As duas vias

livre-arbítrioNo começo do século passado Léon Denis já notava e denunciava o aumento de casos de suicídio na Europa (1) .

Percebe também a necessidade de suprimir o “sobre” do “natural”. Explico. Sendo o sobrenatural o que está acima da natureza, aquilo que a ultrapassa, segundo certa corrente do pensamento religioso, os acontecimentos categorizados na conta de milagres, profecias assim como os fenômenos que abundam no Evangelho seriam todos da ordem do sobrenatural.

Da separação arbitrária das duas esferas da realidade, a espiritual da material ou vice e versa, resultou a divisão entre ciência e religião, entre o pensamento que examina e a fé que simplesmente aceita sem qualquer critério as teses dogmáticas das religiões.

O antagonismo que impede a união entre Ciência, Filosofia e Religião não diz respeito à Religiosidade, mas, ao dogmatismo religioso.

A rejeição do Espiritismo foi a rejeição dos meios de se evitar que campeasse, por um lado o famigerado “materialismo”, de outro o niilismo.

À vista disso, o homem culto, ou simplesmente o que pensa e analisa a vida, se viu entre duas veredas aparentemente distintas, ou o niilismo, ou o materialismo – ou seja – uma na verdade.

Hoje vivemos um “materialismo” inconfesso, sem ideologia, ou Filosofia, porquanto o niilismo transformou-se em hiperconsumo não ideológico, apenas e tão somente vivido.

Então me pergunto: o dogmatismo ainda agora imperante nas religiões oficiais teria vencido sua luta ao criar no entendimento das populações através da cultura da fé cega uma mentalidade de rebanho cuja principal qualidade seria a da aceitação sem exame de teses absurdas em nome de Deus? Ou o niilismo materialista ou materialismo niilista ganhou da religião por se apresentar mais coerente do que o cego dogmatismo?

Antonio Carlos Tarquínio

(1) Léon DENIS, Cristianismo e Espiritismo, introdução.

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