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“Não exijas dos outros qualidades que ainda não possuem.” Chico Xavier

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Vista grossa

Enviado em 11 de maio de 2017 | No programa: Pensamento e Vida | Escrito por Antonio Carlos Tarquinio | Publicado por Rádio Boa Nova

Não somos muito bons em fazer vista grossa nas ocasiões em que nossos interesses sofrem algum tipo de ameaça.

Para a grande maioria, aquele que deixa passar muita coisa, ou tem o hábito de relevar erros e dificuldades alheias, se afigura como sendo fraco, para não dizer frouxo e sem personalidade – quando é justamente o contrário.

As lições do Evangelho não nos concitam ao perdão, à misericórdia?

Sim, mas a cultura em que estamos inseridos vê na pessoa benigna e complacente o antípoda do líder, do vencedor.

O estado de coisas não permite enxergar o verdadeiro teor das ações que creditamos, por ignorância, na conta das qualidades.

O excesso de severidade no trato dos desacertos e falhas dos outros não é virtude, antes denota estreiteza de espírito. A falta de generosidade e compreensão revela – naquele que assim age – incapacidade, pela intransigência que o caracteriza, de conviver harmoniosamente em sociedade.

Ora, todos somos seres incompletos. É porque temos de aprender a ver o mundo, e os que seguem caminho conosco, com os olhos da tolerância.

Se não exercitarmos mútua complacência, o que inclui perdoar as faltas alheias na exata medida que necessitamos do perdão dos outros para com as nossas, será impossível prosseguir em paz.

Aquele que leva tudo a “ferro e fogo”, acaba se dando mal na vida, porquanto o mundo dá muitas voltas, e não é raro reencontrar na estrada, em posição diferente, aqueles mesmos indivíduos que não soube desculpar, compreender.

Os danos na consciência daquele que não sabe deixar passar, condescender são imensos, a começar por não conseguir se perdoar pelos danos causados a outros – perdendo com isso a serenidade interior.

Os tiranos da consciência alheia terminam por introjetar os déspotas de si próprios.

Enfim, aprendamos a ser mais brandos e moderados nas críticas em relação aos semelhantes, lembrando que nós próprios havemos mister de brandura e comiseração para seguir o próprio caminho em paz.

Antonio Carlos Tarquínio

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