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A visão do Espiritismo sobre a Cremação

Enviado em 12 de julho de 2016 | No programa: Diálogos Médicos | Escrito por Elisabeth Nicodemos | Publicado por Juliana Chagas

Por definição, a palavra “cremar” significa incinerar, destruir pelo fogo, especialmente cadáveres humanos, visando sua redução a ossos. Aceita por alguns como opção de um funeral, aprovada ou recusada por diversas religiões como um ato anti cristão, quer por fatores éticos, sociais e/ou culturais, tanto a realização da cremação do corpo após o desencarne como de ossadas vem aumentando, sendo considerados procedimentos comuns nos países reconhecidos como Cristãos.

Fogo

Para o Espiritismo, o processo de desencarne é uma passagem nos ciclos sucessivos das reencarnações, e as preces podem auxiliar o espírito nesse processo, que tem a sua duração e grau de perturbação variável. Cada religião apresenta a sua visão de morte, e o Espiritismo segue os elementos da tradição cristã ecumênica, que permeiam nossa cultura brasileira latino americana.

Tudo aquilo que se fizer, seja um sepultamento específico, seja a celebração de uma missa de sétimo dia, sempre fará parte da tradição cultural das pessoas, já que, quanto ao sepultamento, não existe nenhum dogma relacionado a rituais específicos e às manifestações posteriores. Considerando que o Espírito possa ainda estar próximo ao corpo, podendo até, dependendo do seu nível de esclarecimento, estar acompanhando o seu sepultamento, basta o respeito ao cadáver.

Tal postura é universalmente adotada por todas as sociedades, pois todas elas o têm na forma de respeito ao corpo do falecido, o que é o bastante para o Espiritismo. Mas, se esse nível for muito limitado, isso pode causar perturbação ao espírito ao assistir seu próprio sepultamento. Dessa forma, todo o respeito possível ao cadáver é sempre positivo, e as preces, tanto de familiares como de amigos ou anônimos que vibrem pelo seu bem estar, poderão auxiliar nesse desequilíbrio.

No livro “O Consolador” – Pergunta 151, – “O espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos”? Através de Chico Xavier, Emmanuel responde que: – “Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando, por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluídos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material”.

 

EM “Lições de Sabedoria” – CAP. IV – Corpo na Transição, suicídio e reencarnação”, Dra. Marlene Nobre pergunta a Chico Xavier, se o espírito sente os efeitos da cremação do corpo físico, e quantas horas devemos esperar para efetuar a cremação, e Chico Xavier responde: – “O abnegado benfeitor Emmanuel, em outra ocasião, questionado sobre o assunto, afirmou que o tempo ideal para a cremação do corpo, desocupado pelo inquilino ou pelo espírito que o habitava é de 72 horas, de vez que, além da chamada morte clínica, o espírito liberado, em muitos casos, ainda está em processo de mudança, retirando aos poucos os remanescentes da sua própria desencarnação”. No caso em exame, será importante que o corpo seja mantido em câmara frigorífica, evitando qualquer indício de decomposição.

 

Em “A Vida no outro Mundo” – Cairbar Schutel, baseado nos ensinamentos do Espiritismo, mostra que: “A alma é o Espírito encarnado, que a extinção da vida orgânica acarreta a separação do Espírito em consequência do rompimento do laço fluídico que o une ao corpo, mas essa separação não é brusca. O fluido perispiritual, só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, e assim a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um átomo do perispírito ligado às moléculas do corpo. A sensação dolorosa da alma por ocasião da morte está na razão direta da soma de pontos de contacto existentes entre o corpo e o perispírito, e por conseguinte também da maior a menor dificuldade que apresenta o rompimento”. Portanto, não é preciso dizer que conforme as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa.

 

Não dispomos de outras recomendações precisas, ou informações absolutas sobre os cuidados a serem tomados junto ao cadáver a ser cremado, ou quanto à recusa ou aceitação desse processo, além das aqui apresentadas. O Espiritismo é o único que nos descreve, através do conhecimento das leis que regem as relações entre o Espírito e a matéria, o fenômeno fisiológico da separação entre o Espírito e corpo.

Para o Espiritismo não existe nenhuma objeção à doação de órgãos, necropsia ou até à própria cremação.

Assim todos precisam fazer as suas escolhas baseados nesse e nos seus próprios conhecimentos, e na dúvida, consultar alguém mais experiente dividindo informações sobre a Doutrina Espírita, tomando uma decisão com a tranquilidade que isso possa trazer, lembrando que no desprendimento, a bagagem moral e a consciência tranquila, é o mais importante.

 

Foto ilustrativa: freeimages.com

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