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“Mediunidade é a faculdade humana, natural qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.” Centenário de J. Herculano Pires

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Surto ou obsessão?

Enviado em 27 de junho de 2016 | No programa: Desafios e Soluções | Escrito por Mário Mas | Publicado por Juliana Chagas

Sombra de pessoa dormindo com sol ao fundoNa sessão de psicoterapia ele pedia para não fechar a porta da sala, para não se sentir vulnerável.

Mal conseguia falar, respiração ofegante, assustado, dizia-se revoltado, mas não explicava o motivo. Com vinte minutos de sessão, já queria ir embora, ele não conseguia ficar os cinquenta minutos. Ele dizia que tinha algo muito importante para me falar, mas não conseguia. Depois de algumas sessões, com muita ansiedade e falando pouco, disse que em uma vida anterior eu o teria prejudicado, levando, em seguida, a morte, por isso me procurou: para se vingar! Fiquei sem ação, o que? Perguntei:

– Como você sabe disso?

– Eu vi isso nos meus sonhos – disse ele!

Como psicólogo eu diria tratar-se de fantasias dele, o sonho pode ser reflexos das preocupações do dia, desejos não realizados, mas como Espírita sabemos que podem ser retrocognições, obsessão espiritual (pesadelo), sonhos premonitórios e encontros espirituais. Como saber? Eu não tenho percepções parapsíquicas ou mediunidade ostensiva para alcançar a veracidade dos fatos, no entanto um misto de intuição (percepção pessoal) e de inspiração (influência de meu mentor) indicava não ser verdadeiro o que o cliente dizia.

Nem sempre é possível desvendar o passado para segurança dos envolvidos, a fim de não ficarem fantasiando coisas e caírem em auto-obsessão e também na obsessão espiritual, onde o obsessor aproveita para incrementar mais as nossas ilusões. Não que eu seja contra a informação mediúnica quando é útil ao indivíduo, ou através da retrocognição que é um fenômeno anímico, humano, natural que estamos desenvolvendo no processo evolutivo. Sou a favor, mas precisamos separar a curiosidade doentia da informação útil, que vai ser proveitosa para o crescimento do sujeito.

Agora compreendia o motivo de sua angústia e embaraço em falar comigo. Pessoalmente nada sentia em relação a ele, nem simpatia, nem aversão, que são indicadores de vínculos.

O cliente não apresentava nenhum comprometimento psíquico grave, era um pouco isolado, trabalhava, havia estudado. Não parecia ser um surto, tinha coerência em seu raciocínio quando conversávamos sobre outras coisas. Cumpria o contrato terapêutico: dia e horário, pagamento, não ligava desnecessariamente fora da sessão… Parecia ser uma obsessão espiritual, havia momentos que ele tinha o olhar fixo em mim com um misto de raiva e cordialidade!

Por conta da ameaça que me fez, da vingança, tive que cancelar o tratamento. Por vias das dúvidas, encaminhei-o a um psiquiatra para fazer uma avaliação, e, ao mesmo tempo, indiquei que procurasse um Centro Espírita para verificar se estava obsediado.

 

Foto ilustrativa: freepik.com

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