Agorofobia

Quem nunca sentiu medo? São raras as pessoas que não sentem medo. Diversos são os medos: Medo do escuro, medo da solidão, medo de dirigir, medo de coisas inexplicáveis. O medo em algumas situações é bom, porque significa impor limites para nós mesmos, é um sinal de proteção para conosco. Mas existe aquele medo que paralisa. Este não é um sentimento saudável. Pois nos impossibilita de avançarmos. Hoje falaremos sobre agorofobia. O que seria Agorafobia (do grego ágora – assembléia; reunião de pessoas; multidão + phobos – medo) é originalmente o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão, mas amplificando um pouco mais o significado, é um medo de lugares e situações que possam causar pânico, impotência ou constrangimento.

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV), a palavra é usada para definir comportamentos de esquiva, que aparecem quando a pessoa se encontra em situações ou locais dos quais seria difícil ou embaraçoso escapar ou mesmo receber socorro se algo de errado acontecesse. Nos casos mais graves, a agorafobia compromete a vida social e profissional dos pacientes, e pode ou não estar associada ao transtorno de pânico, explicou a psicóloga, especialista em Recursos Humanos, Priscilla Mellão.

Para a psicóloga Priscilla os pacientes com agorofobia não apresentam características, mas sim, sintomas. “A pessoa com agorafobia costuma evitar sair de casa, sentir ansiedade severa e por vezes ataques de pânico onde podem ocorrer tremores, hiperventilação, agitação, palpitações, tonturas e sudorese. Pode ocorrer também náusea, sensação de impotência e falta de controle sobre a realidade, dentre outros sintomas, dependendo de pessoa para pessoa, e se está associado ao transtorno do pânico ou não”, detalhou Priscilla.

O advento da tecnologia não deve ser culpado pela série de patologias recentes

De acordo com a psicóloga Priscilla, transtornos de ansiedade sempre existiram, mas cada vez mais estão recebendo seus nomes e etiquetas. Mellão destaca que hoje em dia há uma forte onda tentando atribuir uma série de comportamentos e sintomas à tecnologia, mas não há uma associação direta entre a tecnologia como a bruxa criadora de uma série de patologias recentes.

“A forma como nos relacionamos com a tecnologia também conta um pouco de como nos relacionamos com o mundo, com as pessoas que nos rodeiam e inclusive com nós mesmos, então eu particularmente acredito que se eliminássemos uma série de tecnologias, os problemas não estariam totalmente resolvidos, porque quem precisa de tratamento quando tem qualquer tipo de transtorno, é a pessoa. Então vamos colocar a culpa no computador por grande parte das pessoas hoje serem sedentárias e terem problemas de coluna? Não creio ser tão simples assim, acho que há muitos fatores comportamentais e sociais envolvidos e não conheci até o momento algum estudo científico que faça este tipo de correlação entre agorafobia e tecnologias”, explicou a psicóloga.

Segundo Priscilla, o que a tecnologia faz de fato é “facilitar” a vida de quem sofre de agorafobia, pois antes esta pessoa dependia de alguém que fizesse coisas para ela, especialmente se não conseguisse sair de casa, e hoje ela pode consumir qualquer tipo de produto, comprar comida, assistir filmes, ouvir música, jogar games e ter acesso a uma série de entretenimentos sem precisar sair de casa ou depender diretamente de outros, o que pode fazer com que a pessoa leve mais tempo para pedir ajuda ou para que outros percebam seu sofrimento.

Saiba o que contribui para o agravamento do transtorno?

A Revista Brasileira de Psiquiatria já publicou uma tabela com estágios da agorafobia, que vai de uma fase inicial, chamada de “pré-agorafobia”, até o transtorno do pânico em estado crônico.
Estes estágios são:
1 – Pré-agorafobia: presença de ansiedade (incluindo ansiedade em relação à saúde e sensibilidade à ansiedade) e/ou medos isolados e/ou fatores de personalidade, tais como dependência e evitação de danos e/ou bem-estar psicológico comprometido.
2 – Agorafobia: medo de estar em situações ou lugares dos quais seria difícil escapar, intensidade leve (certa evitação ou resistência com angústia, mas estilo de vida relativamente normal) ou moderada (estilo de vida restrito) de acordo com os critérios do DSM-IV.
3 – Transtorno do pânico (fase aguda): aparecimento de ataques de pânico e desenvolvimento de transtorno do pânico (DSM-IV). Agravamento da agorafobia e ansiedade. Ansiedade em relação à saúde pode transformar-se em hipocondria e/ou fobia da doença e/ou tanatofobia (medo da morte). Desmoralização e/ou depressão maior podem ocorrer.
4 – Transtorno do pânico (fase crônica): agorafobia pode agravar (evitação resulta em isolamento parcial ou total) de acordo com o DSM-IV, e crenças e medos hipocondríacos podem ficar acentuados quando o transtorno do pânico excede seis meses. Maior suscetibilidade à depressão maior.
“Conforme essa tabela, podemos verificar que os sintomas vão evoluindo podendo se tornar crônicos”, elucidou Priscilla.

Há cura?

Priscilla revela que com base nesta própria tabela mencionada é possível crer que, se o paciente fosse encaminhado para um psicólogo ou para um psiquiatra logo nos primeiros sinais de ansiedade, o transtorno poderia ser evitado. Os pensamentos negativos – “automáticos”, poderiam ter sido trabalhados adequadamente, o que já não é tão fácil quando o problema se instala e se cronifica.

Recomendação para o familiar do paciente com o transtorno?

“Para o paciente é recomendado psicoterapia, tratamento psiquiátrico, exercício físico, meditação e buscar fazer atividades que aprecie. A família poderá contribuir através do apoio e compreensão de que a pessoa está fazendo um tratamento para algo que a faz sofrer e que não é “frescura”, pois ainda há um preconceito quanto à família entender e aceitar que algum familiar precisa de ajuda de profissionais da psiquiatria e psicologia. Infelizmente ainda há pessoas que entendem isso como uma “fraqueza moral” ou que a pessoa está “louca”. Também há as famílias que tentam negar que a pessoa precise de ajuda, e ficam dizendo para que a pessoa “procure algo para fazer”, “arrume um namorado” ou “pense positivo”.

A psicóloga destaca a importância de ter atividades, manter o pensamento positivo e ter bons relacionamentos pode contribuir e ser muito estimulante para a melhoria da qualidade de vida de qualquer pessoa, mas é preciso compreender que muitas vezes, dependendo do estágio no qual a pessoa se encontre quanto à evolução do seu quadro, isso não é possível, até que ela faça os tratamentos adequados e consiga ir melhorando aos poucos, se apossando novamente de sua vida e escolhas. “Então recomendo fortemente que a família tenha paciência, seja compreensiva e acolha, sem sufocar achando que a pessoa é incapaz de fazer qualquer coisa. É um aprendizado de limites, amor e carinho para todos os envolvidos”, orientou a Psicóloga Priscilla Mellão.
Allan Kardec, em o Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XXVIII, nos orienta o seguinte:

“Cada imperfeição é uma porta aberta à sua influência, ao passo que nada podem, e renunciam a toda tentativa, contra os seres perfeitos. Tudo o que poderíamos fazer para os afastar é inútil se não lhes opusermos uma vontade inabalável no bem, e uma renúncia absoluta ao mal. É, pois, contra nós mesmos que é preciso dirigir nossos esforços, e então os maus Espíritos se afastarão naturalmente, porque é o mal que os atrai, enquanto que o bem os repele”.

 

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