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“Um dos aspectos notáveis da evolução espiritual humana é que todos os doentes da alma se tornam médicos por sua vez.” Bezerra de Menezes

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O rosto é dos outros

Enviado em 31 de agosto de 2015 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Juliana Chagas

Pessoa com espelho na mão e refletindo menina dormindo

Lição básica, em Espiritismo, ensina que, num pla­neta de expiação e provas como a Terra, escola das pri­meiras letras no aprendizado das Leis Divinas, a grande alavanca evolutiva, que nos desloca do imobilismo egoístico para a dinâmica da fraternidade, é o sofrimen­to.

Assim, somente por exceção encontraremos alguém cuja existência flui tranquila, alheio às dores do Mundo, algo tão inusitado, tão estranho, que é como se não estivesse vivo, conforme exprime admiravelmente Francisco Otaviano:

Quem passou pela vida em branca nuvem

E em plácido repouso adormeceu;

Quem não sentiu o frio da desgraça,

Quem passou pela vida e não sofreu;

Foi espectro de homem, não foi homem,

Passou pela vida, não viveu.

O que nos leva a supor que há pessoas sem proble­mas, cuja existência semelha-se a um mar de rosas, é o fa­to de carregarem o fardo de suas dores sem lamentações nem desânimo, demonstrando muito valor e determinação.

Ensina a sabedoria popular que o coração é nosso, mas o rosto é dos outros. Imperioso conservar o bom ânimo, a disposição de sorrir, a expressão suavizada por irrestrita confiança em Deus, porquanto ninguém se edifica nem se anima diante de um cenho carregado, como outdoor de mau gosto fazendo propaganda da infelici­dade. Segundo a expressão bem-humorada de uma frei­ra, a pessoa amargurada é uma obra prima do demônio: ninguém se sente feliz a seu lado.

Curiosa pesquisa demonstrou que a expressão fa­cial, que geralmente reflete nossas emoções, pode deixar de ser efeito para transformar-se em causa. Voluntários que, a título de experiência, conservaram expressão som­bria, em pouco tempo sentiram tristeza e mau humor.

Há quem alegue dificuldade em manter o sorriso, reclamando que seus males excedem o razoável. Eviden­temente, sempre nos parecerá mais fácil enfrentar a adversidade sendo rico com saúde a ser pobre e tubercu­loso…

Consideremos, entretanto, que as dores do Mundo não são distribuídas aleatoriamente, como uma loteria de desgraças, com prêmios maiores ou menores. O montante dos problemas cármicos que enfrentamos diz respeito não apenas às nossas necessidades evolutivas, mas, também, à nossa capacidade de solucioná-los. Inconcebível que Deus nos imponha situações insuportáveis, uma cruz que não possamos carregar.

Um ótimo recurso para desanuviar a mente e suavi­zar o rosto, até mesmo para evitar rugas precoces e per­turbadoras tristezas, é a conversa com o espelho. Parecer-nos-á risível a carantonha amargurada, se nos dispusermos a um questionamento franco e severo com a ima­gem refletida, como quem passa um pito em si mes­mo:

─ Coitadinho! Tão infeliz! Estão judiando do filhinho da mamãe! Qual o quê! Você devia ter vergonha na cara! Há milhões de pessoas em situação pior e nem por isso estão brigadas com a Humanidade. Tome jeito, ra­paz! Pare com isso! Não contamine o ambiente com suas indébitas amarguras! Experimente sorrir!

Um homem de ânimo forte, desses que enfrentam as situações mais difíceis fazendo blague, teve grave pro­blema circulatório que culminou com a amputação de uma perna. Algum tempo depois se manifestou o mes­mo mal na outra perna, que foi também amputada. Após a segunda cirurgia, tão logo despertou da anestesia, o médico perguntou-lhe:

─ Então, como se sente?

─ Estou bem, Doutor, mas há um probleminha que será difícil solucionar.

─ Fale. Farei o que for possível.

─ Creio que nem o senhor poderá me ajudar. É que sem as pernas não sei mais em que pé está à situação…

Quem consegue rir dos próprios males jamais será infeliz.

 

Foto ilustrativa: http://www.freeimages.com/

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