As crianças e jovens que educam os pais

Por: Adeilson Salles

A experiência tem revelado que o acesso ao coração das crianças e jovens é sempre mais difícil, quando os pais e educadores não conseguem abandonar o próprio mundo para ir ao mundo dos educandos.

O educador de verdade tem o tamanho do educando.

Me refiro a capacidade de ter a estatura psicológica do interlocutor para poder compreender o que se passa na mente e no coração das crianças e jovens.

Sem que eu tenha percepção do que o outro sente e da maneira como ele vê a situação problema é impossível se acessar o universo alheio.

Jesus como grande educador tinha essa prática pedagógica ao nos ensinar o evangelho, pois era sabedor da nossa condição de analfabetos das verdades espirituais.

O Mestre não nos arrebatou para mundos superiores para nos explicar como chegar a eles, pelo contrário, Ele se utilizou de uma linguagem adequada ao nosso entendimento e veio a nossa escola planetária, a Terra.

Quando confundimos educação com opressão e nos utilizamos de práticas autoritárias não nos colocamos como interlocutores com acesso ao coração das nossas crianças e jovens, pelo contrário, nos distanciamos cada vez mais do circulo de adultos confiáveis.

Quem se utiliza da gritaria como método educativo impede que o outro se sinta confortável para se mostrar como é.
Muitos adolescentes tendem a se isolar porque identificam nos pais uma censura prévia sobre todo e qualquer assunto que eles tentem abordar.

Dessa forma, um abismo vai se criando e dificultando o estabelecimento de relações saudáveis.

Educadores sensíveis se colocam no mundo do educando.

A questão é de autoridade educativa, e toda autoridade não pode prescindir do respeito.

A diferença dos que transitam no mundo infanto-juvenil e são aceitos por esse público reside justamente na maneira como nos dirigimos a eles.

Educadores sensíveis respeitam o educando, e isso não significa aceitar posturas inadequadas e que precisam ser corrigidas.
Adultos exigem limites em suas relações, o educador sensível sabe que as crianças e jovens em formação não são como massa de modelar e também precisam ser respeitadas em seus limites.

Cresce o número de pais que colocam a mão na cabeça sem saber como administrar a educação dos seus filhos.
Muitos indagam: Onde foi que eu errei?

Nenhuma relação está condenada porque vive um momento difícil, mas é preciso fazer um esforço e abandonar certos conceitos de os pais estão sempre certos e os filhos errados.

Educar é também um processo de autoeducação e de aprendizado.

Educadores sensíveis sabem que os educandos são professores também na dinâmica da vida.

Educadores sensíveis estão sempre construindo pontes de entendimento porque em suas relações agem com empatia sempre se colocando na posição do educando.

Professores passam, pais ausentes que estejam dentro de casa, mas fora da vida dos seus filhos também passam, mas os educadores sensíveis permanecem sempre no coração dos que foram tocados por eles.

Adeilson Salles

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