Emancipação da alma

Esse tema, que está inserido no capítulo VIII do Livro dos Espíritos, nos traz informações bastante esclarecedoras a respeito da Cama com livro aberto e lençol ao ladoEmancipação da alma. Embora certas pessoas achem o assunto meio confuso, complicado e de difícil de entendimento, essa suposta confusão ocorre justamente porque algumas não sabem o que é emancipação e outras confundem alma com espírito.

Isso acontece porque, se formos procurar no dicionário vamos verificar que ele define emancipar da seguinte forma: “eximir do poder paterno, ou da tutoria”. Além de ser uma explicação difícil de assimilar, é um termo pouco usado, portanto, nada mais justo não se saber exatamente o seu significado.

Quanto à palavra alma, alguns a confundem com espírito, e por isso sentem verdadeiro pavor por cemitério. Para justificar esse temor, dizem não gostar daquele lugar por estar cheio de almas penadas. Outro erro, mas que também é justificável. O dicionário define alma como sendo o espírito humano. É uma definição incompleta por que não é só o ser humano que a tem, os animais irracionais também as possuem. Portanto, são essas explicações complicadas e definições incompletas, que fazem o assunto parecer confuso e difícil de entender.

No entanto, na Doutrina Espírita a explicação para essas palavras é mais fácil, ela vai um pouco mais além na sua definição. Para o Espiritismo emancipação significa também liberdade, desprendimento, libertação; e alma ele define como sendo o espírito quando está encarnado. Muito embora na sua essência espírito e alma ser a mesma coisa, a diferença está somente na condição em que ele se encontra em determinado momento, se está encarnado é alma, se desencarnado é espírito.

É sabido que a condição natural de todo espírito é em liberdade, porém, a partir do momento de sua encarnação, passa a ficar preso e ligado à matéria durante um determinado tempo, e é a partir daí que passa a ser chamado alma. Como essa ligação entre ambos termina definitivamente com o desencarne, melhor dizendo, com a morte do corpo físico, após essa separação a alma dele se desliga e volta à condição normal de espírito, sendo assim, o que pode haver no cemitério não são almas penadas, e sim, espíritos errantes que podem estar em qualquer lugar e não só no cemitério.

Não obstante, em algumas circunstâncias, apesar de ainda estar na condição de alma, ou seja, de espírito preso à matéria, ela pode se libertar, parcial e momentaneamente mesmo o corpo não estando morto em definitivo. É essa liberdade parcial e momentânea que a Doutrina Espirita chama de Emancipação da alma.

Sabemos, também, que o ser humano é formado por três elementos distintos: espírito, perispírito e matéria. O espírito é o ser inteligente e sensível da criação; é a sede de todos os sentimentos; o perispírito é o corpo semimaterial que serve de ligação entre espírito e matéria; e matéria é o corpo físico; é o instrumento que o espírito utiliza para atuar no mundo material. Como os três estão interligados entre si por laços fluídicos, quando o espírito quer atuar no mundo material, transmite a sua vontade ao perispírito, através dos laços, que é repassada para o corpo físico e se ele estiver acordado executa. Sendo assim, toda ação praticada pelo corpo físico, desde um simples piscar de olhos, até o trabalho mais pesado, é determinada pelo espírito.

Mas, como o corpo físico é matéria compacta, é perecível, e, na medida em que vai realizando esse trabalho, vai sofrendo um desgaste energético, e depois de algum tempo precisa parar e repousar para repor as energias gastas. Nesse momento os laços fluídicos que os unem afrouxam, vão se esticando, alguns órgãos físicos vão enfraquecendo, até parar de funcionar e aí o corpo adormece. Esse adormecimento é o que nós chamamos de sono. Aliás, algumas pessoas quando estão muito cansadas costumam dizer que precisam repousar para descansar o espírito. Essa afirmação é errada, mas é apenas uma força de expressão, por que na realidade quem descansa é o corpo físico, o espírito nunca para, ele está sempre em atividade.

Uma hora depois que o corpo adormece, a alma, agora na condição de espírito, aproveita aquele momento de repouso para dele se libertar parcialmente e retornar momentaneamente à vida espiritual.  Estando parcialmente desprendido da matéria grossa e pesada, torna-se mais independente, e as suas faculdades ficam mais desenvolvidas, por isso vai frequentar os ambientes, espirituais ou materiais, que o atraem e manter contato com outros espíritos que estejam na mesma sintonia vibratória.

Como esse contato é regido pelo princípio da afinidade moral, se for um espírito ainda despreparado vai procurar as regiões inferiores, onde possa satisfazer os seus desejos, muitas vezes nocivos, alimentar os seus vícios e manter contato com outros mais despreparados, aqueles que, apesar de já estarem desencarnados, ainda sentem prazer nos vícios e na prática do mal.

Porém, se for um espírito já mais ou menos esclarecido, vai frequentar lugares saudáveis e contatar com entidades benfeitoras para conversar, ouvir conselhos e se instruir.

No livro, Missionários da Luz, André Luiz comenta sobre um núcleo de trabalhos e estudos existente naquela colônia espiritual, com mais de trezentos espíritos encarnados inscritos. Toda noite, durante o período de emancipação, aqueles espíritos ali comparecem para receber ensinamentos, tarefas a serem cumpridas e até serem alertados de algum perigo.

Algumas religiões, e algumas pessoas ainda não esclarecidas costumam afirmar que esse contato entre os espíritos não existe, que tudo isso não passa de invenção da Doutrina Espírita. Isso não é verdade, pois esse relacionamento sempre existiu, e disso temos provas desde a mais remota época. No ano 460 antes da era cristã, na Grécia havia um médico muito famoso chamado Hipócrates o qual, em razão da sua competência e dedicação, ficou mundialmente conhecido como o pai da medicina. Naquela época Hipócrates já afirmava que todos os seus conhecimentos sobre a ciência médica eram recebidos durante o sono e inspirados pelos espíritos.

A título de exemplo

Se formos verificar na história do cristianismo, nela também iremos encontrar vários exemplos desse contato, começando pelo caso de Maria de Nazaré. Quando ainda era jovem Maria perdeu os pais e foi morar no Templo em Jerusalém, numa espécie de orfanato. Certa noite, estando sozinha no quarto adormeceu e durante a emancipação da sua alma foi contatada por um espírito superior que veio avisá-la da tarefa que lhe fora atribuída, ou seja, que havia sido escolhida pela Providência Divina, para ser a mãe biológica do Cristo Jesus quando ele encarnasse aqui na Terra, como de fato aconteceu.

Outro fato semelhante aconteceu com o carpinteiro José quando Jesus ainda era criança. Naquela ocasião o rei Heródes ficou sabendo do nascimento de um menino que o povo dizia que iria ser o rei dos judeus, e isso o deixou muito irritado. Sentindo o seu trono ameaçado, e com medo de perder os seus poderes, resolveu tomar uma providência, mas, como não sabia quem era a criança, mandou seus soldados capturar e matar todos os meninos com menos de dois anos que encontrassem.

Por causa disso, toda família que tinha filhos pequenos vivia em pânico, e a cada aproximação dos soldados os pais corriam para esconder os filhos. Mas, mesmo assim, apesar dos cuidados das famílias, uma verdadeira chacina estava ocorrendo, onde dezenas de meninos estavam sendo barbaramente trucidados pelos soldados. Uma noite, quando José estava em casa dormindo, durante a emancipação foi contatado por um espírito protetor que veio alertá-lo das intenções do rei Heródes, do perigo que Jesus estava correndo, e orientá-lo a fugir para o Egito com a família. E foi assim que, graças ao alerta recebido daquele espírito, José conseguiu evitar que Jesus fosse encontrado e morto pelos soldados.

Esses fatos ocorreram muito antes de se falar na Doutrina espírita, mas os contatos com os espíritos antes do Espiritismo não param por aí não.

Mais recentemente, em 1848, época em que a Doutrina espírita estava apenas despontando, um rapaz norte americano durante o sono teve o seu espírito levado a um daqueles núcleos mencionados por André Luiz, onde teve contato com o espírito de um médico grego chamado Cláudio Galeno, já desencarnado, e dele recebeu ensinamentos de como manipular os fluidos e curar um doente pela imposição das mãos. Depois que acordou, com aqueles ensinamentos gravados na mente, passou a pôr em prática as instruções que recebeu até se tornar o grande e famoso médium de cura dos Estados Unidos, Andrew Jackson Davis. Ora, se todos esses fatos, e muitos outros, ocorreram muito antes de Allan Kardec codificar a Doutrina Espírita, esse contato ente os espíritos não poderia, de forma alguma, ter sido inventado por ela.

Mas, voltado à liberdade momentânea da alma, depois de vinte ou trinta minutos de desprendimento, ainda em espírito, retorna ao corpo, que, por não ter ainda recuperado totalmente as suas energias, continua em repouso, porém, mesmo sem despertar, com sua volta, o cérebro retoma sua atividade normal e começa a lembrar e gravar tudo o que aconteceu durante aqueles momentos de liberdade. É essa lembrança que nós chamamos de sonho. Depois de estar tudo gravado, o cérebro novamente adormece e o espírito volta, outra vez, à vida espiritual. Normalmente, essa sua ida e volta à espiritualidade, se repete de três a cinco vezes durante o sono, com um espaço de noventa minutos entre um e outro, e assim que o corpo físico recupera totalmente suas energias, ele volta definitivamente, sai do estado de sono e acorda.

Dependendo de quanto o espírito tenha se afastado do corpo durante o sono, ao despertar as lembranças do que aconteceu na espiritualidade poderão ser mais claras ou menos claras. Quanto mais os laços tenham se esticado, maior terá sido o seu afastamento do circulo de ação da matéria, e as lembranças serão mais claras. É por isso que, na maioria das vezes quando acorda as lembranças do que ocorreu no mundo espiritual permanecem nítidas e com imagens claras e precisas. Ele se lembra de tudo o que aconteceu; do que fez, dos lugares onde esteve e dos espíritos que encontrou e conversou. Isso acontece pelo fato de ter se afastado do corpo o suficiente e permanecido todo o tempo fora do campo de ação da matéria.

Outras vezes, quando acorda, também se lembra do que aconteceu, mas tudo lhe parece confuso. Lembra de fatos absurdos e de coisas impossíveis de acontecer. Isso ocorre por que, muito embora tenha permanecido fora do campo de ação da matéria, as preocupações do seu dia a dia se misturam com lembrança de algum desejo não realizado, de uma vontade reprimida, ou, ainda, de fatos ocorridos em vidas anteriores que emergiram do inconsciente, nesses casos, essa mesclagem de lembranças forma uma confusão tão grande que dificilmente conseguirá entender e decifrar aquele sonho. E tudo isso, sem contar com a influência de espíritos zombeteiros e brincalhões a que está sujeito.

Às vezes lembra de estar despencando de uma ribanceira, de ter sido perseguido por um monstro e tentado correr, mas as pernas travaram; quis gritar, mas a voz não saia. Tudo isso são pesadelos provocados por esses tipos de espíritos.

Mas, pode acontecer, também, de quando acordar, não lembrar de nada, e, nesse caso, pensa que nada aconteceu. É um engano, por que nenhum espírito deixa de emancipar durante o repouso do corpo, portanto, alguma coisa aconteceu sim. Se não se lembra do que ocorreu durante o sono, é por que permaneceu dentro do circulo de ação da matéria, porém, tudo que aconteceu permanece gravado e a lembrança poderá surgir, quando se fizer necessário, como forma de pressentimento ou intuição. Às vezes, quando toma uma decisão momentânea e escapa de um perigo, pensa que foi por sorte, ou por acaso, mas, como sorte e azar não existe, e nada acontece por acaso, pois tudo tem um porquê, é de se concluir que deve ter recebido um alerta sobre aquele perigo durante o sono e esse aviso ficou gravado, vindo a se manifestar naquele momento.

Em 2007, o dono de uma oficina de consertos na cidade de Porto Alegre precisou viajar aqui para São Paulo a fim de comprar uma peça, e, quando chegou ao aeroporto verificou que havia dois voos, um deles seguiria direto sem escala e o outro faria uma parada em Curitiba. Quando já estava embarcando naquele avião que não faria escala, inexplicavelmente resolveu voltar e embarcar no outro, mesmo sabendo da parada que a aeronave iria fazer. Chegando em São Paulo ele achou estranho que o avião ao invés de pousar em Congonhas, como estava previsto, foi desviado para o aeroporto de Guarulhos. Quando desembarcou ficou sabendo que aquele outro avião, quando aterrissava em Congonhas, derrapou na pista, atravessou a avenida e foi chocar-se contra um prédio, em seguida pegou fogo e explodiu, e todos os passageiros morreram carbonizados.

Ao ser entrevistado por um repórter, o passageiro disse que na hora em que ia embarcar no avião que não faria escala teve um mau pressentimento e por isso resolveu voltar e embarcar no outro, e assim se livrou de morrer naquele acidente. Quando isso acontece, normalmente a pessoa diz que teve um mau pressentimento. Na verdade, isso que ele chamou de mau pressentimento nada mais foi do que a lembrança de um aviso que deve ter recebido durante o sono e que estava gravado na sua mente vindo a se manifestar naquele momento. São essas as situações que ocorrem durante o sono normal.

Mas, temos também situações em que o espírito, ao se libertar parcialmente do corpo durante o sono, os laços fluídicos se esticam mais do que o normal, e ele fica mais distante ainda do campo de ação da matéria. Nesse caso, se quiser atuar no mundo material, mesmo alguns órgãos físicos não estando funcionando, pode impulsionar o corpo e fazê-lo se movimentar, andar, ver, e até falar, mas tudo isso é feito automaticamente. É o sonambulismo. Nesse caso o espírito age sobre o corpo como se fazia antigamente com as mesas girantes, onde elas se movimentavam, subiam, desciam, iam para direita, para esquerda, batiam os pés, mas, impulsionadas pelo espírito.

Lembrando que existem dois tipos de sonambulismo: o sonambulismo espontâneo, e o sonanbulismo provocado. O processo é o mesmo, a diferença entre um e outro é que o sonambulismo espontâneo ocorre naturalmente e o corpo é impulsionado pelo próprio espírito e sem nenhuma interferência, ao passo que no sonambulismo provocado, como o próprio nome diz, o corpo é impulsionado também pelo espírito, mas, monitorado por um magnetizador. Esse tipo de sonambulismo foi descoberto em 1775, pelo médico alemão Franz Anton Mesmer, que deu o nome de magnetismo animal.

Existe, também, outro tipo de sonambulismo espontâneo, só que bem mais profundo. Isso acontece quando os laços fluídicos se esticam ao máximo e o espírito fica preso à matéria apenas por um fio bem fininho. Nesse tipo de sonambulismo, a liberdade do espírito é tão grande, e as suas faculdades ficam tão desenvolvidas que, enquanto no sonambulismo normal ele vagueia pelas regiões da Terra, nesse caso pode se aproximar de outros mundos desconhecidos e mais adiantados, e ter contato com os espíritos que ali vivem, só não pode neles penetrar. Ele fica tão deslumbrado com o que vê que a vontade que tem é de não mais voltar, mas, para que isso ocorresse seria necessário o rompimento definitivo dos laços, o que redundaria na morte do corpo físico. Esse tipo de sonambulismo profundo é chamado de êxtase.

Foi dito anteriormente, que a natureza do espírito é em liberdade, porém, quando está encarnado deixa aquele estado e fica preso ao corpo físico, e a maneira normal dele se libertar momentaneamente é através do sono. No entanto, além do sono, existem outras situações em que, mesmo o corpo não estando no seu repouso natural, pode também dele se libertar parcialmente. Isso pode acontecer em decorrência de uma doença, de um acidente grave ou durante uma cirurgia. Esse tipo de desprendimento do espírito é conhecido na ciência médica, como estado de coma.

Por exemplo, existem algumas pessoas que toda vez que sofre um choque emocional muito forte seu espírito retém os laços fluídicos que o prende ao corpo e se afasta dele; nesse caso todos os órgãos deixam de funcionar e fica com a aparência de morto. Esse estado pode durar alguns minutos, algumas horas e até mesmo alguns dias, e a pessoa pode até ser enterrada viva como acontecia antigamente.

Há alguns anos atrás, na cidade de Buenos Aires, na Argentina, morava um casal que tinha uma única filha, uma moça de apenas dezenove anos de idade. Certo dia a moça teve uma crise e todos os seus órgãos pararam de funcionar. Os parentes, pensando que ela tinha morrido, e até para aliviar o sofrimento dos pais, resolveram enterrá-la às pressas. Alguns anos depois, quando o caixão foi reaberto, o esqueleto estava em posição diferente da que havia sido sepultado, estava deitado de lado, e na parte de cima de dentro da tampa do caixão havia várias marcas de unha, o que levou a deduzir que, provavelmente, fosse portadora dessa doença e por isso havia sido enterrada viva.

No entanto, como se trata de uma doença espiritual, se uma pessoa dotada de muita fé, de coração puro, de bons sentimentos e de um forte desejo de ajudar, se aproximar de alguém acometido dessa moléstia, e souber manipular corretamente os fluidos, o espírito os libera, os órgãos voltam a funcionar, voltando ao normal.

No Novo Testamento encontramos três exemplos clássicos de pessoas portadoras dessa doença: a filha do sacerdote Jairo; o filho da viúva de Naim e um amigo de Jesus chamado Lázaro, que até hoje algumas religiões, e algumas pessoas acreditam que haviam morrido, mas foram ressuscitados por Jesus. Naquela época na sua extraordinária e maravilhosa vidência o Mestre já conhecia essa espécie de doença que somente depois de vários séculos veio a ser descoberta pela ciência médica e recebeu o nome de Letargia.

Além de conhecer, sabia também a maneira de curar através da manipulação dos fluidos. Portanto, quando Jesus se aproximou dos corpos e impôs as suas mãos sobre eles, o que fez foi manipular corretamente os fluidos e livrá-los daquela doença e não os ressuscitar, mesmo por que não estavam mortos, apenas os seus espíritos estavam parcialmente desprendidos dos corpos, por isso ele pediu aos parentes daquelas pessoas para não chorarem afirmando que apenas dormiam. Esses são alguns exemplos de desprendimento do espírito em consequência de uma doença.

Há algum tempo atrás, uma novela que foi exibida pela televisão, chamada Amor Eterno Amor, mostrou, embora de maneira um tanto fantasiosa, dois casos de desprendimento de espíritos. No primeiro um rapaz sofreu um violento acidente de carro e quando estava em coma no hospital, enquanto via os médicos cuidando do seu corpo, seu espírito se desprendeu, atravessou paredes e foi até a outra sala onde seus pais aguardavam o resultado do atendimento. Nesse caso o afastamento do espírito ocorreu em virtude de um grave acidente.

Nessa mesma novela, uma menina levou um tiro e quando estava sendo operada para extração da bala, o seu espírito afastou-se do corpo e foi encontrar-se com o espírito de sua mãe, já desencarnada, lá no plano espiritual. Já, messe caso, o desprendimento se deu durante uma operação cirúrgica. Muito embora se tratasse de uma novela, com cenas montadas de maneira fictícia, aqueles fatos mostraram o que realmente pode acontecer com o espírito depois de um acidente ou durante uma operação cirúrgica.

Em todos os casos de desprendimentos do espírito, o corpo físico está adormecido, porém, existem outras situações em que pode, também, se desligar parcialmente dele mesmo estando acordado. Nesse caso, embora o espírito esteja distanciado, o corpo não está adormecido e todos os órgãos físicos estão funcionando normalmente; o corpo está ali, anda, age, e os olhos veem os objetos que estão à sua frente, mas, como o espírito, que está afastado, possui a faculdade de enxergar também com as vistas espirituais, vê aquilo que está no lugar em que se encontra, portanto, as vistas são simultâneas. É o que a Doutrina espírita chama de vista dupla ou segunda vista. Essas foram as explicações que os espíritos deram a Allan Kardec a respeito da emancipação da alma, e que ele nos transmitiu através do Livro dos Espíritos.

Em resumo, diante de tudo o que foi visto, todos nós, indistintamente, somos espíritos encarnados e como tal, estamos presos ao corpo físico. Mas, como a Providência divina nos concedeu a graça do nosso espírito poder se libertar parcialmente da matéria durante o sono, na hora em que formos dormir precisamos estar preparados.

Para que possamos ter um sono tranquilo, nessa hora devemos procurar esquecer todos os nossos problemas, todas as nossas aflições, e tudo aquilo que possa estar nos incomodando; devemos estar com a nossa mente serena, com muita paz no coração, e pelos menos nesse momento procurarmos evitar os maus pensamentos, sempre nos lembrando das palavras do Cristo Jesus quando disse: “Orai e vigiai, pois, nessa hora uma oração feita com muita fé e voltada para o bem, sempre atrai os bons espíritos para nos acompanhar durante todo o período de emancipação da nossa alma”.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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