Cultura do Estupro

estuprodentroMuitas mulheres passam uma vida inteira escondidas e na defensiva por terem sofrido violência sexual. E vivem a prática do silêncio ao invés da denúncia.

Elas são questionadas o tempo todo. Porque elas não denunciam? Não procuram ajuda?  Estes são os apontamentos comumente presentes na vida destas mulheres injustiçadas e humilhadas pela sociedade.

Infelizmente, a população, muitas vezes, machista impõe comportamentos que devem ser adotados pelas mulheres, de maneira que elas são culpadas por tudo. Por isso são orientadas a não saírem de casa sozinhas à noite, usarem roupas recatadas, apresentar uma postura séria, tudo para não chamar a atenção e ser alvo de inúmeras críticas, abuso  e até ameaças de morte.

 

“Nessa cultura machista que só pode se sustentar pela existência de uma sociedade patriarcal, são diversos os mecanismos que vão das piadas que nos desqualificam para dirigir, para ser engenheiras, para ser presidente do país até a violência sexual no transporte público e nas ruas”, pondera Izabel Solyszko, em entrevista concedida à  Revista Galileu

A cultura do estupro veio à tona ao longo destes dias, por conta do ocorrido com uma adolescente de 16 anos, estuprada por 33 homens e sua imagem exposta, por intermédio de um vídeo, que ganhou grande repercussão, de forma negativa. São muitos os questionamentos em torno do fato. Mas não vem ao caso entrarmos em polêmicas, já que o assunto se esgotou em todos os programas de rádio, TV, internet, jornal impresso, enfim em todas as mídias.

A cultura do estupro, este termo foi marcado na década de 70 por feministas americanas e,  de acordo com o Centro das Mulheres da Universidade Marshall  nos Estados Unidos, é utilizado para descrever um ambiente no qual o estupro é predominante e no qual a violência sexual contra as mulheres é normalizada na mídia e na cultura popular.

Então a cultura do estupro vai além do estupro em si. Pois ao disseminar termos que denigrem as mulheres, permitir a objetificação dos corpos delas e glamurizar a violência sexual, a cultura do estupro passa adiante a mensagem de que a mulher não é um ser humano, e sim uma coisa.

Sem contar as mulheres que são assediadas dentro do transporte público. Diariamente, estão expostas e vistas por alguns como apenas uma “Coisa”,  “um objeto”. E ainda sendo obrigada a escutar: “Também olha a roupa que ela estava usando. Estava pedindo”.  Lança sobre a vítima, guardando as devidas proporções, o mesmo olhar que o estuprador.

Cultura de estupro é assunto de todos, não é um fato isolado. Estupro é uma violência, e uma violação grave dos direitos humanos que atinge mulheres desproporcionalmente. E necessário falar sobre cultura de estupro. Precisamos falar sobre machismo. Precisamos falar sobre cultura patriarcal. Estas coisas estão conectadas. E precisamos falar sobre elas.

Consentimento é um conceito-chave para compreendermos e admitirmos que há uma diferença entre sexo e estupro. O sexo sem consentimento, deixa de ser sexo e passa a ser estupro.

 

As mulheres sofrem violência e abuso dentro da própria casa

 

A violência sofrida pelas mulheres quase sempre é dentro do ambiente doméstico. Tudo começa na infância, com assédio por parte de pessoas que você menos desconfia: padrastos, tios, avós e se estende na vida adulta,  mais à frente se veem em relações tumultuadas e desajustadas, mesmo depois que se casam.

Cultura do estupro afeta mulher. O estupro é uma degradação, terror, e limitação para todas. A maioria das mulheres e meninas limita o seu comportamento por causa da existência de violação. A maioria vive com medo de estupro. Homens, em geral, não. É assim que funciona o estupro como um poderoso meio pelo qual toda a população feminina é realizada em uma posição subordinada a toda a população masculina, mesmo que muitos homens não estupram, e muitas mulheres nunca são vítimas de estupro. Este ciclo de medo é o legado da cultura do estupro.

E para auxiliar nestes casos,  há locais que prestam assistências à estas mulheres abusadas e violentadas fisicamente e moralmente, entre eles, está a Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da Juventude (ASBRAD), localizada em Guarulhos.

Fundada em 1997, por profissionais de diversas áreas engajados na defesa dos direitos humanos, dentre eles a presidenta Sra. Dalila Figueiredo.

A equipe é multidisciplinar e os atendimentos voltados à população carente do município de Guarulhos, sendo que a partir de 2008 a instituição ampliou seu trabalho às 27 capitais brasileiras. São desenvolvidos projetos de apoio à vítimas de violência doméstica e sexual, vítimas do tráfico de seres humanos, violência contra o idoso, execução de medida socioeducativa aplicadas a adolescentes em conflito com a lei e de defesa das crianças e adolescentes.

E entre esses projetos está a Assistência Judiciária Gratuita a Vítimas de Violência Intrafamiliar e Sexual:  Presta assistência jurídica e psicossocial a mulheres, crianças e adolescentes vítimas da violência doméstica e sexual, por meio de convênio estabelecido com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

Vamos refletir sobre a cultura do estupro. Não devemos duvidar da vítima quando ela relata uma violência sexual. É importante que a sociedade passe a acreditar no que dizem as mulheres. E deixar de criar polêmicas se é estupro ou não. Que fique claro, sexo sem consentimento é estupro, ponto final.

 

Dica da Rádio Boa Nova:

No dia 07 de março,  Dalila Figueiredo,  a presidente da Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da Juventude (ASBRAD), concedeu entrevista ao RBN Notícias  sobre o papel da mulher na sociedade, sob diversos aspectos. Confira:

 

Sites Consultados:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/06/04/analise-sociedade-nao-se-ve-em-cultura-do-estupro-mas-condena-mulher-por-sexo.htm

revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2016/06/6-coisas-que-voce-precisa-entender-sobre-cultura-do-estupro.html

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-cultura-do-estupro

 

Fonte das Imagens: pexels.com

 

 

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