ligação entre eles se torna impossível. Aquele espírito poderá retornar ao mundo material pelo processo de reencarnação, mas em um corpo físico diferente.

Entretanto, existe um tipo de doença que quando a pessoa sofre um choque emocional muito forte, o espírito retrai os laços fluídicos e fica quase que totalmente desligado do corpo material, preso a ele apenas por um fio; nesse caso, todos os órgãos param de funcionar, e fica com a aparência de morto. Porém, como se trata de uma doença espiritual, se uma pessoa dotada de muita fé, de pureza de sentimentos e de caridade aproximar dele e souber manipular corretamente os fluidos, fará com que o espírito volte a liberar os laços e o corpo, aparentemente morto, voltará a funcionar.

No caso das supostas ressurreições feitas por Jesus, naquela época, ele já conhecia esse tipo de doença que hoje é conhecida como letargia. Além de conhece-la, conhecia também a maneira de a curar através de passes, portanto, nos casos do filho da viúva de Naim, da filha de Jairo, e de Lázaro, o Mestre sabia que não estavam mortos, e sim, acometidos daquele mal, portanto, quando impôs suas mãos sobre eles, o que fez foi manipular os fluidos e dele livra-los, mas não as ressuscitar, mesmo porque não estavam mortos. Sendo assim, não houve nenhum ato maravilhoso, sobrenatural nem milagre.

E foi assim que, após vários anos de trabalho incessante, de posse de todas aquelas anotações, em 1857 o professor Rivail, usando o pseudônimo de Allan Kardec, editou o Livro dos Espíritos, depois o Livro dos Médiuns, o Evangelho Segundo o Espiritismo, Céu e Inferno e finalmente A Gênese. Dessa forma, com a codificação dessas cinco obras, estava lançada a Doutrina Espírita, ou o Espiritismo.

Com as explicações dadas pelos espíritos na codificação feita por Allan Kardec, todas aquelas dúvidas que restaram sobre os ensinamentos de Jesus foram sanadas. No entanto, mesmo depois de tantos anos da divulgação da Doutrina Espírita, muitas pessoas e algumas religiões ainda insistem em acreditar que o contato com os espíritos e a cura de um doente pela imposição das mãos são atos maravilhosos e sobrenaturais, e que o espírito depois de desencarnado deverá voltar no mesmo corpo no dia do juízo final. A essas pessoas o Espiritismo deixa bem claro que antes eram assim considerados, por que a causa ainda era desconhecida, mas, desde que houve uma explicação lógica e racional, mostrando que todos esses atos estão fundados nas leis naturais, deixaram de ser maravilhosos e passaram a ser compreendidos como um fenômeno natural.

Diante de tudo o que foi visto, a promessa feita por Jesus foi devidamente cumprida, e o Espiritismo, sem dúvida nenhuma, é o consolador que ele prometeu, pois, além de esclarecer tudo aquilo que não pode ser explicado naquela época, acabou de vez com a ideia de atos maravilhosos e sobrenaturais e dos milagres, só mantendo essa crença aqueles que têm olhos, mas não querem ver, e ouvidos, mas não querem ouvir.

 

Foto ilustrativa: freepik.com

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