A fertilidade do deserto – Adeilson Salles

A vida humana é uma grande travessia, e não raras vezes enfrentamos os desertos que estão localizados em nossa alma.

Por mais que nos comportemos infantilmente tentando responsabilizar os outros pelas nossas dificuldades, a responsabilidade final sempre será nossa.

Os desertos são campo para as grandes decisões e tentações.

Os desertos emocionais são aqueles estados áridos nos quais nos entrincheiramos exigindo da vida o atendimento dos nossos caprichos.

Nos portamos como crianças a exigir de tudo e de todos o atendimento das nossas demandas, nem sempre felizes.

Criamos expectativas, nos comprazemos nas suposições de uma mente fértil e enfermiça empreendendo julgamento sobre as pessoas.

O deserto emocional é aquele em que o nosso ego assume o comando de tudo, e nos portamos como uma ilha que deve ser cercada por todos os lados de situações que nos favoreçam integralmente.

Esses desertos costumam nos levar a períodos de muita fragilidade psicológica que desaguam em processos depressivos e outras enfermidades emocionais.

Os desertos espirituais são mais escaldantes ainda, mais hostis, porque a alma privada de fé e espiritualidade não tem arrimo onde posso se sustentar quando as tempestades do viver nos levam a perder a direção durante a travessia.

A questão não é ter uma religião como fórmula para evitar o sofrimento, na verdade o sofrimento faz parte da vida, mas se tivermos religiosidade em nosso viver estaremos mais fortalecidos para a grande travessia.

O fato relevante é que as nossas decisões são de nossa responsabilidade, sempre.

Todas as vezes que Jesus se encontrava na eminencia de enfrentar uma grande prova ele ia para o deserto buscar a solidão para o encontro com Deus.

A aparente reclusão no deserto era na verdade o encontro com a fertilidade de Deus.

Moisés, o grande condutor do povo hebreu quando precisava buscar inspiração e orientação espiritual também se recolhia na solidão dos montes.

Os desertos são férteis, se prestarmos atenção nas mensagens que eles inspiram a nossa essência espiritual.

Seja qual for a solidão que estejas experimentando não esqueça que existem oásis no deserto.

O deserto emocional pode ser abandonado se aceitarmos as pessoas como elas são, o fim do deserto espiritual está a distância de uma prece.
Respire fundo, medite, ore e não se detenha nas miragens ilusórias do deserto.

Todos os desertos são férteis se assumirmos nossa vida.

Adeilson Salles

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