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Testes em animais: polêmica no caso Instituto Royal

Enviado em 28 de outubro de 2013 | No programa: Ação Planeta | Escrito por Ana Cláudia Faccin | Publicado por Rádio Boa Nova

Na madrugada do dia 18 de outubro de 2013, ativistas protetores dos animais invadiram o Instituto Royal. O local que estava fechado abrigava dezenas de cães da raça Beagle, além de coelhos e ratos. O motivo da invasão, claro, foi de libertar os animais que além de serem submetidos a testes químicos, estavam em condições precárias de cuidados.

Cachorro Beagle

Dúvidas que não querem calar

No passar desta semana, recebi muitos questionamentos de ouvintes: uns em favor dos ativistas, outros contra. Vou colocar aqui os principais questionamentos e as possíveis respostas que podemos chegar, baseadas no bate-papo que tivemos com o jornalista André Trigueiro no programa Ação Planeta:

  • No Brasil, a prática de realizar testes em animais é legal? O Instituto Royal era legalizado?

A resposta é sim e sim. No Brasil a lei 11.794 foi criada em 2008, que regulamenta os experimentos em nosso país, o que não acontece na maior parte dos países da União Europeia. O Instituto Royal é uma OSCIP e funciona legalmente.

  • Por que os cães da raça Beagle são escolhidos para testes?

Os cães da raça Beagle são extremamente dóceis e amigáveis, o que facilita o trabalho. No Brasil, o Instituto Royal é o que mais contém cães desta raça.

  • Quais são os testes mais realizados nos Beagles:

Os Beagles são testados para desenvolvimento de novas drogas, produção de vacinas, pesquisas relativas ao câncer e estudos de toxicidade.

  • Por que o Instituto Royal não tornava público sua carteira de clientes, tampouco os resultados das pesquisas, sendo que dinheiro público foi investido no instituto?

Esta é uma questão que ninguém sabe a resposta. E esta é uma questão em que o instituto falhou (legalmente falando). O que sabemos é que a partir do momento em que temos dinheiro público investido em qualquer lugar, o trabalho/ resultados/ serviços precisam ser públicos também. E isso não acontecia e ainda não aconteceu. Vale ficar de olho.

  • Por que os testes são realizados em animais? Teríamos outra forma de fazermos os testes?

Nesta resposta, André Trigueiro citou a escritora Cora Rónai, que fala sobre a diferença genética que existe entre os seres humanos e os animais. Olhando por uma visão calculista, não faria tanto sentido testar produtos que serão usados em humanos, nos animais. Pesquisando um pouco em seu blog pessoal, encontrei também o depoimento da Dra. Preci Grohman, médica e professora aposentada da UFRJ. Ela também fez cursos de pós-graduação nas universidades de Toronto e Londres. Preci disse o seguinte:

“Quando estudante, fiz experimentos com animais, recebendo bolsa do CNPq. Na época acreditava nessa prática. Já em Toronto e Londres utilizei cultura de células humanas . A criação de plantéis de animais para pesquisa também é muito lucrativa.

 Certas drogas, inócuas em animais, já causaram grandes desgraças quando usadas em humanos. A mais conhecida foi a Talidomida. Macacos não desenvolvem câncer de pulmão mesmo sendo obrigados a tragar cigarros continuamente. Se a diversidade genética entre indivíduos da mesma espécie já é significativamente grande para levar a respostas diversas após um mesmo estimulo, o que se pode esperar entre diferentes espécies?”

  •  Por que os defensores dos animais também não soltam os bois dos pastos?

Realmente é um tanto quanto contraditório pensar que da mesma forma que animais são submetidos a testes para que possamos utilizar remédios, maquiagens, cosméticos, etc, outros animais são levados ao abate para que possamos comer “a carne nossa de cada dia” e ninguém faz nada sobre o assunto. Muitos ouvintes questionaram este tema, e eu acho realmente oportuna a reflexão.

Durante o programa André Trigueiro falou sobre o hábito de comer carne. Na realidade, isso está muito ainda dentro de nós, que podemos imaginar: “É uma questão cultural”, disse ele. O importante é que as pessoas estejam, aos poucos, percebendo que temos outras opções de alimentação e que os animais também são nossos irmãos (mais novos), dependendo do nosso cuidado para sobreviver.

 

Concluindo o assunto e a pauta do programa de hoje, baseados na Doutrina Espírita, sabemos que “o barulho é necessário, mas ‘ai’ daquele que o fizer”. Estamos em uma época de transição, de mudanças, em que conceitos morais estão sendo revistos e enaltecidos. Eu, particularmente, acredito que coisas boas estão acontecendo todos os dias, que a maior parte das pessoas estejam despertando para ações do bem e da verdade. Vale lembrar que a mudança não acontece de um dia pro outro. Ah, e por falar em mudança, encerro o texto com a frase, tão oportuna, de Mahatma Ghandi:

“Seja você a mudança que quer ver no mundo.”

 

Foto ilustrativa: stock.xchng

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