A teoria do caos na nossa vida

Você sabia que existe um conceito que fala sobre a vida, ou melhor, sobre tudo, e ao mesmo tempo, sobre nada? Você já ouviu falar sobre a teoria do caos? E se eu te falasse que muitas pessoas acreditam que todos nós somos frutos dele? Veremos qual a visão espírita sobre esse conceito tão antigo e tão misterioso que chamamos de caos.

Quando falamos em caos, vamos esquecer o significado usual que utilizamos quando chegamos em um ambiente cheio de crianças que ficaram sozinhas por alguns instantes e pensemos no seu sentido de origem. 

Origem da teoria do caos

Nas antigas mitologias, o caos é descrito como um vazio primordial de caráter informe, algo ilimitado e indefinido, que precedeu e propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo. Mas, o que isso quer dizer de fato? Como isso nos afeta? Bom, podemos dizer que, mesmo antes da existência de tudo, do início, do mundo e da própria vida, existia o caos, e foi só a partir dele que houve a criação.

Agora que já vimos um pouco da definição, acredito que a pergunta “você sabe o que é o caos?” não é mais adequada. Talvez a pergunta chave seja: Será que estamos entregues ao caos?

Pensa comigo. É um fato que, para a doutrina espírita, o destino, um plano maior que nos guia e nos orienta a cada passo, não existe. 

O famigerado livre-arbítrio é descrito com clareza em toda a literatura espírita como um direito à vida humana. Vide os trechos de “O Livro dos Espíritos” que abordam essa questão do livre-arbítrio e do destino:

Na questão 399, o Espírito da Verdade diz:

O Espírito goza sempre do livre-arbítrio. Em virtude dessa liberdade é que escolhe, quando desencarnado, as provas da vida corporal e que, quando encarnado, decide fazer ou não uma coisa e procede à escolha entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio fora reduzi-lo à condição de máquina.

Adiante, na questão 866, Kardec questiona:

Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossa vida também é resultante do nosso livre-arbítrio? 

Tu mesmo escolheste a tua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a suportares, tanto mais te elevará. Os que passam a vida na abundância e na ventura humana são Espíritos pusilânimes, que permanecem estacionários.

A teoria do caos

A verdade é que, se pararmos para olhar à nossa volta e ver tudo o que está acontecendo, será evidente que vivemos em meio ao caos todos os dias. Mas não pelo que você está imaginando. Isso porque ele é tão importante que a ciência se debruçou sobre o assunto e criou uma nova linha de estudo chamado “A Teoria do Caos”, que nada mais é do que um estudo de sistemas dinâmicos altamente sensíveis e dependentes de suas condições iniciais.

Isso quer dizer que, basicamente, se você tiver dois objetos atuando gravitacionalmente entre si, você pode facilmente prever os movimentos deles. No entanto, se você adicionar um terceiro objeto, será quase impossível descrever os seus movimentos.

Essa analogia foi criada para prever os movimentos dos corpos celestes, no entanto também está presente no nosso cotidiano. Você já se perguntou porque os meteorologistas nunca passam as previsões do tempo para cinco ou seis meses de uma só vez? É justamente porque o clima é altamente dependente das condições iniciais do sistema, que neste caso é a atmosfera.

Isso te soa comum? Se não, quer dizer que você não assistiu ao filme “Efeito Borboleta” (2004), na qual a trama principal demonstra um efeito físico das consequências de uma mínima alteração no sistema inicial de alguma coisa, como por exemplo, um simples bater de asas de uma borboleta aqui no Brasil, poderia gerar um efeito cascata que, meses depois, resultaria em um tornado nos Estados Unidos.

Tudo isso serve para podermos observar o alto grau de dependência das condições iniciais de um sistema, que se alterado, pode ser claramente chamado de caos.

Agora imagina quantas interferências nós não sofremos no nosso dia a dia?

Somos frutos do caos?

E se você não tivesse atendido a campainha, olhado o celular, sentado em um lugar diferente do de costume, pego outro carrinho no supermercado ou chegado um pouco mais cedo no banco? Será que as consequências das nossas atitudes mais banais são apenas fruto do caos? A resposta está na doutrina dos espíritos!

Quando falamos sobre o livre-arbítrio nós não falamos sobre a condição em que nós conseguimos ele. Via de regra, conquistamos mais ou menos livre-arbítrio de acordo com a nossa evolução moral e intelectual, assim, quanto mais conscientes moralmente mais liberdade temos, como está descrito no “O Livro dos Espíritos”:

  1. Por que é que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal? “Não têm eles o livre-arbítrio? Deus não os criou maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, tendo tanta aptidão para o bem quanta para o mal. Os que são maus, assim se tornaram por vontade própria.”.

Caso fosse diferente, hoje nós estaríamos falando de outro tipo de caos, e não da “Teoria do Caos”, estudada pela física.

E quanto às consequências do que fazemos ou deixamos de fazer, pode ficar tranquilo, não estamos estimulando o caos do “efeito borboleta”. 

Nós, ainda no plano espiritual, definimos o nosso plano reencarnatório, mesmo com as provas e as expiações que teremos que passar ao longo da vida.

Em verdade é que o caos é misterioso, deixa as coisas mais interessantes e sem dúvida é uma ótima teoria para analisar os fenômenos astronômicos, no entanto, nós não vivemos nele. O que alguns chamam de caos, outros chamam de plano reencarnatório ou mesmo, dependendo da situação, lei de causa e efeito, e assim a vida acontece exatamente como em Eclesiastes, 3:1,2:

Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou…, com ou sem o “caos”.

 

Escrito por: Igor Oliveira

Assistente de Jornalismo, apresentador do Mundo Maior Repórter e estudante de jornalismo.

 

 

Faça uma doação pelo site feal.colabore.org

leave a reply

WhatsApp chat