QUER RECEBER NOSSAS NOTÍCIAS EXCLUSIVAS?

“A caridade dos Céus é fonte que não se esgota.” Auta de Souza

Artigos

A palavra de Deus

Enviado em 29 de maio de 2016 | No programa: Além do Arco-Íris | Escrito por Richard Simonetti | Publicado por Juliana Chagas

Não penseis que Eu vim destruir a Lei ou os pro­fetas; não os vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade Eu vos digo que, enquanto o Céu e a Terra não passarem, nem um só jota, nem um só til da Lei passarão, sem que tudo se cumpra. (Mateus, 5:17 e 18.)

Bíblia

Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, os cinco pri­meiros livros sagrados do Judaísmo, atribuídos a Moisés, com­põem a Lei. O termo “profetas” designa os demais. Juntos, dão origem ao Velho Testamento, atual primeira parte da Bíblia.

Quando Jesus afirma que não veio destruí-los, está sendo coerente, pois seria um contrassenso Ele, que viera ao mundo com uma revelação divina, parcela da Verdade desdobrada aos homens, revogar o que fora anteriormente revelado. A Verdade é imutável — partes dela mostradas aos homens completam-se, sem jamais se contraporem.

Todavia, poder-se-ia dizer que há uma contradição em suas afirmativas, porquanto, no próprio Sermão da Montanha, Ele alteraria substancialmente muitos conceitos antigos.

É que estes, somente em essência, exprimem orientação di­vina. Tudo o mais é apenas o relato das experiências e tradições do povo judeu, altamente belicoso e materialista, contido por se­veras disciplinas que atendiam aos interesses da época, mas estavam longe de exprimir a vontade do Criador.

Há passagens incríveis em suas páginas, a começar pela fantasiosa criação do mundo, no livro Gênesis, que nos fala de um homem feito de barro, uma mulher tirada de sua costela, uma serpente que fala e um pecado original, que é muito mais um ori­ginal pecado — servir-se do fruto da árvore da ciência do Bem e do Mal, o que fora proibido por Jeová — porquanto, como pode alguém incorrer em desobediência sem ter noção do que é certo ou errado?

Nós, que não temos nada a ver com as peraltices de Adão e Eva, sofremos ainda hoje as consequências de seu ato. Segundo o relato bíblico, vivenciamos doenças, sofrimentos, limitações e a própria morte, apenas porque eles não se mantiveram ignorantes.

A legislação mosaica tem orientações não menos aberran­tes, como a determinação de que o cunhado se case com a viúva de seu irmão; a pena de morte para quem desrespeita os pais ou não observa o descanso do sábado, e a amputação do braço como castigo para o crime do furto.

Quanto aos profetas, situados como indivíduos divina­mente inspirados, comportavam-se, não raro, de forma nada exemplar…

Eliseu, a caminho de Betel, encontra um bando de crianças que, em infantil folia, o chamam de careca. Tomado de irritação ele evoca sobre elas a cólera divina. Logo após, duas ursas saem de um bosque próximo e dilaceram 42 crianças…

Salomão, proclamado sábio dos sábios, iniciou seu reinado mandando eliminar seu irmão Adonias. Consta que castigava im­piedosamente seus adversários e que tinha setecentas mulheres e trezentas concubinas.

Ezequiel, supostamente inspirado por Deus, fez-se amar­rar, comeu um pergaminho e deitou-se 390 dias sobre o lado direito, mais quarenta sobre o esquerdo; depois se banqueteou comendo bolos assados sobre excrementos humanos…

Aterradoras são as determinações de Jeová em relação a outros povos. Josué conquistou várias cidades e, seguindo literalmente a recomendação divina, não deixou com vida nada que tivesse fôlego, fossem homens, mulheres, crianças, pássaros, aves ou animais. Sob “inspiração divina” os judeus passaram pela História de espada na mão…

E há quem afirme ser a Bíblia a palavra de Deus!

Por isso, quando Jesus proclama que não veio destruir a Lei e os profetas, refere-se ao que, no Velho Testamento, pode ser considerado de inspiração divina, e que se reduz a algumas orientações obtidas por seus homens santos nos momentos de comunhão autêntica com a Espiritualidade maior.

Em essência, temos na tábua dos Dez Mandamentos, re­cebida por Moisés no monte Sinai, a revelação autenticamente divina, definindo o que o homem não deve fazer. Nela estão os fundamentos da justiça humana, estabelecendo que nossos direi­tos terminam quando começam os direitos alheios, e que só nos é lícito fazer o que não implique prejuízo para nosso semelhante.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

Deixe seu comentário: