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PARA VIVER, BASTA ESTAR MORTO

Enviado em 19 de abril de 2017 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isaldino dos Santos | Publicado por Rádio Boa Nova

Idoso entrando em túnel escuroDiz um velho ditado que a curiosidade faz parte da inteligência. Para confirmar essa sábia afirmativa, é sabido que desde épocas imemoráveis, quando os seres humanos apenas começavam a desenvolver o seu raciocino, uma das suas grandes preocupações era descobrir o que acontecia com o homem depois que morresse, ou seja, qual seria o seu destino após o desencarne. Por ser o único animal que, dentre os seres vivos, tem consciência de sua existência, essa incerteza, além de lhe provocar grande temor, fez despertar a curiosidade a respeito da morte.

Naquela época as opiniões já eram divididas em materialismo e espiritualismo, isso porquê, algumas pessoas achavam que se tratava apenas de um corpo físico, não restando mais nada, portanto, quando morresse tudo se acabava para ele, esse era o pensamento dos materialistas. Já os espiritualistas acreditavam que além do corpo, nele existia também um ser invisível que o acompanhava durante toda a sua vida, que passou a ser chamado espírito, mas, como para eles, ambos haviam sido criados juntos, quando um morresse o outro também morria e tudo terminava. Essas eram as crenças dominantes.

Porém, como se tratava apenas de suposições, elas passaram a ser contestadas depois que o profeta Isaias recebeu uma mensagem espiritual confirmando a existência do espírito. A mensagem dizia o seguinte: “Todos aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo”.

Além de confirmar a realidade do espírito, esclarecia também que ele era imortal, cuja explicação veio a ser reiterada posteriormente por Moisés, quando preconizou no Pentateuco, que aquele que praticasse o mal, depois que morresse voltaria para reparar o seu erro; mais adiante pelo filósofo Sócrates afirmando que se a morte fosse a dissolução total do homem, seria um grande lucro para os maus, pois, depois de sua morte estariam livres; pelo Cristo Jesus durante o Sermão da Montanha, quando chamou de bem-aventurados aqueles que sofrem, porque pagam suas dívidas ainda nesta vida, e finalmente pela Doutrina Espírita com a seguinte afirmação: há no homem um princípio inteligente que se chama alma ou espírito, independente da matéria, que lhe dá o senso moral e a faculdade de pensar. No entanto, apesar das explicações trazidas por essas revelações, para algumas pessoas a incerteza continuou, e ainda persiste até hoje, por isso, levando em conta que muitas delas ainda sentem verdadeiro pavor da morte, para que o assunto fique bem esclarecido, e acabe de vez com esse injustificável temor, faz-se necessário explicar antes o que é medo e o porquê da morte.

Allan Kardec, no Livro dos Espíritos esclarece que quando Deus criou os espíritos ele os fez simples e ignorantes, mas imortais e para habitarem eternamente no mundo espiritual, sendo assim, a situação natural de cada um é em liberdade. No entanto, para não os deixar viver para sempre na ignorância, foi-lhes concedida a possibilidade de desenvolver a sua inteligência e progredir até alcançar a escala de espíritos puros, qualidade essa que, mesmo inconscientemente, todos almejam.

Porém, para atingir essa condição tão desejada, várias exigências são impostas, e, entre elas, a obrigatoriedade de cada espírito permanecer um determinado período no mundo material para adquirir conhecimentos e se tornar produtivo, devendo retornar à espiritualidade ao findar o prazo previsto.

No entanto, como a sua permanência na Terra seria inviável em razão de sua natureza fluídica que o impedia de poder exercer influência sobre a matéria grossa e pesada, para servir de instrumento de manifestação, e ajudar no relacionamento com o mundo material, cada espírito recebe um corpo biológico, formado de um agregado de órgãos físicos, ajustado às suas necessidades evolutivas, e com as alterações indicadas para sua futura melhoria. Esse corpo, por se tratar de um santuário da alma – assim chamado por Pedro em Atos dos Apóstolos – para bem servir ao espírito, precisa ser mantido cuidadosamente conservado, e, quando essa conservação não é rigorosamente observada, principalmente no que diz respeito aos ensinamentos religiosos, resulta em desequilíbrio e, consequente arrastamento ao desajuste psicológico, razão pela qual foi concedido a todos o instinto de preservação, que nada mais é do que a tendência natural de uma ação defensiva a fim de evitar danos físicos e psíquicos.

Como nenhum espírito pode – e nem deve – permanecer por mais tempo do que o necessário no mundo material, visto que sua verdadeira vida é a espiritual, o Criador, levando em conta que essa presença terrena é uma fase apenas transitória e passageira, e ainda, por considerar que uma única existência não seria suficiente para que alcançasse a meta estabelecida, na sua misericordiosa bondade permitiu, por meio da lei de reencarnação, que pudesse voltar quantas vezes fosse preciso, desse modo, cada tempo em que deve permanecer preso à matéria se divide em três fases distintas: começo, meio e fim.

A primeira etapa começa quando os espíritos, já encarnados na matéria desde a concepção e interligados pelo corpo perispiritual, após findar o período de gestação, cujo prazo normalmente tem a duração de nove meses, deixam o ventre materno e veem ao mundo, e que é chamada de nascimento.

A segunda é o período de sua permanência no mundo material, conhecida como vida, ou existência. Nessa fase, vivem na Terra mergulhados numa atmosfera fluídica de onde recebem e vão acumulando energias oriundas do cosmo, dos alimentos que ingerem, e, principalmente, dos ensinamentos recebidos dos outros encarnados, as quais, dependendo de sua origem, poderão ser positivas ou negativas, estas últimas, por trazerem influências perniciosas, representam um grande perigo para o corpo físico, e, consequentemente, à sua sobrevivência.

No entanto, em razão do instinto de preservação, já mencionado anteriormente, quando o espírito detecta algum perigo o organismo corporal reage, fazendo desencadear vários sintomas; uma grande quantidade de adrenalina invade o sangue, a respiração acelera, é acometido de taquicardia, as pupilas dilatam, transpira em abundância e fica pálido devido a retirada do sangue dos vasos periféricos provocando calafrios. Esse conjunto de reações orgânicas é vulgarmente chamado de medo, mas tudo isso é normal pois é proveniente de sensações inerentes a todo ser pertencente ao reino animal e que atua como medida defensiva quando se vê diante de uma situação de risco. Como se trata de um sentimento necessário e imprescindível, ninguém dele está isento, crianças, adolescentes, adultos e idosos, todos, indistintamente, sentem medo, pois sem ele a humanidade já teria sido extinta.

Sendo, o corpo físico formado de matéria compacta, é perecível, e, com o passar dos anos, embora recebendo os cuidados necessários, mesmo assim os órgãos vão sofrendo um desgaste energético, fazendo diminuir, gradativamente, as forças vitais. Esse enfraquecimento natural dos órgãos em razão do tempo, aliado ao aumento das energias nocivas provocado pelas notícias recebidas sobre guerras, violências, acidentes, e outros tanto motivos que geram preocupações e aflições, bem como os costumes antigos, como o luto, os rituais funerários, a queima de velas, o choro desesperado junto a um caixão mortuário, o afastamento de crianças dos velórios e a herança das tradições cultivadas pelas gerações anteriores, tais como a dos hebreus que consideravam o corpo morto como uma coisa impura e não podia ser tocado, tudo isso faz crescer ainda mais as energias deletérias, e, com isso, aquela sensação normal de medo de um perigo real que todos sentem aumenta, passando a pressentir e temer, também, riscos imaginários, fazendo presumir que a morte seja uma coisa extremamente perigosa.

Em consequência, o espírito encarnado, por ainda se encontrar na fase inferior da evolução, portanto, bastante materializado, onde confunde felicidade com satisfação carnal, ao invés de encarar o desencarne como sendo uma contingência biológica natural, um processo de transição da matéria para a espiritualidade, uma realidade inevitável para todo ser humano, independente de classe social, credo ou religião, passa a temê-lo da maneira mais terrível e ilógica,  e essa aflição desmedida acaba se transformando naquilo que a ciência médica chama de Tanatofobia, ou seja, o medo da morte.

A terceira e última etapa é o momento de regressar ao mundo espiritual. Nessa ocasião, ocorrendo a cessação total e permanente da vitalidade do corpo, a alma, tem que se livrar da matéria, que já não lhe serve para mais nada, e retornar a sua condição natural de espírito para aguardar uma nova oportunidade de reencarnação. Isso significa que, com o desencarne o espírito apenas deixa o corpo, mas segue com a mesma individualidade, e assim sendo, levando-se em conta que a morte tem a mesma importância que o nascimento, não há, ou pelo menos não deve haver, nenhum motivo que justifique ser tão temida.

Para concluir, vimos que são várias as causas que provocam o medo da morte, porém, considerando que o maior antídoto contra a Tanatofobia é a certeza da imortalidade do espírito, a partir do momento em que o homem trouxer à luz tudo que estava obscurecido pelos dogmas e pelos tabus, onde nada podia ser revelado nem discutido, e despertar para a realidade, compreenderá que a verdadeira vida não é aqui na Terra, e sim, no mundo espiritual, pois é lá que se está realmente vivo. Por isso, quando Jesus se expressou da seguinte forma: Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos, foi para explicar que, estando vivos na matéria, estrão mortos para a espiritualidade, e vice-versa. Portanto, não está correto o antigo provérbio afirmando que que “para morrer, basta está vivo”, o certo seria dizer “para viver, basta estar morto”.

Entenderá, também, que, sendo o espírito imortal, aquilo que se chama morte não é o fim, mas, apenas um novo começo, ou seja, sua volta à vida espiritual para depois retornar em outro corpo, uma metamorfose pela qual todos os seres humanos um dia terão que passar. Quando for assim compreendida, a Tanatofobia será deitada por terra, e, consequentemente, a morte deixará de ser vista como aquela figura esquelética de uma megera encoberta com um manto negro portando uma foice, e passará a ser encarada como um bálsamo de libertação, sendo aguardada com a maior naturalidade, despida de qualquer parâmetro fúnebre e lúgubre como se tem verificado.

Isadino dos Santos

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