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Sentindo Ciúmes

Enviado em 25 de novembro de 2016 | No programa: Jornal Nova Era | Escrito por Enéas Canhadas | Publicado por Juliana Chagas

Sombra de casal dando as mãosQuero pensar um pouco com você sobre o ciúme. Muito se fala, muito se aconselha e muitas dicas são dadas sobre esse sentimento.

A palavra “ciúme” vem de cio. Você pode pensar que, então trata-se de um sentimento exclusivo das mulheres. Até certo ponto, isso é verdadeiro. Enquanto os homens falam, discutem impõem ou pensam controlar comportamentos, as mulheres sentem.

Um pouco de biologia

No mundo animal, a fêmea exala o cheiro para atrair o macho. Quando um ou mais se apresentam, ela escolhe o que é do seu agrado e vai permitir ser fecundada por ele para a reprodução. O macho “raciocina” que precisa ser o mais forte, o mais viril para ser aceito. Está enganado, porém vai conseguir o seu intento ou não chegando à “conclusão” de que perdeu a sua desejada porque porque foi vencido na luta ao disputar com o rival.

O macho perde, junto com a fêmea, o território que conquistaria para viver junto com ela. Assim a Biologia determina de maneira simples quem vai formar o novo casal da espécie para reproduzir.

Esta herança permanece em nós! Não há ilusões. O ciúme do homem significa perda de território (a ameaça de que outro irá ocupar o seu reino e possuir a sua princesa) e o ciúme da mulher significa perda  da  capacidade de que o seu cio não mais vai exalar o cheiro agradável ao seu escolhido, uma vez que ele está, supostamente, enjoado ou desinteressado pelo cio dela e já se sente atraído por outro cheiro de fêmea.

Romanceando a Biologia

Que frieza e falta de romantismo falar assim de sentimentos de ciúme, não é mesmo? Pois é, mas por enquanto é assim que é. O romantismo poderá mudar esse quadro se a mulher deixar desabrochar o seu feminino e o homem deixar atuar o seu masculino. Não estamos mais falando de macho e fêmea. Estamos falando de pessoas, de almas para quem assim julgar melhor, e pessoas não precisam mais agir por instinto, mas sim pelo que a razão pode compreender, tratar e desenvolver sobre suas biologias!

Os sentimentos podem ser compreendidos, explorados, ponderados e acolhidos pela razão. Isto é, se a razão compreender que os impulsos são movidos pelos desejos e os desejos ainda precisarão esperar e entender os caminhos da convivência. Os sentimentos, no entanto nem sempre tem “paciência” para tanto, e a razão nem sempre tem a virtude e inteligência da boa vontade para lidar com os sentimentos.

Medos e raivas dos dois lados

Quando o foco de um e de outro na relação, não é mais o parceiro, nem toda a Biologia e nem todo o romantismo vão ser capazes de impedir medos e raivas. Quando somos pegos pelo ciúme é porque a confiança já está abalada há um bom tempo, quer seja pela história de relação dos parceiros quer seja porque há resquícios e sequelas de relacionamentos anteriores. Hoje em dia, com a facilidade de se ter muitos parceiros disponíveis quer seja para “busca de relacionamento sério” quer seja só para “ficar” ou ainda uma outra modalidade muito “moderna”, a do “parceiro amigo só para eventualidades ou carências ocasionais”, muitas são as intersecções dos fantasmas já existentes de ligações anteriores a arrastar correntes no castelo que deveria ser habitado apenas pelo casal que foi morar nele.

Assim sendo, o castelo de sonhos virou casa assombrada. Nada mais próprio para medos e raivas porque num casa mal assombrada os seus habitantes são vítimas e algozes um do outro. Dá-lhes terapias e anti-depressivos embora geralmente apenas um dos dois é que se dispõe a ir ao Psiquiatra ou ao Psicólogo !  Até mesmo porque o “traidor” sempre terá ficado em casa porque ele é “inocente” e o “louco ou coitadinho” que se sente traído vai sozinho para o tratamento.

Resolvendo o conflito

Antes de mais nada, vamos reconhecer que o diálogo é uma prática cansativa. Conversar cansa. Não é sem razão que a famosa “dr” logo foi estigmatizada ou é com frequência ironizada. Mas é preciso. Essa prática tornou-se obsoleta devido a instalação de um valor absoluto que chama-se velocidade. Dialogar vai contra a toda e qualquer eficiência que nos apresenta uma troca de razões e suposta objetividade contidas na digitação sofregamente cifradas das mensagens através do WhatsApp. Sim porque o e-mail já se tornou um meio “lento” para uma discussão de relação!

Conversar é cansativo porque requer falar e ouvir. Porque requer boa vontade de examinar prós e contras. Porque necessita estar de mãos limpas ou desocupadas, o que não acontece se houver uma mensagem de conteúdo convidativo no celular que seguro com uma das mãos. Porque devo estar corajosamente disposto a pensar sobre os meus medos e minhas raivas.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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