Americano conta a experiência de ficar 43 anos trancado numa solitária

Você já imaginou passar 43 anos da sua vida preso em uma solitária? Para ser mais exato 43 anos, ou 516 meses, ou 15.480 dias, ou 371.520 horas, ou 22.291.200 minutos. Todo esse tempo dentro de uma cela minúscula, sozinho. Que ser humano seria capaz de suportar um tratamento tão cruel?

Em matéria exibida pelo Fantástico  no domingo passado, Albert Woodfox, integrante do movimento Panteras Negras, condenado por um crime pelo qual ele sempre afirmou ser inocente revelou sua impactante e incrível história de resistência e coragem.

Entre outros temas, integrante do movimento Panteras Negras relata a dor de não ter sido autorizado a ir ao funeral da mãe enquanto estava preso.

Segundo informações do site da BBC, preso por roubo a mão armada, ele estava na solitária desde abril de 1972, depois de ser considerado culpado pela morte de um guarda durante uma revolta na prisão do Estado da Lousiana.

Woodfox aguardava por seu terceiro julgamento após ter duas condenações anuladas. Ele nega as acusações.

Seus advogados dizem que ele passou mais tempo na solitária do que qualquer prisioneiro na história dos Estados Unidos e passava 23 horas por dia confinado na cela.

Em o Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec orienta o seguinte:

“Não é preciso jamais retribuir injustiça por injustiça, nem mal a ninguém, qualquer mal que se nos tenha feito.

Poucas pessoas, entretanto, admitirão este princípio, e as pessoas que estão divididas não devem senão se desprezar umas às outras.

Não está aí o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal, e de perdoar aos inimigos?
É pelos frutos que se reconhece a árvore. É preciso qualificar cada ação segundo o que ela produz: chamá-la má quando dela provém o mal, boa quando dela nasce o bem.

Esta máxima: “É pelos frutos que se reconhece a “árvore se encontra textualmente repetida várias vezes no Evangelho”.

Um militante político que conseguiu manter a sanidade e a fé em seus ideais. Muito difícil este exercício de manter a fé num momento de tamanha dificuldade e provação. Albert Woodfox conta que seu corpo físico ficou preso mais o seu intelecto esteve mais livre do que nunca.

Allan Kardec nos elucida em O Evangelho Segundo o Espiritismo:

“Eu vos disse ultimamente, meus caros filhos, que a caridade sem a fé não bastava para manter, entre os homens, uma ordem social capaz de torná-los felizes. Devia ter tido que a caridade é impossível sem a fé. Podereis encontrar, em verdade, impulsos generosos mesmo nas pessoas sem religião, mas essa caridade austera que não se pratica senão pela abnegação, pelo sacrifício contante de todo interesse egoísta, não há senão a fé para inspirá-la, porque nada além dela nos faz levar com coragem e perseverança cruz desta vida”.

Woodfox é membro do Angola 3, denominação que foi atribuída a três presidiários que permaneceram por décadas em solitária na cadeia Angola, na Louisiana.

E hoje ele está livre e ministra palestras sobre o sistema que os puniu. E afirma que os líderes não agem de forma correta. Ele explica o que é felicidade para ele: “Ser feliz é ser capaz de fazer o que eu quero, ou o que eu posso”.

E Woodfox afirma que não houve solitária que isolasse os seus ideais. “A liberdade para mim está aqui, no que eu penso, na minha filosofia, na minha visão social. Eu digo que quando eu saí da prisão, foi uma libertação física, mas mentalmente, eu estou livre há muito tempo”.

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