QUER RECEBER NOSSAS NOTÍCIAS EXCLUSIVAS?

“Um dos aspectos notáveis da evolução espiritual humana é que todos os doentes da alma se tornam médicos por sua vez.” Bezerra de Menezes

Artigos

O voto no Brasil

Enviado em 23 de março de 2016 | No programa: Juventude Maior | Escrito por | Publicado por Juliana Chagas

Quadrados de escolha alternativaO voto em nosso país é um dever de todo cidadão brasileiro, como todos sabem. Mas além de sua obrigação, é um direito conquistado que merece ser respeitado. Para que possam entender a dimensão de tal conquista, convido-lhes a relembrarmos todo o histórico das eleições em terras tupiniquins.

Desde a época da colônia até praticamente o fim do império, só podiam ser eleitos e votarem homens com grande capacidade financeira, de posse, grande poder institucional e/ou de influência. Em 1820 houve uma revolta do exército, do clero e da nobreza, na qual exigiram a monarquia constitucional em Portugal, e assim sendo, fora convocada uma nova eleição para a escolha da nova corte no ano subsequente a este.

Sessenta anos depois fora aprovada a Lei Saraiva, em que as províncias foram subdivididas em distritos com o devido fim de eleger de forma direta representantes para câmaras e assembleias. Apenas eleitores com renda mínima de 200 mil-réis anuais poderiam votar, excluindo-se os analfabetos. Na década seguinte foi instituído o Voto de Cabresto, o qual duraria por muitos anos.

Apenas em 1932, foi estabelecido o voto secreto e obrigatório para “todo cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo”. Foi a primeira conquista para o público feminino que sofria (ainda mais do que hoje) nas mãos de uma sociedade machista e patriarcal. Dois anos mais tarde, a idade mínima para votar fora convertida para 18 anos.

Em 1946 não era exigida a maioria absoluta dos votos, fazendo com que menos da metade dos eleitores decidissem os novos presidentes das eleições seguintes. Em 1955 foram usadas as primeiras cédulas eleitorais oficiais, com fotos de identificação dos eleitores e feitas pela justiça eleitoral. Em 1963 foi convocado o primeiro referendo, no qual rejeitou o novo sistema proposto: o parlamentarismo. Um ano mais tarde, o maior atentado que o Brasil já sofreu: o golpe de 1964.

Após anos na escuridão da ditadura militar, iniciava-se o movimento das “Diretas Já”, que lutava pelos direitos de eleger direta e democraticamente o presidente da república. Mesmo após intensas manifestações, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para eleições diretas foi derrotada na câmara dos deputados, devido a uma manobra de políticos aliados ao regime militar.

Mesmo sendo derrotado, este processo foi importantíssimo para a redemocratização do Brasil. Enfim, com a aprovação de uma nova Constituição Federal de 1988, o Brasil voltava a ser um Estado Democrático de Direito, podendo eleger diretamente seus representantes. Jovens de 16 anos, maiores de 70 anos e analfabetos ganharam direito ao voto facultativo.

Para se ter a noção da grandiosidade que é o voto no Brasil, precisamos estudar nossa própria história a fundo. Vemos notícias diárias de pessoas buscando uma revolução política, protestando e bradando aos quatro ventos todo o seu ódio e rancor por ideologias contrárias à sua. Toda manifestação é digna de ser ouvida e analisada, pois é com a união do povo que se alcança um tom de voz audível para os políticos nefastos que ocupam a maior parte das cadeiras representativas de nosso país, estados e municípios.

O que não podemos é deixar nosso instinto selvagem controlar nossas vozes e atitudes. Devemos analisar cada situação com muita cautela, ponderando todos os pontos possíveis, não nos deixando usar como massa de manobra por qualquer mídia e/ou partido político que defenda seus próprios interesses obscuros, sejam qual for. Devemos também analisar nossas próprias atitudes diárias.

O governo reflete seu próprio povo e, sendo assim, temos uma grande parcela de culpa da situação em que se encontra nosso país. Queremos o fim da corrupção? Então que comece por nós mesmos. Queremos ser respeitados pelos políticos? Então que respeitemos o próximo, seja ele eleitor de X ou Y, seja ele pobre ou rico, seja preto ou branco, paulista ou pernambucano, hétero, homo ou trans. RESPEITO, acima de tudo!

Que possamos nos lembrar, sempre: Seja de qual lado você for, estamos no mesmo barco. Se afunda pra ti, afunda pra mim. Que nunca nos esqueçamos da nossa maior forma de protesto como cidadãos de um estado democrático de direito, que tem nome e identidade: VOTO. Vamos respeitá-lo, sua própria história já diz por si só. Vamos nos libertar da ditadura conservadora que ainda ronda nossos pensamentos. Depois de tanto tempo batalhando pela nossa liberdade, você quer que deixem nos prender novamente?

 

Foto ilustrativa: freeimages.com

Deixe seu comentário: