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O poder da não-violência

Enviado em 15 de fevereiro de 2017 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Rádio Boa Nova

Mulher com chorando com um olho roxoFuturas gerações dificilmente acreditarão que tenha passado sobre a face da terra, em carne e osso, um homem como ele.

Essa afirmação de Albert Einstein (1879-1955) diz respeito ao líder indiano Mahatma Gandhi  (1869-1948).

Quando analisamos sua existência, a maneira absolutamente incrível como libertou seu país do jugo inglês, entendemos a admiração do grande físico. A Índia era a joia mais preciosa da coroa britânica, destacando-se num império tão grande, em seu apogeu, que nele o sol nunca se deitava.

Os ingleses não estavam nada dispostos a atender os reclamos de liberdade do povo indiano, nem preocupados com aquele homem mirrado que encarnava os anseios populares.

Não contavam com sua espiritualidade, a capacidade de mobilização para o mais incrível de todos os movimentos em favor da liberdade – a desobediência civil. Por orientação de Gandhi, deveria ser sustentada pelo princípio da não-violência nos confrontos com os usurpadores do solo pátrio. Havia quatro itens fundamentais:

Violência física: Não agredi-los.

Violência verbal: Não falar mal deles.

Violência mental: Não pensar mal deles.

Violência emocional: Não odiá-los.

Os homens liderados por Gandhi paralisavam trens, desobedeciam leis, infringiam regulamentos, sustentavam greves…

Pacificamente, deixavam-se prender e torturar sem alimentar ódios ou ressentimentos. E porque não podiam, indefinidamente, atacar e encarcerar aquelas multidões que corajosamente infringiam suas leis e obstinadamente recusavam reagir às suas agressões, os ingleses acabaram se convencendo de que a única solução seria deixar a Índia.

***

Diz Gandhi:

A não-violência é a lei da espécie humana, assim como a violência é a lei do bruto. O Espírito jaz dormente no irracional, que não conhece outra lei senão a força. A dignidade do homem exige obediência a uma lei superior – ao poder do espírito.

O mahatma (grande alma) está nos convidando a assumir a condição humana, marcada pelo empenho de nos sobrepormos aos instintos. Foi assim que ele libertou um povo. É assim que nos libertaremos do bruto ainda dominante no comportamento humano.

Mostrando-nos o vasto painel que se desdobra além-túmulo, a Doutrina Espírita enfatiza que é de fundamental importância limpar nosso coração de mágoas e rancores, pesos terríveis que nos prendem a faixas vibratórias inferiores, a sustentar males variados que nos oprimem.

Sugiro, leitor amigo, façamos um teste para verificar nosso enquadramento nos princípios preconizados por Gandhi.
Imaginemos que alguém nos ofenda ou prejudique.

Consideremos o comportamento ideal:

Violência física: Não cogitamos de dar-lhe um tiro ou uns bons sopapos.

Violência verbal: Não exprimimos indignação em termos fortes e altissonantes, nem homenageamos a senhora sua mãe, atribuindo-lhe aquela profissão pouco recomendável.

Violência mental: Não alimentamos o desejo de que seja atropelado por um trem ou vá para o diabo que o carregue.

Violência emocional: Não ficamos a verrumar o mal que nos causou, a vibrar de ódio por ele e pena de nós mesmos.

Se forem essas as nossas reações estamos de parabéns. Deixamos a caverna do bruto ancestral.

Melhor ainda quando formos capazes de agir como o próprio Gandhi. Um repórter lhe perguntou se já havia perdoado seus inimigos.

– Nunca perdoei ninguém.

– Não entendo… o senhor, líder espiritual do povo indiano, contrário a qualquer sentimento de animosidade, não perdoa seus inimigos?!

– Não é preciso. Nunca me senti ofendido…

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