Alegria de Viver

Sombra de duas meninas pulando na praia

Eu vivo muito alegre, muito feliz, tenho sempre muita gente em volta de mim, muita gente na minha vida. É disso que eu gosto.

Essas observações de Chico Xavier, singelas, mas de significado profundo, resumem uma filosofia de vida. Merecem nossa apreciação, em empenho por destrinchar seu conteúdo.

Eu vivo muito alegre, muito feliz…

Como definir se uma pessoa está alegre ou triste?

Pelos olhos, dirá o amável leitor. É verdade. Proclamam os poetas que os olhos são janelas da alma, exprimindo nossos estados de ânimo.

  • Olhos tristes – alma sofrendo.
  • Olhos risonhos – alma em festa.
  • Olhos duros – alma de pedra.
  • Olhos ternos – alma sensível.

Atrevo-me a considerar, contrariando, talvez, o senso comum, que poucos são capazes de identificar a sinalização dos olhos.

Fica mais fácil se observarmos a moldura – os lábios. Lábios abertos, sorriso franco, falam de alegria, tanto quanto, se apertados, expressão sofrida, sinalizam tristeza.

Algo curioso: o riso tanto pode emoldurar a alegria da alma, refletida nos olhos, quanto pode converter-se em caminho para ela.

Para que você não imagine que o calor esquentou-me os miolos, dificultando o exercício da razão, aqui vai um exemplo: se está aborrecido, diante das agruras que lhe surgiram pelo caminho, coloque-se diante do espelho e sorria para si mesmo, riso aberto, dentes à mostra, ainda que contrariando uma vocação para a amargura.

Grande parte da tristeza que o oprime se dissolverá, como num passe de mágica, principalmente se for capaz de rir não para si, mas rir de si, considerando quão ridícula é a carranca que emoldura nossas contrariedades.

Como todo Espírito superior, Chico sempre ressaltou suas alegrias e amenizou suas tristezas, sorrindo, falando de coisas engraçadas, cultivando bom ânimo.

Quanto à felicidade, é elementar que se trata de um estado de espírito positivo, o clima interior de quem gosta de viver.

Família pobre, dificuldades financeiras, doenças, limitações físicas, tudo isso Chico experimentou. Poderia, como costuma acontecer, adotar uma postura negativa, proclamando-se negligenciado por Deus. Isso jamais aconteceu, porque, como todo Espírito superior, ele sabia separar a adversidade da felicidade.

A adversidade configura, geralmente, uma imposição da existência, neste planeta de provas e expiações onde não há inocentes. Todos temos contas a saldar, envolvendo comprometimentos do passado.

Enfrentam adversidades mesmo Espíritos quitados com a Lei que por aqui transitam para ensinar, não para aprender; para doar, não para resgatar; para semear flores, não para colher espinhos.

Situam-se como o nadador que fatalmente se molhará ao mergulhar no rio para resgatar alguém que não sabe nadar.

Já a felicidade, não está subordinada aos aspectos exteriores da existência. Vincula-se às conquistas da Alma. É possível ser feliz, apesar do sofrimento, tanto quanto há gente infeliz, mesmo quando a Vida atende às suas solicitações. Muito mais do que causa de infelicidade, o sofrimento pode ser a sua consequência. Julgar-se infeliz por sofrer costuma exacerbar os ais existenciais.

***

Para completar, Chico informa porque é feliz:

Tenho sempre muita gente em volta de mim, muita gente na minha vida. É disso que eu gosto.

Não basta sorrir para nós ou de nós, se cultivamos a solidão. Ela é porta aberta para a infelicidade, porquanto somos seres eminentemente sociais, criados para a convivência social.

Mas também não basta ter gente por perto. Há pessoas profundamente solitárias em meio à multidão.

Para nos integrarmos é preciso nos comuniquemos. E a melhor forma de comunicação é o sorriso a iluminar a Alma, quando nos vinculamos ao esforço da fraternidade, à prática do Bem.

Nisso Chico era campeão. Por isso era feliz.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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