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O Relacionamento Humano no Centro Espírita

Enviado em 21 de agosto de 2017 | No programa: Ação 2000 | Escrito por Éder Fávaro | Publicado por Rádio Boa Nova

Mãos fazendo o símbolo do coraçãoCompreende o público interno os membros de direção e os demais colaboradores das atividades do Centro Espírita, denominados atualmente pela legislação do País, como Associações.

A minha apreciação sobre o tema é o resultado da minha atuação junto aos Centros Espíritas desde a década de 50, oportunidade em que eu iniciava minhas atividades no Movimento Espírita. Minha experiência se desenvolveu em função do interesse que a casa espírita passou a ser para mim, como laboratório de aprendizado baseado nas obras da Codificação. Logo compreendi a proposta da doutrina como uma proposta de vida, e a sua grande importância na transformação moral e cultural do homem sendo a função do Centro Espírita o de disseminar o conhecimento espírita, em seu caráter de consolo e esclarecimento.

Visitei durante longo tempo, enquanto expositor das Escolas de Médiuns na FEESP – Federação Espírita do Estado de São Paulo, e depois como Diretor do Departamento de Orientação Doutrinária da USE – União das Sociedades Espíritas, centenas de Casas Espíritas da Capital e do Interior do Estado de São Paulo.

Pela Federação, como palestrante, e pela USE, com equipes, foram doze anos junto a dirigentes espíritas das várias regiões do Estado. Em média de dois encontros mensais, com equipes qualificadas e com atividades com carga horária de 8 horas diárias. Foi nesse período que pela USE, realizamos em São Paulo o primeiro encontro de Diretores de Departamento de Doutrina das então USE distritais, municipais e USE estadual. Os encontros tinham por base a apostila “Atividades Doutrinárias”, aprovada pelo Conselho Deliberativo da União das Sociedades Espíritas no ano de 1973 e atualizada depois por outras gestões. Naquele documento, distribuído a todos os órgãos da USE, sugeria-se uma proposta de adequação do Centro Espírita para o atendimento do público que o procurava, por estar ele inserido no social. O referido documento sugeria ao Movimento Espírita e seus dirigentes uma análise sobre o essencial necessário para que o Centro se constituísse efetivamente num Centro Espírita. Dele constava um capítulo importante para estudo, o da reunião e atividades relacionadas com o “Atendimento Fraterno” (Capítulo a ser desenvolvido no módulo 2 deste Simpósio) e o das reuniões entre os dirigentes, trabalhadores e frequentadores do Centro.

Neste particular houve um avanço significativo. No curso do tempo, desde que o Espiritismo chegou ao Brasil, os grupos de espíritas que constituíram os primeiros Centros Espíritas, adequando-os aos costumes decorrentes do processo cultural e religioso da nossa sociedade na época, introduziu práticas nem sempre embasadas na proposta da doutrina, sendo a prática mediúnica sem método e o atendimento pessoal sem planejamento, baseando-se apenas na intenção de consolar, sem no entanto esclarecer. Não querendo com isso invalidar a boa intenção daqueles que se dispuseram a realizar esses trabalhos, mas apenas citar como histórico das práticas iniciais.

Por força natural do caráter cultural, humanístico e espiritual do Espiritismo, os conceitos sobre a finalidade dos Centros como agente da comunicação espírita para o social, foram evoluindo à medida que a Cultura Espírita era melhor compreendida pelos participantes desses grupos. De templo passou a ser conceituado como hospital, pronto socorro espiritual, órgão de assistência social, etc. e outros que foram surgindo: Escola, pronto socorro no atendimento fraterno, necessidades espirituais dos espíritos encarnados e desencarnados, o entendimento de que a Casa Espírita é a casa da “Grande Família”, onde a criança, o jovem e o adulto reúnem-se para fortalecerem-se através da convivência, do aprendizado e da fraternidade. Referimo-nos ao público interno atual.

Quais seriam, então, os pontos essenciais para um melhor atendimento do grupo de pessoas que buscam a Casa Espírita nos dias de hoje, e passam depois a colaborar com o grupo, fazendo parte da equipe?

Para uma boa integração do grupo, paralelamente ao trabalho que se dispõe a realizar nas atividades administrativas ou doutrinárias da Casa, é necessário incentivar um clima de amizade, para que a pessoa sinta-se bem vinda, sinta-se abraçada, transmitindo um ambiente solidário, que propicie o diálogo fraterno e fundamental para o aprendizado do convívio com as diferenças. Adotar gestões e políticas de trabalho em equipe, visando o espírito de companheirismo. Aprender juntos para a melhoria do desempenho da instituição. Usar expressões e pequenas gentilezas que fazem diferença, cumprimentos, um simples “Olá! Como vai?” Reconhecer sempre o esforço do outro. Entender que somos todos aprendizes. Programar pequenos encontros para confraternização e troca de ideias. Um telefonema, um bilhete, principalmente quando um companheiro se ausenta durante um tempo, enriquecendo-se nessa convivência. Criação de espaços alternativos, com a participação dos trabalhadores do Centro para uma conversa amiga sobre arte, literatura, teatro, cinema, poesia, música… e pequenas reuniões no Centro ou na casa de um companheiro, para desfrutarem momentos de alegria e descontração. Como nos afirmou o Mestre, “meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”.

Éder Fávaro

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