Curva da Estrada

Estrada com curva no final

Morrer é a curva da estrada.

Morrer é só não ser visto.

Fernando Pessoa (1888-1935), o grande poeta filósofo, definiu nessas poucas palavras, com admirável precisão, o que é a morte.

É apenas a curva do caminho, que subtrai à nossa visão alguém que segue à frente. Também chegaremos lá. Retomaremos o contato. Infalivelmente!

Será em tempo breve ou alongado. Dependerá de nós, de nossos ajustes com o destino ou de nossos desatinos.

O que pode ser encarado como pálida esperança, na singela e bela imagem do poeta, torna-se uma realidade palpável quando apreciamos o assunto à luz da Doutrina Espírita.

Favorecem-nos as informações dos que, saindo de nossas vistas, falam conosco pela telefonia mediúnica.

É por um telefone maravilhoso, Chico Xavier, que inspirado poeta desencarnado, Casimiro Cunha (1880-1914), nos convida a observar importante aspecto:

Dobram sinos a finados,

Com mágoa e desolação…

Porque não sabem que a morte

É a nossa libertação.

Certamente o vate fluminense sabia bem do que falava. Teve trânsito breve e atribulado na jornada terrestre. Segundo registros biográficos, em Parnaso de Além-Túmulo, a magnífica coletânea de poesias psicografadas pelo mesmo médium, de onde transcrevemos o verso acima, está registrado:

Há, na sua existência terrena, uma triste particularidade a assinalar, qual a de haver perdido uma vista aos 14 anos, por acidente, para de todo cegar da outra aos 16. Órfão de pai aos 7 anos, apenas frequentou escolas primárias. Era um espírito jovial e forte no infortúnio, que ele sabia aproveitar no enobrecimento da sua fé.

Mágoa e desolação, quando destituídos de compreensão, afligem aqueles que veem o familiar querido ganhar a curva do caminho. Porém, para alguém como ele, que enfrentou corajosamente as provações, há, além do olhar humano, luminosas e deslumbrantes paisagens que se abrem à visão espiritual, superadas as limitações da carne.

Um último detalhe, leitor amigo. Casimiro Cunha era espírita, dádiva de Deus em nossas vidas, fonte abençoada de onde, certamente, retirou muito de seu alento, de sua coragem para enfrentar a adversidade. Por isso, lá, na curva do caminho, exalta, feliz, em poesia constante da citada obra:

Espiritismo é uma luz

Gloriosa, divina e forte,

Que clareia toda a vida

E ilumina além da morte.

 

É uma fonte generosa

De compreensão compassiva,

Derramando em toda parte

O conforto D’água Viva.

 

É o templo da Caridade

Em que a Virtude oficia,

É onde a bênção da Bondade

É flor de eterna alegria.

 

É árvore verde e farta

Nos caminhos da esperança,

Toda aberta em flor e fruto

De verdade e de bonança.

 

É a claridade bendita

Do bem que aniquila o mal,

O chamamento sublime

Da Vida Espiritual.

 

Se buscas o Espiritismo,

Norteia-te em sua luz;

Espiritismo é uma escola,

E o Mestre Amado é Jesus.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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