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Os “cinco minutos”

Enviado em 17 de março de 2017 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Rádio Boa Nova

Relógio antigoDesde os primeiros contatos com a Doutrina Espírita, Lenita entregou-se ao esforço do Bem. Diligente mãe de família, com cinco filhos que lhe reclamavam atenção, ainda assim, com o apoio do marido, encontrava tempo para labores di­versos, vinculados ao Centro que frequentava: visitava doentes, distribuía mantimentos e roupas, participava de reuniões, exercitava a mediunidade.

Isso tudo apesar de incômodo problema de saúde, uma gastrite crônica que lhe impunha penosos padecimentos. O tratamento médico e os passes magnéticos aliviavam os sintomas, mas o mal era de uma perseverança irritante.

Às vezes, alegando que “nin­guém é de ferro”, deitava falação, reclamando dos “guias”, que não a amparavam com a eficiência de­sejada. Certa feita foi mais longe e caiu nos “cinco minutos”, expressão popular que define o compor­tamento de pessoas que, perdendo o controle, falam e fazem o que não devem. Regressara ao lar, após visita a enfermos. Dia quente, Sol abrasador de verão. Sedenta, buscou água fresca, sorvendo-a com sofreguidão. No entanto, experimentou a sensação de ingerir ácido puro. Dor lanci­nante invadiu suas entranhas. De­sesperada, clamou:

– Não aguento mais! Se tivesse um copo de veneno tomava agora mesmo para acabar com meu sofrimento!

Arrependeu-se de imediato, ouvindo a servi­çal:

– Pelo amor de Deus, dona Lenita! Não fale assim!… Cuidado com a tentação!…

Ficou arrasada. Como espírita, tinha plena consciência de que nada ocorre por acaso. Havia uma razão para seus males. Não obstante, passou o resto da tarde amuada, com dores no corpo e mágoas na Alma, reclamando socor­ro do Céu.

À noite, na reunião mediúnica, viveu inesquecível experiência. Dava-se à oração quando viu uma mulher que parecia sair de dentro de si mesma, a exibir expressão atormentada. Em lance dramático, a fan­tasmagórica personagem misturou água e soda cáustica num copo. Ato contínuo sorveu o terrível corrosivo.

Como se ela própria o tivesse feito, Lenita sentiu insuportável queimação no trato digestivo, deixando escapar irreprimíveis gemidos que emol­duraram de dor sofrido apelo:

– Meu Deus! Meu Deus! Ajuda-me, Senhor, por misericórdia!…

Percebeu, então, junto de si, um médico de­sencarnado que, após aplicar-lhe medicação fluídi­ca balsamizante, explicou:

– Lenita, mostramos-lhe algo de seu passado, a fim de que impulsos suicidas não mais en­contrem receptividade sua mente. Foi exata­mente assim que você se suicidou na existência passada. Num momento de insensatez, premida por situação difícil, gerou os sofrimentos que a afli­gem. Cuidado! O desespero é péssimo conselheiro. Sugere sempre a fuga, complicando o futuro. Não ponha a perder a preciosa semeadura de bênçãos que vem efetuando. Suas dores estão bem dosadas. A cruz que carrega tem peso certo, compatível com a resistência de seus ombros. Use a almofada da humildade e bem suave lhe parecerá.

Desde então, Lenita não mais permitiu que os “cinco minutos” a desestabilizassem, suportando com resignação as crises gástri­cas. E percebia, gratificada, que se tornavam me­nos frequentes e dolorosas à medida que se habituava a usar o anteparo sugerido pelo benfeitor espiritual.

O apóstolo Paulo dizia ter um “es­pinho na carne”. Discreto, nunca revelou a natureza de seu problema. Oportuno destacar que se lhe houvesse em­prestado demasiada importância, detendo-se na angústia e na rebeldia, jamais teria conquis­tado a gloriosa condição do grande arauto do Evangelho.

Todos temos o “espinho na carne”, conforme as dívidas do passado e necessida­des do presente. Se superestimarmos as limitações e sofrimentos que nos impõe em nosso próprio be­nefício, fatalmente resvalaremos para estados de rebeldia e depressão, favorecendo os perigosos “cinco minutos”.

E poderá ocorrer que, tentados a fugir da Vi­da para escapar ao espinho, apenas avançaremos em direção a tormentosos espinheiros.

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